
O castelo de Edimburgo, que data do século XVI, tem fama de ser a “casa mal assombrada” (Poltergeist) mais notável de Escócia. E, em consequência, a própria Edimburgo é considerada a cidade mais aterrorizante de toda Europa.
Entre os modernos vigilantes e turistas do castelo há os que garantem que aparece um fantasma tocando gaita, que ouvem (psicofonia). Outro fantasma sem cabeça tocando tambor. Aparições de aliados franceses que lá foram aprisionados e executados na guerra de sete anos contra Inglaterra. Falam até de aparições aterrorizantes de um cachorro morto que fora enterrado lá no cemitério de animais.
E, claro, os escoceses sabem tirar proveito turístico com a mesma expertise que na lenda do monstro do lago Ness.
PSICANÁLISE DAS ASSOMBRAÇÕES
Inibição ou pelo contrário a confiança
É típico. As exceções são raríssimas e têm motivos especiais.

Sir William Fletcher Barret
Por exemplo Sir William Barret fazia constar que a primeira vez em que entrou na casa "mal assombrada" (poltergeist) pararam instantaneamente as pancadas (tiptologia) nas paredes, nos móveis, em todas as direções. Pararam os movimentos “espontâneos” (telecinesias). Pararam os casos como o de uma grossa pedra que caíra sobre a cama, após atravessar o teto (aporte).

Nos poltergeister é típico o aporte de objetos atravessando as paredes
Tudo ficou na mais perfeita paz. Mas logo que Sir William Barret saiu, os fenômenos voltaram com fúria concentrada. O mesmo aconteceu na segunda visita. Pouco a pouco, a presença ou ausência de Sir William Barret foram fazendo-se cada vez menos significativas. A psíquica acostumara-se a tais visitas e estas assim perderam importância.
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Fachada do prédio da SPR
em Londres |
SPR Biblioteca |
Que a presença do celebérrimo fundador da “SPR” (Society for Psychic Researcht) de Londres inibisse aquela jovem de 20 anos, física e psiquicamente retardada, de psicologia insegura, tímida..., é perfeitamente compreensível. Mas os espíritos dos mortos também se assustariam? Variaria o tipo de perispírito da jovem? As alegadas dificuldades que os sequazes do espiritismo apresentam, além de pressupor o que deveriam demonstrar, soam a manifesto subterfúgio. Seria até contradição. Portanto, quem dirige (telebulia) a telergia é o psiquismo do vivo.

Robert Tocquet no seu laboratório da “Faculdade Lavoisier”
Igualmente: Referindo-se ao ambiente desestimulante ou animador que rodeia o psíquico (nome dado à pessoa que manifesta fenômenos parapsicológicos), Robert Tocquet, com grande experiência e conhecimento, escrevia:
“É certo que nos círculos (...) espíritas ou semelhantes, as faculdades parapsicológicas individuais, latentes ou embrionárias, serão catalisadas e reforçadas pela vontade, desejos e crenças dos assistentes: assim, não é raro vê-las manifestar-se no começo timidamente para ampliar-se logo”.
“Em contrapartida, os metapsíquicos (assim chamados os primeiros especialistas) e os parapsicólogos (os especialistas modernos)(...) com sua atitude neutra, ou inclusive hostil com relação às crenças espiritóides que incontestavelmente são incitadoras dos fenômenos, não são aptos a criar o ambiente à eclosão e ao desenvolvimento das faculdades parapsicológicas (...) Assim, quando os médiuns saem das mãos dos espíritas para cair nas dos anti-espíritas, vêem suas faculdades debilitarem-se, às vezes inclusive desaparecem definitivamente (...)”Tudo isso significa que o elemento emotivo desempenha um papel essencial nos fenômenos parafísicos da mediunidade e que suprimi-lo pode implicar suprimir os fenômenos (...)”
“Isto é difícil de admitir se aplicado à explicação espírita, mas é lógico e natural admitindo-se a explicação parapsicológica" (dos vivos).
Igualmente o sentimento religioso

