Análise dos Fenômenos Parafísicos

1º) O SINCRONISMO

Nas telecinesias

Willy Schneider foi um dos mais célebres realizadores de fenômenos de efeitos físicos, sob rigoroso controle de experimentadores conscienciosos. Willy estava convencido de ser instrumento (médium) dos espíritos dos mortos. Entre os espíritas, é um dos médiuns mais considerados. Mas na realidade freqüentemente se observou que Willy acompanhava as telecinesias com movimentos do seu corpo. Por exemplo esticava-se e dirigia o ombro em direção da vitrola ou da lâmpada que mexia à distância.


Em psicologia é muito significativo este sincronismo vontade-gesto. Tais gestos provam evidentemente que as telecinesias correspondiam à vontade inconsciente de Willy, que estava em estado de inconsciência.

Os mesmos significativos movimentos se observavam em Eusápia Palladino, a mais famosa médium espírita de efeitos físicos.

Eusápia, à distância, acendeu e apagou a luz, sem mexer no interruptor. Cesare Lombroso, que era um dos pesquisadores, ressalta: "O acender e o apagar da lâmpada correspondiam a pequeno movimento que o dedo indicador de Eusápia fazia na palma de minha mão. Quase sempre havíamos detectado essa sintonia entre os fenômenos e os gestos da médium".

Posteriormente Robert Tocquet será mais encomiástico:

"Eusápia lançava o punho em direção da mesa de experiência detendo-se, porém, a alguma distância da superfície. Ouvia-se então um barulho (tiptologia) como se o punho tivesse realmente alcançado a mesa. Igualmente efetuava com a mão fechada um movimento de rotação, de torção, a alguma distância de um baú, e podia-se ver como a chave do baú dava voltas sozinha na fechadura. Enfim, sempre que ela realizava uma telecinesia, seus músculos se contraíam como se estivesse agindo realmente".
Em uma oportunidade, na Universidade de Nápoles, um vaso, que estava a uns metros de Eusápia, foi chocar-se violentamente contra o chão, ao mesmo tempo em que Eusápia aplicava "um formidável ponta-pé" num dos assistentes.

Os fatos mostram que a vontade atuante era da própria Eusápia, não dos espíritos dos mortos. O sincronismo é tão típico que mesmo nos casos espontâneos, ao menos quando está presente algum especialista, não deixa de ser constatado.

A respeito das telecinesias das irmãs Alida e Santina de Matteo, os parapsicólogos italianos consignaram:

"Detalhe interessante: também neste caso os fenômenos se intensificavam quando as duas meninas (...) (dormindo) se agitavam na cama: os projéteis improvisados esguichavam então daqui e de lá com violência, como se espelhassem a movimentada seqüência daquela misteriosa segunda vida que elas levavam no sonho".

Nas ectoplasmias e fantasmas

Com uma alavanca ectoplasmática a Srta. Golhiguer levantava mesinhas e tamboretes. Golhiguer goza muito prestígio entre os espíritas, porque eles pensam que eram os espíritos dos mortos que dirigiam essa alavanca.

Mas a vontade diretora e o esforço motor manifestamente procediam da própria Golhiguer:
Assim, o Dr. Crawford constatou que durante todo o tempo que estava em ação a alvanca ectoplasmática, nos músculos de Golhiguer repercutia toda a tensão e esforço, deixando os tensos, e se a força necessária era maior, por exemplo para levantar um tamborete à altura excepcional de 1,20m, adquiriam uma rigidez de ferro.

É significativo que essa tensão muscular, embora se estendesse a todo o corpo, era especialmente destacada onde teoricamente devia ser:

Precisamente num dos braços; e, mais natural, procurando-se do ombro ao pulso, encontrava-se a maior tensão na articulação, tal como seria se o braço estivesse diretamente levantando um objeto pesado.

"Todos os movimentos do raio ('alavanca') são produzidos no íntimo do corpo do médium", frisava Crawford entre as conclusões gerais das suas observações do grupo Golhiguer por mais de dois anos e meio.

"Parte de mim". Prolongação de si mesmo

No livro Aparições. A ciência purifica a fé, analiso a chamada "bilocação", "experiência fora do corpo", "desdobramento" etc. Uma pessoa pode plasmar a idéia que tem de si mesma. O "duplo". E isto claramente exclui os espíritos dos mortos.
Logicamente assim se explica também que uma pessoa possa plasmar a idéia que tem de outra, viva ou morta. O fenômeno é o mesmo: ideoplasmia. Nada acrescenta que atribua os fenômenos a essa "outra pessoa" .

