“Vimos agir desse modo um babalaô (chefe de “terreiro” ou centro de Espiritismo) da tribo Fang: Paulo Nsoh, um dos nossos catequistas, tinha contraído uma febre álgida (com sensação dolorosa de frio) chamada febre dos bosques e que é muito grave (poderia referir-se à cólera ou à malária, mas é fácil um erro de diagnóstico por parte do missionário). O quinino não adiantava. O babalaô mandou que o levassem embaixo de uma árvore de folhas grandes (precisamente aquela arvore concreta indicada detalhadamente pelo babalaô), executando em seguida os passes rituais; primeiro no doente e depois na árvore. Pouco depois as folhas ficaram pretas e caíram. Sudação abundante do doente. No dia seguinte ele estava curado” (Acreditava estar curado só por haver deixado de sentir a dor após essa “anestesia” sugestiva).
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Há várias fórmulas, assim em outros lugares em vez de com areia e em panela de barro, a “muginga” é feita com cerejas e em panela de madeira |
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Ora, os pajés, babalaôs, xamãs, curandeiros, etc., autênticos charlatães e megalomaníacos que são sempre, chegam a ser “profissionais” nos truques. Não podiam faltar os truques para as “curas” por magnetização, descarga ou transplante.
Tais curandeiros inúmeras vezes foram desmascarados por bons Parapsicólogos (repetimos mais uma vez: um bom Parapsicólogo deve ser profundo conhecedor de mágicas). Toda aquela pantomima do babalaô é muito fácil. Basta de antemão envenenar o animal ou a árvore (a árvore com bastante antecedência) com venenos de efeito progressivo. O trucador sabe bem o tempo em que começarão a surgir os maiores efeitos. A morte “mágica” (!?) do animal ou da árvore impressiona e sugestiona muito o paciente. Nada de real “transplante” da doença, de maus fluídos ou de espírito encostado...
A este respeito, não se sabe o que admirar mais: se a esperteza e sem-vergonhice dos curandeiros ou a ingênua e doentia credulidade dos pacientes e testemunhas. E mesmo de testemunhas categorizadas por outros motivos!
Herança sem truque.
A Umbanda brasileira, filha do feiticismo africano, herdou a mesma técnica do transplante para a árvore e animal, introduzindo algumas modificações. Também morre o animal, mas sem truque: matam-no. Pelo contrário, preserva-se a árvore com posteriores cuidados secretos...
No quarto do enfermo acha-se o babalaô com seus auxiliares, todos vestidos com os trajes (brancos) do ritual. O animal que vai para a “troca” está presente. O animal é coberto por um pano preto, passando-lhe antes “épo” (azeite de dendê). Riscam-se os pontos de “Omulu” (“orixá” ou divindade da morte e das pestes, representado por São Lázaro. Na realidade São Lázaro, irmão de Marta e Maria, amigo de Jesus, não era leproso. E Lázaro, o leproso, não existiu: foi personagem de uma parábola de Jesus). Acende-se parte da vela de cera virgem e parte da vela de sebo ou espermacete, cumprindo-se os preceitos necessários. Tira-se a roupa do doente e cantam-se os pontos próprios de “vumbi” (cerimônia fúnebre após a morte de um “babalaô”). Passa-se a “muginga” de pipoca (constitui outra cerimonia o preparar pipoca com areia em panela de barro nova) Passa-se depois o Épo pelo corpo do doente, cantando-se as fórmulas mágicas do ritual.
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A fenda na árvore com a oferenda a “Irico” fica tampada por outros pertences sem importância, e em baixo está enterrado o cadáver do animal |
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A roupa e os cabelos do doente são entregues a “Iroco” (orixá das árvores). Abre-se uma fenda em uma árvore determinada ou em sua raiz, e aí se colocam. Depois fecha-se a fenda. Isso é feito para que Iroco conceda saúde ao doente´. A vida do doente dependerá da vida da árvore.
Juntamente com outros objetos do doente, faz-se enterro do animal, com as cerimônias do vumbi. O doente fica escondido até que, no prazo de sete dias, se complete o ritual do vumbi.
Uma reflexão prática.
Não queremos deixar este tema dos transplantes de fluídos ou doenças, sem chamar a atenção, uma vez mais, para certos tipos de diagnose que lamentavelmente se introduziram em certos hipnotizadores.
O Dr. Charcot (1852-1893), como também seu mestre Dr. Liébeault (1823-1904) recorreram e induziram seus seguidores a diagnósticos às vezes meramente sugestivos, visando os sintomas sem focalizar diretame |