Evidentemente, se fosse o demônio ou mau espírito... gostaria dessa violência contra o “possesso” nos exorcismos dos pastores evangélicos, não fugiria dessa violência
Também típico: mesmo sem violência, os rituais de Exorcismos ou bênçãos do cristianismo, os defumações da umbanda, o doutrinamento do kardecismo, etc., todos fracassam, ou todos têm êxito. "A gosto do consumidor": depende da mentalidade do psíquico causador dos fenômenos.
No caso antes citado estudado por Sir William Barret, tudo terminou com a recitação de exorcismos pelo pastor anglicano, porque a jovem e sua família tinham profunda convicção da religião anglicana.
Definitivamente: tanto o êxito como o fracasso dos exorcismos, defumadores etc. são contra a interpretação espírita.
Na realidade, para "desassombrar" a casa basta afastar a mais de 50m. o psíquico responsável. (porque o alcance da exteriorização da energia física do psíquico vai diminuindo com a distância).
E só uma adequada terapia tem verdadeiro e duradouro êxito no psíquico (sempre é doentia a manifestação habitual e mesmo a esporádica de qualquer fenômeno parapsicológico).
Não são, pois, os espíritos ou os demônios etc., mas o inconsciente do vivo que dirige a telergia (a energia exteriorizada invisível) ou o ectoplasma (a energia exteriorizada visível) executoras de todos os fenômenos parafísicos.
E em geral toda emoção
Compreende-se perfeitamente que a emoção psicológica, mil fatores ambientais, influi a favor ou contra, no clímax necessário para a exteriorização de um fenômeno parapsicológico, destacadamente os fenômenos parafísicos.

Dr. Albert Freiherr von Schrenck-Notzing
De sua grande experiência o Dr. Schrenck-Notzing tirava esta conclusão: "Resumindo tudo, deduzo que a conexão entre o clima psicológico do círculo e o desempenho do médium não encerra dúvida. E afirmo, pelo contrário, que se torna suspeito o médium que para a manifestação energética não dependa do ambiente nem da mentalidade das pessoas presentes. Tratando-se realmente de fenômenos metapsíquicos, para realizar um fenômeno verdadeiro e positivo é necessário que exista uma relação psicológica harmoniosa e benévola entre o médium e os participantes. Mais, os fenômenos metapsíquicos não dependem só da vontade do médium e dos participantes, é necessária também a emoção”.

Os irmãos Willy (esquerda) e Rudy Schneider entre pesquisadores
Os fenômenos dependiam do som ritmado musical e do suave contato de uma mulher, no caso do médium Willy Schneider.

Dr. Eugène Osty
E a luz exercia muita influência em seu irmão Rudy Schneider. Nas 90 sessões dirigidas pelo muito prestigiado parapsicólogo Dr. Eugéne Osty, no “Instituto Metapsíquico Internacional” (“IMI”) de Paris, comprovou-se que as manifestações eram mais notáveis na escuridão absoluta. Mesmo com luz vermelha, ultravioleta ou infravermelha o fenômeno era inversamente proporcional à intensidade da luz. O motivo era um só: Rudi Schneider estava imbuído de preconceitos, sem fundamento, ocultistas e espíritas ("espíritos das trevas" e não "anjos de luz" no sincretismo espírita-cristão).
Muitos livros de ocultismo e espiritismo exigem plena castidade antes e durante a produção dos fenômenos. Pelo contrário, Eusápia Paladino conseguia melhores resultados quando previamente ficara bem satisfeita sexualmente. E com Willy Schneider os melhores fenômenos eram concomitantes à ejaculação seminal. Nos esposos Ambrose e Olga Worral com o casamento ele entrou em declínio, mas ela continuou e até cresceu na agressividade dos fenômenos. Nos satanistas de hoje, como nas bruxas de antanho, exigem-se orgias sexuais.

Eusápia Paladino levitando uma mesa entre controladores
Nesse contexto, certamente todos os que conhecem a biografia dela estarão lembrando a maior de todas as médiuns de fenômenos parafísicos: Eusápia Paladino. Durante quase toda a sua vida, excetuando os últimos anos, deu freqüentes mostras de histeria com fatores componentes precisamente eróticos, e seus primeiros fenômenos parafísicos surgiram ao redor da chegada da menstruação quando tinha quase 15 anos.
Claramente fatores incentivantes o inibitórios para o psiquismo do vivo, completamente irrelevantes para o espírito dos mortos. Portanto a direção (psicobulia) é do inconsciente do vivo .
Condicionamento e especialização
Entre os milhões de espíritos de mortos que nos estariam rodeando (segundo afirmam os “mestres” do espiritismo), seria facílimo encontrar muitos médiuns agindo simultaneamente cada um num fenômeno parafísico. Raramente, porém, coincidem nem sequer dois psíquicos ao mesmo tempo realizando algum fenômeno de efeito físico.
Reconhecido inclusive pela Micro-Parapsicologia de laboratório (a escola norte-americana).
Joseph Banks Rhine numa experiência com a queda de dados
O fundador da Micro-Parapsicologia, Dr. Rhine, observa: "Quando uma pessoa participou de experiências (de influxo sobre dados rolando) onde se pretendia alcançar números altos, se passar à experiência de números baixos, parece haver uma clara tendência a conseguir soma sete, que é de números intermediários. Isto apareceu em muitas experiências, e parece um efeito certo: o deslocamento para combinações mentais”.
Isso prova que os fenômenos parafísicos procedem inteiramente do vivo, não só a telergia ou ectoplasma, senão também a vontade diretora (psicobulia).
O papel da imaginação

