Dermografia
 

ATÉ PIEDOSO! Por exemplo, no caso da priora no famosíssimo caso das freiras “endemoninhadas de Loudun”. Durante a última sessão de exorcismos, a Madre Jeanne des Anges não tinha articulado nem uma palavra. Mas de repente ela lançou um grito dilacerante e, logo em seguida, pronunciou o nome José: todos viram um estigma de cor vermelha, recamado de grãos mais fortemente avermelhados, surgindo e percorrendo o antebraço da freira até formar a palavra José numa extensão de quase três centímetros. Quando todas as testemunhas, o Rei, a Rainha, o cardeal Duc, membros da corte observavam esse estigma, a piedade de “Satanás” acrescentou os nomes de Jesus, Maria e ainda o do fundador da congregação da “endemoninhada”, Francisco de Sales.

Perante o psiquiatra Dr. Moody, no braço de D. François Subiny foi aparecendo a dermografia ao tempo que ela referia toda traumatizada a violência com que amarraram seu filho...
ATÉ APÓSTOLO ENTUSIASTA, mais do que simplesmente piedoso, mostrou-se o “demônio” em Louveira, aqui no Estado de São Paulo. O Pe. Bosroger exorcizava aos gritos em nome de Jesus. Era Sexta-feira Santa. Precisamente às três da tarde, hora em que Jesus expirou. Nesse momento, o “demônio”, por cima da voz do exorcista, gritou: “Viva Jesus crucificado”, e a “endemoninhada” caiu por terra como se fosse um boneco de pano. Sobre o peito dela apareceu em vermelho e como queimadura um estigma em forma de uma cruz, e sobre ela as palavras “Viva Jesus”.

No caso que inspirou a Blatty para a novela e filme “O Exorcista”, durante os exorcismos, o “endemoninhado do Monte Rainier”, entre outros estigmas exibiu uma cruz no antebraço exterior direito. A cruz dermográfica ficou visível durante cinco minutos.


A imaginação de quem se considera possuído influi na pele. Mas não dá para admitir que o demônio desenhe a cruz de Cristo e sagrados nomes de santos.

Pode ser representativo o caso, real, que Blatty reproduziu no filme. “Help me” apareceu dermograficamente no epigástrio da “endemoninhada”. Mas não era o demônio que precisava de socorro, senão a “endemoninhada”!

Na sua dolorosa situação não podia falar pela tensão nervosa que lhe causava angina de glótis. Nem podia escrever: tinha as mãos atadas... E assim o emotivo pedido de socorro se expressou por dermografia.

ATÉ SANGRANDO. Hão-se encontrado abundantes casos. A imaginação vívida e carregada de emoção faz afluir sangue a determinadas áreas do corpo. Afluência de sangue, vasodilatação, vermelhidão, tumefação de células, rotura de tecidos... e suor de sangue. Freqüentemente acompanhado de aparecimento de desenhos, palavras...: estigmas por dermografia e exsudação hemática.

PROVOCADO EXPERIMENTALMENTE. Como o caso, bem conhecido em Parapsicologia, da Sra. Khal: em poucos segundos apareciam na pele do epigástrio, dos seios, das coxas ou dos antebraços as palavras que pensavam os parapsicólogos que pesquisavam no prestigioso I.M.I. (“Institut Métapsychique International”), de Paris.

Entre as dermografias apresentadas por Eleonora Zugun, destaco as arranhadelas no rosto correspondentes às que num filme, apresentado pelos experimentadores, viu Drácula fazer na sua vítima.

E tantos outros casos...

CAEM NO RIDÍCULO os demonófilos antigos, como os de hoje. Se a dermografia surge numa pessoa mais ou menos comum, é atribuída ao demônio. Surge numa pessoa considerada santa, Ana Catarina Enmerich,Teresa Neumann, Pe. Pio de Pietrelcina..., é atribuída a Deus. Qual a diferença?
Nas celebres experiências no I.M.I. com a Sra. Kahl, sob a direção do excelente parapsicólogo Dr. Eugéne Osty.

No santo é, sim, prova de muito amor a Deus. Na pessoa comum é resultado de pânico do demônio ou qualquer outra mentalidade muito emotiva. Mas em ambos casos, somatização.

Se atribuí-lo ao demônio é superstição, atribui-lo a Deus é blasfêmia: Deus nunca prejudicaria um organismo.

Se qualquer fenômeno comum é considerado milagre, estão considerando o milagre fenômeno comum. Se qualquer bobagem é milagre, estão considerando o milagre uma bobagem.


OUTROS ARGUMENTOS concretos de possessão demoníaca citados pelo Ritual Romano, não os estamos acrescentando nesta serie por serem fenômenos tratados em outros artigos que não hemos englobado na demonologia. Assim:

-- “Ignota língua loqui pluribus verbis” (“Falar línguas desconhecidas com muitas palavras” é a xenoglossia, nunca PN, Para-Normal, extrasensorial. Pode ser EN, Extra-Normal, sensorial. Ou então SN, Supra-Normal, milagre, bíblico ou católico, nunca em outras religiões nem em ambiente demonológico.

-- “Distantia vel occulta patefacere” (“Manifestar coisas distantes ou ocultas”) é HIP, Hiperesteisa Indireta do Pensamento, EN. É em outras casos PG, Psi-Gnose, PN (popularmente Telepatia). Ambas em certos casos são SN, bíblicos ou católicos, nunca em outras religiões nem em ambiente demonológico.

“ET, ID GENUS, ALIA”. Depois dos argumentos concretos, o Ritual Romano acrescenta: “Et, id genus, alia” (= “E outros fenômenos deste gênero”). Tão geral como impreciso. Os “demonófilos” aludiam e aludem às vezes à capacidade exagerada de comer (relacionado com a Bulimia), ou ao prolongado jejum (Inédia), etc., que também tratamos em outras séries.

Mas ficam ainda alguns fenômenos, enquadrados em “et, id genus, alia”, muito freqüentemente invocados pelos demonófilos. E o que veremos nos próximos artigos desta mesma série.
 
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