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Os fenômenos concretos apresentados pelo Ritual Romano como argumentos de possessão demoníaca, nada valem, como vimos em artigos anteriores. O Ritual Romano reproduz o erro dos cientistas antigos e da errada opinião secular.
À continuação, o Ritual Romano acrescenta: “E outros fenômenos deste gênero (teríamos que acrescentar: “parapsicológico”) que, quantos mais concorrem, maior argumento constituem”.
Entre estes fenômenos parapsicológicos destaca-se o feitiço.
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A LIGADURA. Não só a cultura oriental, também a cultura ocidental, desde suas origens, foi permeabilizada pela crença no feitiço ou trabalho... para o bem (magia branca) ou para o mal (magia negra). Para os cristãos secularmente, salvo honrosas exceções, a eficácia do feitiço é considerada obra dos demônios.
Oito séculos antes da era cristã, Homero conta que Ulisses, caçando com os filhos de Autólico, é ferido na perna por um javali. Seus companheiros fazem uma ligadura e um ensalmo, com o que se interrompeu o fluxo de sangue.
É necessário advertir, como demonstraram os especialistas Scheftelowitz e Pfister que o verbo grego déo, como o latino ligare, não têm o significado de atar ou ligar simplesmente, senão atar ou ligar com magia.
“As doenças e as feridas (escreve Pfister) costumavam se atribuir à ação de malignos demônios (dáimones = divindades inferiores), mesmo quando sua causa era manifesta. Tal era a crença geral. Por meio da ligadura se podia encadear essas divindades inferiores e se impedia sua ação. Deve-se assim entender esse “edesan” (passado do verbo déo) empregado por Homero: encadear magicamente os demônios, assim desatando sua ação. A ligadura se fazia com o encantamento (cantando) ou ensalmo (donde procede salmo e salmodiar: com relação à canção).
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A feiticeira sabe muito bem como se aproveitar da superstição reinante. Elegância própria do “culto sagrado”. Sobre o quadro astrológico duas cruzes de Caravaca. Bola de cristal. Amuleto no pescoço. E sobre o peito um Crucifixo porque se trata de espiritismo cristão (?!). A ligadura ou amarração da pessoa amada: sobre uma estatueta do “preto velho” da Quimbanda, a representação do coração. E se o amarrado não obedecer fielmente, morrerá assassinado...
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Não se nega, evidentemente, que a ferida de Ulisses tenha sido causada por um javali. Mas pela ferida entrariam os demônios. Estes seriam a causa das infeções e da morte. Com a ligadura se obriga a natureza. Obrigar vem de ob e ligare: atar por arte mágica.
Da mesma maneira que se poderia impedir a entrada dos daímones, e obrigar a doença a não agir (magia branca), também se poderia obrigar os demônios da doença e da morte a entrarem numa pessoa (magia negra). SUPERSTIÇÃO UNIVERSAL.
Esta mentalidade conservou-se ao longo dos séculos. Os “demonófilos” (Como também em outros artigos, chamo assim com toda ironia aos defensores da intervenção dos demônios no nosso mundo) argumentam: Se a Odisséia é uma novela, outros muitos casos de êxito do feitiço não o são. Nem se teria mantido a crença na feitiçaria, para o bem ou para o mal, se não apoiada em fatos.
A crença na feitiçaria é de todos os povos. Encontra-se em culturas tão independentes da cultura greco-romana como o são as dos povos primitivos da África, da China, da América... e se conserva até hoje.
NOS TEMPOS DE CRISTO. Na Palestina, assim como herdaram dos romanos a sua demonologia (Repito, referente a deuses de segunda categoria), também herdaram deles o conceito de ligadura por encantamentos ou ensalmos. |
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Nesse contexto cultural deve-se entender a nomenclatura utilizada por Jesus, por exemplo no caso referido no Evangelho de Lucas:
“Mulher estás livre de tua doença”. Protestou o chefe da sinagoga porque Jesus curara no Sábado. “O Senhor, replicou: “Hipócritas!, cada um de vós no Sábado não solta seu boi ou seu asno do estábulo para levá-lo a beber? E esta filha de Abraão, que Satanás prendeu há dezoito anos, não convinha soltá-la no dia de Sábado?” (Lc 13,10-17).
Seria impossível que os ouvintes de Jesus não tomassem todas essas expressões –libertar, soltar, prender– como linguagem da feitiçaria.
Seria, porém, descabido tirar da nomenclatura da época empregada por Cristo, uma confirmação doutrinal cristã da interpretação supersticiosa dos fatos de feitiçaria.
E A EFICACIA DOS FEITIÇOS? Nisso insistem, até hoje, respeitados teólogos. São “demonófilos” (lamentavelmente sem nada saber de Parapsicologia). Em 1720, recolhia o Pe. Del Rio: “O malefício é uma espécie de magia com a qual alguém prepara dano para outro, por intermédio do demônio”. Já bem avançado o século XX repetia o Pe. Noldin: “Arte de fazer mal a outros por ação do demônio”. Hoje para o Pe. Tanquerey: “A arte mágica se define como a faculdade de produzir com certeza e constantemente, empregando certos sinais, maravilhosos efeitos por obra do demônio”.