Eva Carriére numa das suas típicas experiências
O papel de jornais. Truques inconscientes ou reais fenômenos parapsicológicos, o certo é que as figuras que Eva Carriére produzia nas experiências dirigidas pelo Dr. Albert Freiherr von Schrenck-Notzing e Sra. Juliette Alexandre Bissson, correspondiam às imagens que Eva Carriére tinha no seu inconsciente. Os rostos ectoplasmáticos nada tinham de espíritas. Eram claramente reproduções das ilustrações dos jornais.
Por exemplo, numa sessão em novembro reproduz a fotografia que o jornal "Le Miroir" publicara dez dias antes. Em sessão de 21 de abril reproduz a fotografia que aparecera em 6 de março. Esse mesmo rosto já aparece um tanto desfigurado na sessão de 2 de maio. Ia-se apagando da memória de Eva Carriére, que, mesmo assim, conserva as características mais destacáveis e que por isso mais se lhe gravaram na memória: gravata, verrugas...
Também desfigurada a figura da Gioconda... Mas evidentemente tenta reproduzir as fotografias publicadas então em todos os jornais, quando o genial quadro de Leonardo da Vinci acabava de ser roubado do “Museu do Louvre”.

Sra. Juliette Alexandre Bisson
O próprio tipo de ectoplasma que Eva Carriére emitia era uma imitação da argila pastosa utilizada por sua pesquisadora, Sra. Juliette A. Bisson, estatuária, nos seus trabalhos artísticos.
A médium Linda Gazzera numa das suas exibições
Chamo Linda Gazzera "passarela das 'misseis' do além”. Eram muito bonitas as figuras que ela plasmava (ecto-colo-plasmia. “Colon” significa “cortado, truncado”, diferente de fantasmogênese, que é de objeto ou corpo inteiros). Mas também nada tinham a ver com o "além". A beleza das criações de Gazzera correspondia ao seu gosto pelas obras de arte e à sua esmerada educação estética. Linda Gazzera era uma excelente pintora.

Dr. Charles Richet
Numa sessão controlada pelo Dr. Richet, Premio Nobel em Fisiologia e um notável pioneiro da Parapsicologia (que em então era chamada Metapsíquica), foi plasmada por Linda Gazzera uma preciosa cabeça de anjo.
Claro, não se referia a nenhum espírito de morto (nem a nenhum anjo, que nem têm nem tiveram corpo).

Detalhe do quadro “Martírio de São Livino”, de Rubens
Rubens em auto desenho
O que Linda Gazzera habia plasmado era imitação de um quadro de Petrus Paulus Rubens que poucos dias vira com manifestas mostras de admiração.

Daniel Dunglas Home num dos seus numerosos fenômenos
Sobre Home (o mais famoso dos se-dizentes médiuns) apareceu uma cabeça de um "espírito materializado", com moldura e tudo, num lenço de renda.

Adah Menken
Não sei se essa cabeça se parecia com a da poetisa Adah Menken quando viva. Mas certamente diferente quando morta, que Dunglas Home dizia estar incorporando (dizia “para impressionar”, palavras textuais quando anos depois afirmará que nunca acreditou no espiritismo), mas era certamente a reprodução exata de uma vinheta que estava no frontispício de um livro da poetisa.
Não se pode excluir certo pequeno influxo das faculdades de adivinhação. Mas é sumamente significativo o fato, comprovado, de que os teleplastas nunca reproduziram com exatidão a aparência de alguma pessoa ou algum outro objeto qualquer que lhes fossem normalmente plenamente desconhecidos.

