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| Os Demônios são contagiosos? |
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MAIS CONTÁGIOS. Idênticas considerações para outro caso que como o de Yllfurt, os supersticiosos defensores da teoria demoníaca apresentam como indiscutível possessão!
Século XX! Ao Sr. Cazzani, apavorado assistente dos exorcismos ministrados pelo padre Pier Paulo Veronezzi, a endemoninhada de Piacenza anunciou que morreria em três meses, vítima da sua vingança. Nada adiantou a consideração de que a vingança do demônio logicamente teria de ser contra o padre exorcista. Nada adiantou a consideração que expressamente se lhe fez de que o demônio é o pai da mentira. O Sr. Cazzani estava aterrorizado e apesar de desfrutar de excelente saúde, morreu repentinamente. O próprio cronista comenta lucidamente: “Provavelmente foi minado pelo terror da ameaça do mau espírito”.
Após a morte de Cazzani, outro dos ameaçados de morte, o bispo, adoeceu e logo depois morreu. Os médicos não encontraram “causa mortis”.
Um senhor mais sensato, durante os exorcismos, desafiou: “Se és um espírito, entra em mim”. Perante as assustadas testemunhas, não aconteceu nada. Mas anos depois, o desafiante adoeceu de tuberculose. Atribuíram a morte à “terrível vingança de Isabó” (o demônio). O exorcista, Pe. Pier Paolo Veronezzi, ficou impressionado e sempre com a cabeça cheia de demônios: “É a vingança do demônio”, repetia, e o terror não o abandonou mais. Tuberculose demoníaca! Perecem-se aos atuais pastores evangélicos, como a IURD (Igreja Universal do Reino de Deus) e tantas outras que, no mais degradante desprezo da Medicina e Parapsicologia, atribuem aos demônios todas as doenças e fenômenos parapsicológicos (Mas quando algum desses pastores está doente, vai ao médico, oculista etc.!)
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Após haver afirmado “Eu adoro eu”, porque estaria incorporando o Divino Espírito Santo, o pastor Josias ( e quantos outros pastores!) exige que os demônios se manifestem, antes de serem expulsos...E os endemoninhados vão se multiplicando |
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FLAGELANTES. Na época da bruxomania, houve verdadeiras epidemias de endemoninhados. Epidemia é o melhor termo para designar o extremo a que chegou o contágio psíquico de bruxaria em 1570 na Dinamarca, 1575-1590 em Lorena, 1625 na Alsácia, 1630 em Bamberg, 1632 em Wurzburgo...
Fizeram-se típicos os endemoninhados flagelantes. Reuniam-se em grupos de cem e viajavam de cidade em cidade proferindo alaridos e gritos estentóricos ao mesmo tempo em que se flagelavam. A explicação era dupla: seriam os próprios demônios que gritavam e que açoitavam suas vítimas; seriam os próprios endemoninhados que pretendiam com essa tortura expulsar os demônios.
A CIDADE INTEIRA. Numa só cidadezinha, Benevento, que contava então com somente 20 mil habitantes, De Blasio pôde enumerar uns 2.000 bruxos, dos quais 1.391 afirmavam ser capazes de provocar tempestades (“Ochiardi”); 339 usavam de práticas sanguinárias na sua magia, e todos empregavam gírias e gestos especiais. Se descontamos as crianças e profissões então incompatíveis com a prática da magia (como o clero, juizes, policiais etc), haveria que deduzir que quase a totalidade da população tinham pacto com Satanás.
CASO MUITO ESCLARECEDOR. Outro dos casos de endemoninhados mais célebres da história e, para alguns, “o mais esclarecedor de todos eles” foi o das freiras ursulinas de Loudun, perto de Poitiers, na França.
O aposto e bom-vivant padre Urbano Grandier, pároco da igreja de Saint-Pierre-du-Marché e cônego de Saint Croix, em Loudun, desejava para si o posto de capelão das freiras e do colégio anexo para meninas. Mas o capelão nomeado pelo bispo foi o padre. Mignon.
Tudo começou quando a superiora, Madre Joana dos Anjos, afirmou ao confessor que vira o espírito do padre Moussout, antigo capelão do convento (Para esta alucinação pode ter influído o tipo especial de centeio usado no convento para amassar o pão, como opina Aldoux Huxley). O confessor lhe induziu a idéia de que a visão fora obra e engano do demônio. Inicialmente a religiosa não acreditou. Surgiram outros fenômenos, que vamos chamar histéricos. Aplicaram-lhe os exorcismos.
A Madre Joana dos Anjos confessou nas suas memórias que seu ceticismo inicial veio, com o andamento dos exorcismos, a se transformar em convencimento e pavor por estar endemoninhada. Dizia estar possuída por sete demônios!
O contágio psíquico foi nesse caso manifesto e exuberante. Ficaram endemoninhadas as 17 freiras do convento. Proferiam gritos e uivos estridentes, corriam desenfredamente, tinham convulsões, realizavam acrobacias, adotavam posições desavergonhadas, provocantes, faziam gestos obscenos possuídas de preferência pelos demônios Asmodeu e Zabulão, blasfemavam contra a Religião e contra Deus. Por fim, esgotadas, mergulhavam em profundo sono.
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Mais um pastor iniciando a sessão de “descarrego”. E o contágio começa a cundir...
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Até então se opinava que o demônio nunca possuía ninguém se não lhe abria livremente a porta com o pacto. Os culpáveis eram enforcados. Mas durante os exorcismos, uma das endemoninhadas balbuciou o nome do Pe. Grandier. O Pe. Grandier acabou sendo acusado de “enviar o Diabo às freiras”. Em 18 de agosto de 1634, morreu queimado em praça pública.