E muitos teólogos, na análise que fazem da época da bruxaria (aplicável ao Espiritismo, Macumba, Candomblé... de hoje, etc.), propagam o absurdo de que o feitiço, e a magia em geral, seria um autêntico “sacramento do Diabo”.
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Assim o Pe. Brognolo escreve: “Deus, seguindo sua própria bondade, dignou-se instituir alguns sinais sagrados, que chamamos sacramentos, para a salvação do gênero humano... A estes de tal maneira ele assiste, que quantas vezes são administrados, outras tantas conferem a graça...
Assim mesmo, êmulo dele, o demônio conjurado pela sua múltipla maldade quer, para promover a perdição do homem e subverter a salvação, instituir sinais sensíveis aos quais assiste sempre de tal maneira, que quantas vezes são empregados pelo feiticeiro, outras tantas se realiza o malefício”.
A mesma identidade defendem outros muitos “demonófilos”. |
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Acredita-se que os feiticeiros, pastores exorcistas etc. tem poderes, serás vítima fácil deles
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AS FREIRAS “ENDEMONINHADAS” DE LOUDUN. Nesse famoso caso, antes da execução, o Pe. Grandier foi torturado na presença do franciscano recoleto Pe. Lactance e do capuchinho Pe. Tranquille. Até lhe quebraram as pernas, foi numa padiola que o levaram à fogueira. Durante os tormentos o "bruxo" Pe. Grandier, dirigindo-se aos padres Lactance e Tranquille, lançou a grande maldição: "Morrerão antes de um mês”. E assim foi!.
A “ENDEMONINHADA” DE PIACENZA. O Ritual Romano manda que durante os exorcismos se pergunte ao endemoninhado se fez algum feitiço, que tipo de feitiço, onde está o material, etc.
E assim são característicos diálogos como este da famosa “endemoninhada” de Piacenza:
– “Em nome de Deus, quem és?
– Isabó.
– Que significa Isabó?...
– Significa estar de tal maneira ligado que não se possa mais desligar...
– Quando entraste neste corpo?...
– Em 1913, 23 de Abril, às 5 da tarde... em seguida aos esconjuros de um bruxo...
– Quando sairás?...
-- Como vou fazer, se enquanto tu trabalhas para que eu vá, outros estão trabalhando para que fique?”
A “endemoninhada” simplesmente tinha problemas psicológicos que somatizava: estava doente. De mão com a sua mentalidade mágica, desculpa-se como sendo vitima de ligaduras. Com isso sua imaginação faz ainda somatizar mais seus complexos: sua doença psicológica chega ao paroxismo, e descarrega a tenção com fenômenos parapsicológicos.
SUPERSTIÇÃO. Como frisamos sempre, é de lamentar que os teólogos, quando não sabem Parapsicologia, pretendam opinar sobre fatos misteriosos do nosso mundo. A Teologia não tem autoridade na Ciência de Observação. À Teologia corresponde analisar a doutrina sobrenatural, inobservável, revelada.
SUPERSTIÇÃO. Como frisamos sempre, é de lamentar que os teólogos, quando não sabem Parapsicologia, pretendam opinar sobre fatos misteriosos do nosso mundo. A Teologia não tem autoridade na Ciência de Observação. À Teologia corresponde analisar a doutrina sobrenatural, inobservável, revelada.
Assim o muito prestigiado Pe. Tanquerey garante: “Com dificuldade poderá negar-se que há alguns fatos mágicos, realizados por obra do demônio”. E pretendendo confirmar tal afirmação, acrescenta: “São narrados muitos casos semelhantes pelos escritores eclesiásticos (não faz mal que narrem casos, mas não lhes corresponde interpretá-los, sem Parapsicologia), e embora alguns sejam fantasiosos, não poucos são transmitidos por homens conspícuos pela doutrina e pela piedade (Não é com doutrina religiosa e piedade que se faz Ciência Experimental), que merecem confiança” (Como testemunho de veracidade histórica, sim; como valor na interpretação, é evidente que não).
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Em qualquer caminho na cidade, ou em qualquer caminho na roça, é facílimo encontrar todo tipo de mandingas para magia negra ou magia branca. E a superstição vai crescendo... E os exploradores sempre estão prontos para fazer contra-feitiços a preços tanto maiores quanto mais apavorada percebam que está vítima.
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E HERESIA. Na realidade o demônio “superstitit” (está de sobra. Donde procede a palavra superstição).
Pior ainda: aceitar o feitiço, tal como é interpretado, é heresia. E à luz da Parapsicologia, permito-me entrar numa discussão relacionada com a Teologia: A magia, ou pretensão de eficácia sobrenatural com técnicas naturais, está dogmaticamente condenada. Está definido que só existem sete Sacramentos, sinais sensíveis infalíveis da graça que significam. O próprio Pe. Tanquerey sentiu que seria heresia aceitar a existência do feitiço tal como ele mesmo o descreve. E por isso tenta escapulir-se com um subterfúgio evidentemente procedente do preconceito secular, lavagem cerebral, fanatismo... Alerta: A magia “entendida neste sentido, não deve admitir-se facilmente”.
- O absurdo continua: nem fácil nem dificilmente pode admitir-se. Não seria menos heresia simplesmente por admitir-se com dificuldade. A heresia está em considerar que os sinais mágicos, naturais, são eficazes para que intervenha o demônio, efeito sobrenatural, e precisamente de acordo com o que o sinal significa.
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