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O Ritual Romano propunha também como argumento (?) de possessão demoníaca “manifestar coisas distantes ou ocultas” (“Distantia vel occulta patefacere”).
Completamente ignorantes de Parapsicologia, inicialmente nem suspeitavam da possibilidade de explicação por HIP (Hiperestesia Indireta do Pensamento) e/ou por PG (Psico-Gnose, percepção extrasensorial), ambas faculdades popularmente simplificadas sob o nome telepatia. Faculdades que nos ocupam em outros artigos.
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Mas logo, os demonófilos (amigos do demônio, assim os chamamos com toda ironia), refletindo sobre o fato de tantas adivinhações em todas as épocas e em todos os povos, perante tantos casos de telepatia, inclusive em pessoas piedosas e mesmo santas, esse falso argumento passou a ser substituído ou limitou-se à Hierognose (etimologicamente, conhecimento de coisas sagradas): Reagir violentamente perante o crucifixo ou o Evangelho... escondidos; saber distinguir entre água benta e água comum; diferenciar um objeto consagrado de outro que não o está, etc. A hierognose foi muito usada na época da bruxaria para distinguir os verdadeiros (?) e os falsos possessos. E até hoje os demonófilos continuam considerando a hierognose como argumento irrefutável (?!) de possessão.
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O charlatão “Professor Edward” diz adivinhar tudo... E se gaba de que é por revelação dos mais perniciosos espíritos de mortos. Para os demonófilos tratar-se-ia de revelação demoníaca. |
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UMA AUTORIDADE DE ONTEM.
No fim do século XIX, o espiritismo e suas mesas girantes invadiram o mundo. Mons. Louis Eugène Marie Bautain, um sábio sacerdote, doutor em Teologia, doutor em Medicina, doutor em Direito, grande autoridade científica na França, vigário-geral do Arcebispado de Paris, repete o “argumento” da hierognose. Provavelmente foi o primeiro sacerdote a esgrimir a hierognose contra o espiritismo: as mesas girantes seriam movidas pelos demônios (?!).
“Vi mesas girarem sob a aplicação de mão humana, sem nenhum esforço muscular da parte do operador, e mesmo contra a sua vontade firme de abortar as experiências... Ouvi-as falar à sua maneira. Esses fatos se reproduzem todos os dias... Vi, ouvi, toquei, apalpei e me assegurei, por todos os meios possíveis, de que ali não havia nem fraude nem ilusão”.
“Ora, há ali fenômenos de pensamento, de inteligência, de razão, de vontade, de liberdade quando as mesas recusam responder... E às causas disso os filósofos sempre chamaram espíritos ou almas... Mas que espíritos? É indubitável em primeiro lugar que esses espíritos vêem e sabem de coisas que ignoramos e que não podemos ver... Os espíritos em questão percebem, portanto, mais e mais longe que nós...”
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E a hierognose é o grande argumento de Mons. Bautain para recorrer aos demônios: “Segundo o que vi, respondo com certeza que não se trata de espíritos bons, isto é, ministros da vontade e da palavra de Deus. Basta uma prova para mim, decisiva: eles recusam responder claramente no que se refere a Nosso Senhor Jesus Cristo. Quando se pretende obrigá-los nesse ponto insistindo com palavra imperiosa, as mesas resistem, se insurgem, se agitam, algumas vezes caem e se jogam ao chão escapando das mãos dos que as tocam... Vi esses fatos várias vezes. E um dia vi uma cesta, assim animada, torcer-se como uma serpente e fugir rasteiramente da presença de um livro dos Evangelhos que se lhe aproximava sem nada dizer”.
-- Inicialmente, dois erros graves aparecem neste raciocínio tão freqüente nos demonófilos, seguidores de Mons. Moutin:
1) Como não sabem explicar os fatos, já crêem que, por isso, têm de ser do além. E mesmo que a Parapsicologia não soubesse explicar tais fatos, na realidade simplórios e quase comuns, é ilícito o recurso ao sobrenatural. Não basta não se saber explicar uma coisa; isso é, simplesmente, prova de desconhecimento. É preciso demonstrar que claramente supera toda possibilidade de explicação natural.
2) “As causas disso os filósofos sempre chamaram espíritos”. É que os demonófilos não sabem da existência dos espíritos dos vivos?
Alem disso, se o conhecimento de outras coisas ocultas não constitui prova suficiente, é porque pode ter explicação natural. Assim destrui-se qualquer valor da hierognose: Reagir violentamente perante um livro “desconhecido”, pode depender simplesmente de haver adivinhado que se tratava dos Evangelhos, ou do Ritual Romano dos exorcismos... e o histérico procede de acordo com o esperado pelos demonófilos. E a mesma explicação quando os exorcistas sabem se tal água é benta ou não. Etc.
