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Outros teólogos “demonófilos” querem fugir da heresia com a elucubração de que a eficácia não depende propriamente do feitiço, não é o feitiço que realiza o prodígio: “Os maravilhosos efeitos não são causados pelos sinais, senão só pelo poder do Diabo, por ocasião e em relação com os sinais”.
– Ridículo. Também nos Sacramentos não é propriamente o sinal, é Deus quem outorga a graça prometida que esses sinais significam.
Nem evitam a heresia afirmando que os “sacramentos do Diabo” não seriam infalíveis. Segundo o Pe. Van Noort –representando o ditame mais estendido entre os teólogos, ou melhor seria dizer “demonófilos”, contemporâneos– “nunca pode haver verdadeira certeza de que pondo-se o sinal seguirá o efeito, porque os demônios não são onipresentes nem oniscientes, de onde se lhes pode escapar o sinal; por outro lado, são mentirosos e malignos, pelo que talvez não cumpram as promessas; e além do mais nada podem fazer senão por permissão divina”. E o Pe. Brognolo: “Não são sinais certos e infalíveis, como são os Sacramentos, senão falsos e falazes, porque o demônio, invocado, nem sempre acode e muitas vezes ri do feiticeiro e não quer dar ouvidos àquele desejo, ou porque não pode, ou porque não se lhe permite, ou porque assim lhe aprouve”. E insistindo no mesmo subterfúgio, o Pe. Del Rio cai no ridículo de acrescentar um “sacramento do feiticeiro”: “Nem o demônio pode... realizar o feitiço se o feiticeiro não consentir no malefício”.
Simplesmente, como na realidade afirma a reta doutrina católica, a magia, o feitiço, é vã expectativa, falsidade, heresia. O demônio nada tem a ver com a eficácia do feitiço em determinadas circunstâncias: A ação e eficácia do feitiço é meramente natural, fenômeno parapsicológico natural, EN ou PN (Extra-Normal ou Para-Normal, conceitos e termos que suponho já conhecidos por tantos outros artigos), nunca SN (Supra-Normal).
ANTES DA PARAPSICOLOGIA. Inclusive um dos mais famosos ocultistas do século passado, Eliphas Levi, dedica seu Dogma e Ritual de Alta Magia a demonstrar que “as operações mágicas são o exercício de um poder natural, superior às forças ordinárias da natureza..., resultado de uma ciência e de um hábito que exaltam a vontade humana além de seus limites normais” (Bem descritas as forças parapsicológicas).
Mais ainda, estudos históricos recentes mostram que livres do preconceito da falsa Teologia (e muito pior dos bruxos, feiticeiros, espiritas, pais de santo etc. etc.), muitos cientistas do século XVII (que poderíamos denominar precursores da Parapsicologia) já consideravam natural a eficácia do feitiço. Assim Sanford Fox analisa o clima religioso, psicológico e cultural da Nova Inglaterra colonial e mostra que entre os melhores pensadores e sábios havia a certeza de que “o malefício, o mal, inclusive a morte produzidos por bruxos, eram conseguidos através da sua manipulação de forças naturais”. Além das forças conhecidas pela ciência oficial, eles sabiam que havia outras forças (as parapsicológicas), naturais, em todos os fatos chamados mágicos e concretamente no feitiço, que encontravam nas colônias.
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Se os feiticeiros tivessem algum poder... Sempre ganharia o time pelo que torcem. Mas acontece que pelo outro time também torcem macumbeiros, pais de santo etc. Sempre é o ambiente que sai perdendo e a verdade que é torcida, entortada.
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A EXPLICAÇÃO PELA PARAPSICOLOGIA.
Para a explicação científica do feitiço, sem dúvidas são suficientes as idéias gerais:
Não é propriamente feitiço o influxo sobre objetos materiais, plantas, animais pequenos (Isso é telecinesia, por telergia, que já vimos em outros artigos).
Com respeito ao homem adulto o feitiço não é efeito de cargas e impregnações negativas..., nem efeito de fluidos, emanações, magnetismo, perispírito..., nem ações de larvas astrais, elementares, exús..., nem de espíritos, demônios... E tantas outras bobagens da superstição.
O feitiço não é Subjugação Telepsíquica (Como a sigla que lhe corresponderia, ST, designa a Sugestão Telepática, foi adotada a sigla HP, tirada de Hipnose Paranormal).
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O feitiço é auto-sugestão, auto-hipnose. A vítima adivinha por PG (de Psi-Gnose, conhecimento extrasensorial, o que popularmente é designado com o termo geral de Telepatia), ou se inteira, ou imagina, que lhe fizeram um feitiço, e o pelo poder da mente sobre o próprio organismo sofre o que supersticiosamente espera do feitiço. Não depende de poderes do feiticeiro. Depende da impressionabilidade e superstição da vítima.
O psiquismo inconsciente tem, e em pessoas debilitadas na autodeterminação consciente pode manifestar, um poder despótico sobre a própria pessoa de que forma parte. Pelo feitiço, real ou imaginário, um supersticioso pode até morrer: “mata-se” psiquicamente.
As criancinhas captam, como por osmose, o estado de ânimo da mãe. Também os animais domésticos podem captar dos seus donos.
Os objetos representativos e a dramaticidade das ações do feiticeiro chamam mais a atenção da faculdade telepática do “enfeitiçado”. Servem também para estragar a saúde psíquica do próprio feiticeiro e dos seus colaboradores supersticiosos.
