Telergia
Como é sobejamente sabido, a Telergia é uma força física. Não age a mais de alguns metros de distância (para garantia ponhamos um máximo de 50 metros). Tem tempo: não pode atuar nem no passado nem no futuro. Tem obstáculos: não pode agir através de obstáculos muito espessos. Etc. Por exemplo numa casa “mal-assombrada” (assim as chamam os supersticiosos), afastemos a mais de 50 metros todas as pessoas, enchamos a casa de máquinas automáticas de filmar, de gravar... e todos os fenômenos acabam.
Mas poderia transportar-se juntamente com alguns objetos que ela tivesse impregnado? Isso afirmam muitos curandeiros. É o primeiro aspecto a estudar dentro do tema curandeiro agindo à distância.
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Está generalizada mundialmente a superstição de atribuir as doenças ao sobrenatural, inclusive absurdamente imaginário, inexistente. A sanguinária deusa (?) Kali, com quatro braços e muitos ajudantes, adornando-se com cabeças e braços de pessoas que já matou, e mostrando a língua em burla dos médicos que pretendem curar a vítima que ela está conculcando e enviando venenos (cobras). |
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Como já fazia o Dr. Luys, do Hospital St. Louis, em Paris. Colocava uma coroa “magnetizada” sobre a cabeça de um doente durante alguns minutos. Depois passava-a para a cabeça de um “médium passivo” (?). Se o paciente sofria de náuseas, o “médium” (?) sentia os mesmos sintomas. Se o doente era paralítico da perna direita, o “médium” (?) logo queixava-se de não poder mexer a perna direita. Etc. (Esta prática tem origem na superstição de acreditar que as doenças são “encostos” de deuses maus, de demônios, de maus espíritos (?) de mortos...
Assim o “médium” (?) possibilitaria ao médico o diagnóstico da doença no fígado, nos rins ou nos pulmões, um tumor cerebral ou uma insuficiência coronária, etc.
E após o diagnóstico por transplante, a “cura” por transplante...
Acreditar em tais diagnósticos e em tais “curas” é absoluto desconhecimento de Parapsicologia. Transplante de doenças ou transplante de sintomas não tem a menor base científica ou real. Alguma vez poderia ser adivinhação pelo “médium”, mas a adivinhação não é regular nem controlável. Essa atuação do “médium” é puro subjetivismo. Fiar-se desses diagnósticos e “curas” é absolutamente supersticioso.
Conseqüências místicas de um banquete macabro.
Na mais remota Antigüidade (e ainda algumas tribos primitivas) acreditavam que os guerreiros que comiam os miolos dos inimigos valentes, herdavam sua valentia.
Na realidade há um mínimo fundamento: os miolos estão em grande parte constituídos por lecitina e lipóides, substâncias que agem favoravelmente sobre a capacidade de trabalho e o rendimento muscular.
Paralelamente, o hábito de comer os miolos dos inimigos valentes ou dos animais ferozes se encaixa plenamente na mentalidade supersticiosa dos povos mesopotâmicos e do Egito primitivo, onde se originou toda a mentalidade mágica universal até hoje. Comendo-se os miolos ou o coração ou o fígado, etc. do vencido, o vencedor incorporaria em si à parte principal do “Ka” (!?) do morto e com isso as qualidades morais.
Através dos séculos, o Ka (?) foi tomando outros nomes, igualmente supersticiosos, como Corpo Astral (?), Duplo Etérico (?), Perispírito (?), etc.
Ora, entre o corpo e o espírito (alma humana) não existe “Ka”, nem “Duplo Etérico”, nem “Perispírito”... É absolutamente certo que é simplesmente um corpo-animado.
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Em Santa Fé, Califórnia, na primeira noite das celebrações do Dia do Trabalho, uma seita preparando-se para queimar a efígie da “Velha Mãe Triste”, aonde eles teriam “transferido” todas as doenças que ameaçariam os trabalhadores da seita. |
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Prática Supersticiosa.
Essa é a qualificação que se deve dar à prática com intenção terapêutica no Egito daquelas épocas antiquadas.
Posteriormente houve progresso com respeito à qualificação das doenças. Os egípcios, como os caldeus e em geral os povos mesopotâmicos, primitivamente identificavam as doenças com diversos conceitos análogos a “possessões demoníacas” (?).
Já nas últimas dinastias egípcias, e os outros povos, começaram a considerar as doenças como processos naturais. Mas na prática continuaram acreditando que podiam dominar as doenças e a saúde por “magia” (?). Começaram a usar elementos naturais como remédios, mas não atribuíam a essas substâncias naturais valor curativo suficiente em si mesmas, senão que os remédios tinham que ser reforçadas à distância com fórmulas e estranhas cerimônias de “magia” (?).
Os métodos “terapêuticos” incluíam a aplicação duma confusa mistura de raízes e entranhas de animais. Principalmente eram utilizados os órgãos genitais de animais sacrificados, pois os órgãos genitais adquiririam com o ritual um poder mágico de doadores de vida.
Com o emprego de raízes, folhas e substâncias animais, que empiricamente eles descobriram como mais eficazes junto com a “magia”, foi-se dando indeliberadamente ocasião a que com o tempo se descobrissem ás virtudes curativas de alguns elementos e se iniciasse a farmacopéia...
E pior hoje.
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O antigo ritual macabro de comer os inimigos derrotados mais valentes ou animais ferozes abatidos, foi substituído em cultos afro-brasileiros pela matança de galinhas e animais domésticos, cobrir-se com seus despojos e beber seu sangue. |
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A partir de Mesmer (1733-1815) os poderes atribuídos ao Ka (?) e equivalentes, foram substituídos pelo Magnetismo Animal (?) ou Fluído Magnético (?). Sem necessidade de banquetes macabros, dando passes ou impondo as mãos sobre uma pessoa ou sobre um objeto, supersticiosamente pensavam que misteriosos fluídos passariam a impregná-los.
Já vimos no artigo anterior, que no fundo dessas crendices do Magnetismo há muito pouco de verdade em quanto identificado com a Telergia, e que mesmo este pouco está impregnado de conceitos falsos. Aliás, a Telergia é irregular, espontânea, incontrolável...
Sendo falsa a “magnetização” de uma pessoa, com mais direito deve rejeitar-se, evidentemente, a pretensão de transportar do curandeiro ao paciente os pretendidos fluídos “curativos” servindo-se de objetos “magnetizados”.
Esta antiquada e supersticiosa elucubração, lamentavelmente muito difundida entre os curandeiros do Brasil, está sendo ressuscitada hoje na Itália por um ativo grupo de curandeiros e alguns que, para mais enganar, indevidamente chegam à petulância de autonomear-se “Parapsicólogos” (!?). Até pretendem legalizar este curandeirismo... (que tanto os enriquece).
A superstição de hoje, tanto ou mais irracional que a dos primitivos, paga qualquer quantia e desprende qualquer esforço parar “entesourar” objetos “magnetizados” pelo curandeiro de moda.