E quando não há fantasma nem sequer ecto-colo-plasmia, se compreende ainda mais facilmente que é também o psiquismo do médium que dirige outros fenômenos físicos.
Cícero Valério, "mestre" do espiritismo, pretende argumentar:

"No caso em apreço (caso katie King), havendo a materialização do perispírito ou duplo da médium, daí a semelhança com ela apresentada pelo fantasma, assim como também no caso da figura materializada de Iolanda, com a médium D'Esperance. Esse fenômeno vem reforçar a tese doutrinária da materialização (não existe a materialização propriamente dita) do espírito. Uma vez admitida a possibilidade da materialização do perispírito ou duplo do médium, com maior razão tem-se de admitir a possibilidade da materialização do espírito - perispírito - dos mortos, sendo inúmeros os casos deste gênero registrados por autores de reconhecida autoridade.

Na realidade cometem uma falha lógica flagrante. O médium pode plasmar seu "duplo". Mais ainda, pode plasmar a idéia que tem - ou adivinha - a respeito de qualquer pessoa viva ou morta. Mas não é o vivo nem o morto que aparecem: é a idéia que dele tem o médium. É o médium que plasma. Não são os espíritos dos mortos que se plasmam a si mesmos. Os médiuns são imprescindíveis. Os "inúmeros casos (...) registrados por autores de reconhecida autoridade", entre os cientistas são sempre casos de ideoplasmia. Entre os espíritas, ou são casos que vão contra a hipótese espírita, ou os autores caíram em flagrante erro lógico e de interpretação, "esquecendo" os médiuns.


Nas experiências de William Crookes, os espíritas acham que as telecinesias se deviam aos mortos. Mas a verdadeira explicação apareceu manifesta:

Crookes via a Sra. Fay, que estava atada na cadeira, ela mesma ao mesmo tempo a mais de dois metros de distância mexendo um livro.

Fergusson acompanhava os irmãos Davenport. Deixemos de lado os freqüentes truques, vulgares e fáceis, pelo intento de repetir os fenômenos nas contínuas excursões e exibições públicas.

Fergusson viu as mãos e braços, rostos e inclusive tórax dos irmãos Davenport que ele conhecia muito bem, movimentando objetos a mais de dois metros de distãncia dos próprios irmãos Davenport.

"Espírito Guia" é o inconsciente

Ochorowicz não via o "duplo" da médium Stanislawa Tomczyk.
Mas era o "duplo" da própria médium quem explicava como se tinham realizado as experiências - durante vários anos - de escotografia.

O "duplo" dizia que fora ele mesmo que realizava os fenômenos.
O "duplo" afirmava não só que se servia da matéria (ectoplasma) procedente da médium, mas também que era ele, o "duplo", quem dirigia as escotografias e que nestas fotografava seu próprio pensamento. Por exemplo a respeito de um dedal para aparecer na radiografia da mão da médium.

Foi o "duplo" que explicou que em determinada experiência em que o médium conscientemente pensava numa mãozinha, saíram, não obstante, na escotografia diversas imagens da lua porque a médium, no dia anterior, impressionara-se muito emotivamente pela visão da lua - testemunha o próprio Ochorowicz -, e esta emoção é que ficara gravada o "duplo" da médium.

E o que o "duplo" sentia, a médium também sentia. E vice-versa. "É natural - explica o 'duplo' - porque estamos unidos. Tanto que o mesmo pensamento sobre a lua que o "duplo" se atribui a si mesmo diz que era o pensamento e emoções da médium.

O "duplo" era o inconsciente, o próprio psiquismo da médium. Nestas experiências de Ochorowicz com Stanislawa Tomczyk tira-se do inconsciente a máscara ou prosopopéia tipo espírita. Em outros termos: "Espíritos guias", os espíritos de mortos, não são os que dirigem os fenômenos de efeitos físicos. É o inconsciente do próprio médium.

Análise por um poeta

O escritor inglês Wilson Colin interessou-se muito e escreveu muito acertadamente sobre parapsicologia. No aprazível verão na ilha de Maiorca, entrevistou vários poetas a respeito da maior tendência ou maiores manifestações do inconsciente entre eles. O poeta francês Louis Singer era "de um ceticismo cabal" a respeito da interpretação espírita, não a respeito dos fenômenos parapsicológicos, dos quais inclusive tivera experiências pessoais.
"Singer era um desses afortunados que possuem a faculdade característica dos poetas que lhes permite um relaxamento total (muito apto á intuição): ele fala na 'concentração em nada' e em permitir que a mente se aprofunde num estado passivo' (...). Pedi-lhe um relato de suas experiências e o resultado foi um extraordinário documento de quinze páginas".

Desse relato consta o episódio, que agora nos interessa:
Louis Singer, com intenção de pesquisa não só por grande curiosidade, ligara-se a um "círculo de desenvolvimento" da mediunidade espírita. "Eu fechava os olhos, esvaziava a mente, às vezes até cochilava; mas transe (no sentido de incorporação de um espírito), nunca!" O diretor do círculo, ainda assim lhe garantiu que adquiria "espíritos guias", um dos quais fora em vida um guru da Índia!