Se os feiticeiros tivessem algum poder, nenhuma bruxa haveria morrido às mãos da justiça, os negros nunca teriam sido escravos... E eu estaria morto há muito anos, pois continuamente desafio a todos os tipos de feiticeiros, a todos os médiuns e pais de santo do espiritismo, macumba, candomblé... Por favor, façam-me feitiços! (E conservo no museu do CLAP numerosos materiais de feitiços que me fazem). E continuamente peço aos pastores exorcistas, pois afirmam que os demônios lhes obedecem, que mandem sobre mim todos os demônios.
Bom, e a título de anedota mais muito verdadeira, se os feiticeiros tivessem algum poder, os jogos de futebol no Brasil terminariam sempre empatados. Ou não terminariam por falta de jogadores. O primeiro a cair seria o juiz. E o Corintians seria campeão mundial todos os anos...
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OS ZUMBIS. O Vudú, do Haiti, é uma espécie de espiritismo de origem africana, em parte semelhante ao Candomblé, à Macumba, à Umbanda brasileiras. Seus feiticeiros guardam rigorosamente o segredo de suas fórmulas e técnicas, transmitindo-as, quase no fim da vida, ao filho ou a um amigo de muita confiança.
O seu feitiço de morte é temido em todo o país e por pessoas estrangeiras influenciadas. Utilizam-se umas garrafas, fortemente atadas por fios, cordas e tiras de tecido, onde dizem guardar “espíritos maus” de pessoas mortas. Abrindo a garrafa... As garrafas são abertas em grandes rituais, com muitas mandingas, para lançar o malefício. O espírito mau e raivoso assim solto, mataria o enfeitiçado e ficaria com seu corpo. O morto-vivo (“revitalizado”) é chamado zumbi. Isto é o que os feiticeiros espalham e o povo acredita e teme.
Os médicos haviam dado o atestado de óbito. E realmente os “mortos” são depois vistos vivos. Mortos-vivos, zumbis. São autômatos, sem vontade própria, intelectualmente idiotas. Há um número muito grande de zumbis que trabalham como escravos em fazendas. O feiticeiro os aluga, mas continua cuidando deles. Os feiticeiros são os únicos que conhecem a técnica de tratar os zumbis.
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No Carnaval de Haiti pretendem minimizar os zumbis, mas quase toda a população vive aterrorizada pelo Vudú.
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O anterior presidente do Haiti, o “Papa Doc”, supersticioso, acreditava no poder dos feiticeiros, e fomentava a crença popular nos zumbis. Tinha alguns deles a seu serviço particular e até na guarda pessoal.
Todo mundo conhece o fenômeno. Mas quase a totalidade dos padres, para fugir da explicação, negavam os fatos! E perante casos concretos evidentes, como alhures diziam que era obra do demônio!
A VERDADEIRA EXPLICAÇÃO DOS ZUMBIS. A Parapsicologia tentou todo o possível para pesquisar, mas tudo era tão segredo... Assim durante vinte anos. Mas juntando e comparando muitos fragmentos de entrevistas a muitos feiticeiros (técnica usada em Parapsicologia em pesquisa de campo, para superar os segredos e reticências), em 1981 grande parte do segredo foi desvelado, por parapsicólogos médicos do Hospital Governamental do Haiti. A partir de 1983 as pesquisas foram incentivadas pelo então Presidente, filho do “Papa Doc”. E por fim descobriu-se a explicação dos zumbis. Entre os pesquisadores destaco o Dr. J. B. Romain, Diretor de Investigações de Ciências Humanas, da Universidade do Haiti. Tive amplas e repetidas entrevistas com ele.
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Famosa zumbi, Felícia Félix-Mentor. A polícia, a família e o médico encontraram-na 29 anos depois de enterrada. Estava nua e completamente idiota...
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Os feiticeiros fazem uma poção. Os parapsicólogos médicos identificaram quatro plantas usadas na poção: beladona, papoula, datura e, popularmente em francês, “bois enivré” (que podemos traduzir como madeira inebriada).
Sabe-se que na poção intervêm outras folhas e plantas, ainda não identificadas. Comprovaram o efeito das quatro plantas conhecidas em experiências de laboratório feitas com ratos e gatos: administrando injeções subcutâneas e intraperitoneais, conseguiu-se um estado comatoso de 3 horas e meia; depois pouco a pouco os animais começavam a reagir.
Administra-se-lhes outra dose da mistura e recuperaram-se plenamente.
O efeito alcançado pelos feiticeiros com a poção completa é bem superior: De alguma maneira conseguem que a vítima engula o preparado. Causa grande lentidão nas funções vitais até chegar a uma rigidez cadavérica. Morte aparente. Algum médico um tanto precipitadamente atesta o óbito. Enterro. Toda a família e amigos assistem.
Aquela noite os feiticeiros, amigos do guardião daquele cemitério, ou subornando-o, desenterram o “enfeitiçado”. O efeito negativo daquela poção dura mais ou menos 30 horas. Fazendo habilmente ingerir uma nova quantia da mesma poção, começam agora os efeitos positivos.
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O “morto” se recuperará totalmente. Mas fica autômato, trabalha sem parar até que lhe mandem descansar. Os zumbis são incapazes mesmo até de comer sozinhos sem uma voz de comando. Sempre que decaem, só os feiticeiros podem recuperá-los: na realidade descobriram que lhes administram sal. Simplesmente.
É de se lamentar o triste porvir dos zumbis. Depois de ficarem tanto tempo no túmulo quase sem respirar, isto lhes causa lesões cerebrais. E viver tanto tempo como autômatos origina grande disfunção psíquica. Morre, viaja ou se desinteressa o feiticeiro responsável, e eles são incapazes de sobreviver. Reeducá-los, reabilitá-los para a vida é impossível. Vão se apagando e morrem.
Está explicado o fenômeno mais misterioso da feitiçaria, que por puro desconhecimento os demonófilos, desde há séculos, atribuem aos demônios.
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