Cesare Lombroso
Quando Lombroso reconheceu sua falecida mãe num dos raros fantasmas completos reproduzidos por Eusápia Paladino, foi por dois ou três traços característicos, mais do que pela perfeição da imitação.
Quando, porém, alguém reproduz o fantasma da própria mãe ou de outra pessoa muito conhecida, ou mesmo de um animal ou coisa antes freqüentemente observados, o fantasma pode ser de uma semelhança quase perfeita. Evidente prova da origem na imaginação e memória do vivo (ideoplasmia = idéia plasmada). Evidentes provas de que tudo é provocado pelos vivos, nada tendo a ver com a imaginação dos espíritos dos mortos.

Experiência com Katheleen Goligher
De que estaria cheia a imaginação de Katheleen Goligher, sempre em convívio com o Dr. William Jackson Crawford, entusiasta professor de mecânica na Universidade de Belfast (Irlanda do Norte). E como é evidente, as ectoplasmias do grupo Goligher em nada se pareciam às ectoplasmias modeladas por Eva Carriére ou Linda Gazzera. Com Goligher tudo eram hastes, alavancas... Não é a "mecânica do além", é imitação da mecânica do aquém.
A Psicopatologia
"Vá embora, homem". Numa casa em Rio Negro (Buenos Aires, Argentina). Quando a família voltou à casa, que ficara vazia naquela tarde, viram que umas penas de pavão, adorno num vaso sobre um aparador, estavam queimadas, e sobre a parede havia marcas de fogo.
Não deram muita importância ao fato, por isso não se pode precisar a data exata. Só sabemos que foi em 1974. Esquecê-lo-iam plenamente, se não se repetisse de modo bem mais grave a 17 de setembro. Voltavam também da rua, estiveram ausentes da casa durante três horas. Ao abrir a porta, veem tudo cheio de fumaça. A fumaça provinha do dormitório. O dono da casa correu para lá, encontrou fogo. Jogou um balde de água... Mas a fumaça era tanta que depois não encontrou a porta de saída do dormitório. Teve de quebrar os vidros da janela, quase asfixiado.
Entraram todos. O roupeiro continuava ardendo. Apagaram o fogo... E perceberam com grande surpresa que o fogo atingira e consumira só a parte do armário correspondente ao dono da casa, em nada atingindo as roupas e a parte do mesmo armário que correspondiam à esposa e ao bebê.
"Nossa mãe vivia com eles três. O susto e o desgosto foram tanto que certamente foi este o motivo da morte dela, que sofria do coração".
A família recorreu ao CLAP à procura de explicação. E não de solução. Nada havia que solucionar, pois os fatos haviam acontecido e terminado um ano antes. Para explicação, o CLAP remeteu suas publicações sobre pirogênese.
Por haver já terminado a pirogênese não era necessário, nem conveniente, dizer-lhes quem fora a psíquica que emitira a telergia. Para o leitor fica alguma dúvida? Foi a sogra que trouxera as penas de pavão; e morreu de desgosto pelos fatos... O marido perdeu toda sua roupa, inclusive vários documentos. Nada perdeu a esposa nem seu querido bebê.
O leitor também compreende que apesar de não haver ficado ninguém na casa, o fenômeno nas penas de pavão surge quando estão saindo. O fogo no guarda-roupa quando estão chegando. Como sempre a menos de 50m de distância... da esposa! O psiquismo assim manifestava seu desejo: "Vá embora, homem"

A pirogênese, entre os fenômenos parafísicos, é um dos mais freqüentes, e por isso mesmo, um dos melhor comprovados. No caso da foto anterior, a pesquisa durou mais de um mês, dia e noite, comprovando-se por numerosas testemunhas toda classe de fogaréus perto dessas duas jovenzinhas. E na longa pesquisa participaram amplamente (foto, a partir da esquerda) nada menos que Robert Amadou, um os melhores parapsicólogos modernos, por policiais, por um detetive. E apesar da oposição de Robert Amadou (que também é sacerdote), por ordem do bispo administraram os exorcismos....
E precisamente no meio dos exorcismos, pela ação inconsciente das jovens psíquicas surgiu outro fogaréu.
Ciúmes demais, espíritos de menos!
San Salvador (El Salvador), abril de 1978. O irmão Cecílio, marista, intrigado e alarmado recorre ao parapsicólogo Oscar López Guerra, colaborador e seguidor da "escola clapiana". Era um caso de pirogênese:
O dono da casa, Dr. Ernesto Lima, homem culto, advogado, está desesperado. Além de algumas telecinesias, o pior é que sucessiva, persistentemente, todos os nove colchões da casa foram sendo irreparavelmente danificados por fogos espontâneos (pirogênese). "É um fogo esquisito. Ardem os colchões, e os lençóis não se queimam"
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