A morte do Pe. Grandier não foi o fim, mas o ponto de partida de uma espantosa epidemia de possessões. O Jesuíta Jean Joseph Surin, então com 35 anos, foi enviado a administrar os exorcismos às freiras de Loudun após a morte do Pe. Grandier. Os fenômenos eram agora empolgantes. Foi uma luta pesada e longa. Durante três anos.
Após a morte do Pe. Grandier, vários dos principais personagens que interviram na sentença foram vítimas do demônio. Assim o padre Mignon e o cirurgião Mannoury, encarregados de procurar “as marcas do demônio”, ficaram endemoninhados.
Laubardemont, comissário real, que deu a ordem, em 30-11-1633, de encarcerar Grandier, “morreu misteriosamente” dezessete anos depois: apesar de tanto tempo transcorrido, sua morte foi atribuída ao demônio. Outro exorcista, o Pe. Lactance, franciscano recoleto, ficou louco e também “morreu misteriosamente” antes de terminar o mês (agosto) da morte de Grandier; suas últimas palavras foram: “Eu não fui responsável de tua morte”. O exorcista padre Tranquille, capuchinho, morreu também louco, cinco anos depois, num ataque convulsivo. Nisto com dúvida, se inspirou W. P. Blatty para apresentar três mortes similares na sua famosa novela e filme “O Exorcista”.
O Pe. Grandier protestou inocência até o último momento, na forca. É manifesto que o remorso e a dúvida de ter colaborado com a morte de um inocente contribuiu com a superstição demonológica, pois os juizes Remi e Bodin, que se vangloriavam de que mandar à fogueira um herege era uma obra de piedade, nada sofreram.
O Pe. Surin via-se atormentado de contínuo por Satanás. As lembranças macabras e terrificantes lhe excitavam demais a imaginação e debilitaram seu equilíbrio psíquico. Uma vez jogou-se por uma janela (é o que aplica ao padre Karras o romancista Blatty, em “O exorcista”) e quebrou uma perna. Seus colegas jesuítas o consideraram oficialmente “doente”, eufemismo de louco, e como tal o internaram no hospital de São Macário.
O grande parapsicólogo moderno, padre Jean Lhermitte, jesuíta, fornece o diagnóstico psiquiátrico: “A ‘possessão’ do Pe. Surin se traduziu através do quadro próprio da psicose alucinatória crônica, caracterizada por múltiplos fenômenos de automatismo mental, atualmente descrito sob a denominação de parafrenia e mesmo admitida como forma clínica de esquizofrenia”.
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Em plena TV. O pastor, com o Crucifixo na mão e em nome de São Jorge!, primeiro vai provocando dramáticas convulsões e desmaios. Depois virá o “descarrego”. E quantos telespectadores haverão sofrido contagio?
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ATÉ NAS CIDADES VIZINHAS. Muitos dos exorcismos das freiras endemoninhadas de Loudun foram realizados em praça pública. Em praça pública morreu o Pe. Grandier. Tal publicidade alastrou o contágio psíquico, primeiro pelo colégio adjacente ao convento, depois foi toda a cidade. O padre Barré, um dos primeiros exorcistas das freiras de Loudun, teve de percorrer todas as igrejas da cidade para ajudar seus colegas sacerdotes na tarefa de exorcizar tantas meninas e senhoras que se achavam possuídas pelo demônio. Apresentavam toda classe de fenômenos. E logo a epidemia se estendeu a outras cidades, concretamente a Chinon, para onde o Pe. Barré foi chamado a ajudar nos exorcismos de muitas mulheres.
REALIDADE HISTÓRICA.
Abramos um parêntese. Alguns escritores posteriores, céticos e anticatólicos, espalharam que tudo foi uma trama montada pelo cardeal Richelieu contra o livre-pensador e adversário político, Pe. Grandier.
Mais um absurdo dos céticos e livre pensadores! Os exorcistas, os milhares endemoninhados..., estavam todos de acordo com as freiras? Tal escapatória destruiria ótimas e documentadas fontes; os fatos, os fenômenos, o contágio não podem ser escamoteados, e nem os melhores comediantes podem fingir e montar tão alta trama.
O mais lamentável é que o absurdo foi repetido por historiadores do século XIX. E acaba de ser repetido agora pelo padre Cortés na tentativa, fácil demais, de livrar-se dos incômodos fenômenos parapsicológicos, que não sabe explicar, mas que compreende que não se devem ao demônio. Fechemos o parêntese.
O EXEMPLO ARRASTA. Sempre com uma base de repressão sexual e ciúmes, o caso de Loudun teve cópia idêntica nas freiras de Louviers, junto à igreja de Notre-Dame: dezoito freiras ficaram endemoninhadas sob a influência da irmã Madeleine Bavent. As multidões enchiam as igrejas, onde diversos padres não conseguiam dar conta de tantos exorcismos. Foi acusado o padre Boullé de haver lançado os demônios contra as freiras! E acabou na fogueira.
Outra cópia aconteceu em Marselha, com Madeleine Delmandox de la Palud.
O escândalo sexual – mas o culpado seria o demônio! – repete-se no convento de Aix-la-Provence, acusando-se mutuamente o confessor, padre Girard, e a religiosa Caterine Cadière.
Em todos esses casos, os exorcismos nos conventos estenderam o contágio demoníaco a todas as religiosas. Depois os exorcismos públicos contagiaram a aquela cidade e cidade vizinhas...
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