Um dia, estando a sós com uma amiga também do "círculo", Singer meio a sério, meio na brincadeira com a moça, que acreditava cegamente no espiritismo, disse: 'Observe, vou fazer o guru aparecer' . Ela aprovou com a cabeça, e eu fechei os olhos, num transe superficial. De repente, senti a barriga afundar-se até quase chegar nas costas. Passado um curto lapso de tempo, abri os olhos e vi que Maud olhava fixamente para o lado oposto aquele onde eu me achava. Fiquei aborrecido: 'O que está fazendo? - perguntei. Você concordou em me observar', 'Pois eu estava observando. Você saiu do corpo e estava sentado naquela outra cadeira'".

** Isto é, o guru indiano, o "espírito guia" que Singer desejava plasmar, era na realidade uma bilocação de si mesmo, o seu "duplo", o "outro eu", o inconsciente.

Pode haver muitos graus na divisão da personalidade. O consciente - "primus" - alguma rara vez fica como testemunha das ações do inconsciente - "secundus". A médium D'Esperance era um desses casos raros. Publicou "o que sente um médium quando os espíritos se materializam". Suas descrições são um perfeito desmascaramento da prosopopéia espírita. Estando D'Esperance sentada na sua cadeira de médium á vista dos experimentadores, em transe acordado, impossibilitada de qualquer movimento sentia durante as fantasmogênese com seu ectoplasma o inconsciente dirigia.

"Outra figura, pequena e delicada, aparece então, com os braços abertos. Uma pessoa se levanta na extremidade do círculo, aproximando-se, e os dois se abraçam. Ouvem-se gritos inarticulados: 'Ana!, Ana!, minha filha!, minha querida filha!' Uma outra pessoa levanta-se também e abraça a aparição. Sucedem-se logo soluços, exclamações misturadas com bençãos".

** Como se vê, as testemunhas tomaram a sério o disfarce ou prosopopéia espírita na ideoplastia do inconsciente de D'Esperance. Mas por detrás da máscara está o verdadeiro autor dos fantasmas, a própria D'Esperance:

"Sinto-me movimentando-me por aqui, por lá. Tudo fica escuro diante dos meus olhos. Sinto os braços de alguém abraçando-me, um coração, batendo junto ao meu peito (...) Ninguém está junto a mim (de 'primus', na cadeira). Ninguém presta atenção em mim. Olho fixamente aquela figura branca e delicada, nos braços de duas mulheres enternecidas... Há braços me rodeando. Senti como nunca o contato nitidamente. Começo a espantar-me. Quem sou eu? Sou a branca aparição, ou sou a que está sentada na cadeira? (...) Serei eu o fantasma, ou aquela, não como chamá-la, que está sentada na cadeira? Certamente os meus lábios foram beijados, o meu rosto estava todo molhado de lágrimas que correram abundantemente pelos rostos das duas boas mulheres (...) Acho-me em mortal angústia. Quanto tempo durará? Eu sou Ana? É eu?"

O fantasma mais freqüente realizado por D'Esperance disfarçava-se sob o nome de Yolanda. Parecia que provinha de longe, completamente diferente de D'Esperance, "primus".

Mas na realidade, interrogada pelo Dr. Aksakof, D'Esperance descreve:

"Quando ela me toca, a sensação é toda semelhante á que eu experimento tocando-me a mim mesma. Não sinto como se fosse uma parte dela; mas sinto, ao contrário, como se ela fosse parte de mim". "Quando Yolanda está fora e toca alguém ou alguém a toca, eu o sinto sempre (...) Quando ela agarra alguma coisa, sinto os meus músculos se contraírem, como se as minhas mãos houvessem agarrado esse objeto. Quando ela modelou a mão de parafina derretida experimentei uma sensação de queimadura".

Yolanda era de aparência completamente diferente de D'Esperance. Mas sendo Yolanda na realidade produto do ectoplasma e do inconsciente de D'Esperance; ou melhor, sendo Yolanda o próprio ectoplasma e inconsciente de D'Esperance, quando esta via Yolanda tinha a sensação interna de ver-se a si mesma. E essa era a verdade. D'Esperance expressa esta sensação incorretamente como se fosse só muito parecidas.

"Em Newcastle, eu a vi no meio do quarto quando a cortina se abriu e a luz caía em cheio sobre ela; vi-lhe então as espáduas e os braços, tão distintamente como se houvesse visto os de outra pessoa. Via a dama francesa (Yolanda), e percebia como se eu estivesse mirando-me num espelho, de tal modo ela se parecia comigo".


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