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Fracassou a hierognose da presença do “santo” Pe. Lima e seu crucifixo escondido. Fracassaram os exorcismos solenes e públicos. Mas o famoso exorcista em Angola não pode fracassar: com beliscões e tapas o “demônio” tem que fugir...
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E quanto ao movimento das mesas girantes, igualmente Mons. Moutin e seguidores nem suspeitam da possibilidade da explicação por paracinesia (= movimentos de objetos por contato suficiente das mãos dos participantes, embora esse movimento seja transmitido inconsciente e automaticamente), ou por telecinesia (= movimentos de objetos por contato insuficiente ou, mais característico, sem contato, a menos de 50 metros de distância. Também estas faculdades nos ocupam em outros artigos, mas agora sigamos concretizados ao tema da hierognose.
E DUAS AUTORIDADES DE HOJE. É manifesta prova de preconceito emotivo, lavagem cerebral, o proceder dos demonófilos, em outras situações muito sensatos e sábios. Obcecam-se em atribuir aos demônios, singelos casos de adivinhação no campo da hierognose.
Assim o Pe. Rodewyk, jesuíta alemão, famoso teólogo mas também totalmente ignorante de Parapsicologia, recomenda que “se administrem os exorcismos em voz imperceptível. Assim só o demônio escutará o que se diz, e por tratar-se de orações, reagirá com insultos, blasfêmias (Coprolalia) e ações semelhantes”.
E nada menos que o excelente parapsicólogo, o dominicano Pe. Reginald-Omez, escorrega ridiculamente quando se trata de demonologia. “Numa sessão à qual eu assistia como observador, para ilustrar as pessoas que tinham se deixado arrastar a ela com a esperança de conversar com seus defuntos (superstição clara e sabiamente refutada pelo sábio parapsicólogo), pudemos constatar durante uma predição que interessava a uma delas, um deter-se subitamente com a desaparição imediata do suposto defunto quando eu, sem deixar aparecer nada exteriormente, invoquei a Santíssima Virgem, pondo minha mão sobre a medalha milagrosa que levava escondida sobre o peito, rogando-lhe que desmascarasse o espírito do mal. A médium saiu do transe e declarou em seguida: ‘Não entendo o que me aconteceu, vi tudo cheio de medalhas e ele foi embora’”.
– É claro que o Pe. Reginald-Omez não atribui a predição (por PG precognitiva) nem ao demônio nem aos espíritos dos mortos. Mas aquele ambiente de espiritismo tinha certeza que se devia ao demônio! Nem suspeitou que mais fácil é que o médium adivinhasse (por HIP) sua singela estratagema. E até é maior erro, e mais pernicioso, substituir os espíritos dos mortos pelo demônio.
HOJE EM ROMA. O Pe. Corrado Balducci dedica longas páginas do seu livro a defender a realidade dos fenômenos parapsicológicos, e concretamente os de Hiperestesia (Direta e Indireta: HD e HIP), os de Percepção Extra-Sensorial (ESP ou PG) e a Psicometria (quando em presença ou em contato com um objeto se adivinham coisas a ele relacionadas: o objeto é uma espécie de pergunta implícita)... Não obstante, contraditoriamente (sem dúvidas mais um caso de mania localizada), considera a hierognose como argumento de possessão demoníaca.
-- Essa contradição é até ridícula... Onde o Pe. Balducci encontra que se
pode adivinhar qualquer coisa, a condição de que não seja de tipo hierognose? Absurdo. Puro preconceito... E apresenta vários casos:
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Hoje, muitas seitas pentecostais quase só fazem exorcismos. Sai um “demônio”, e chegam dezenas deles, por contágio histérico... A coitadinha da menina certamente, quando crescer, estará “endemoninhad
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MARGHERITA SERAO. Em maio de 1957, então com 33 anos de idade, sofre a primeira de suas crises. Vinha de vários dias de depressão e cansaço. Entrou em sono profundo (por auto-hipnotismo) e dormindo ficou durante dois dias. Quando acordou gritava estentoreamente, contorcia-se como uma serpente ferida, espumava pela boca... E recitava em perfeito italiano (não no seu dialeto habitual) trechos da Divina Comédia e dos exorcismos do Ritual Romano.
– Mas qualquer italiano ouviu recitarem-se trechos da Divina Comédia. O inconsciente nada esquece (Pantomnésia). Parece inclusive que haver assistido a exorcismos aplicados a outras pessoas foi o detonador para o surgimento da sua própria demonopatia. Os habitantes de Casal di Príncipe comentavam que Margherita estava possuída pelo demônio. O marido esgrime o crucifixo contra o rosto de Margherita: “Olha, escuta, essa não é tua voz, é a do diabo (Ecolalia: a voz soa diferente). Que este Crucifixo mande o diabo embora”. Com isso a crise chegou ao paroxismo.
Acudiram a sacerdotes, curandeiros, médiuns, ocultistas... Tudo inútil.
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Os médicos diagnosticaram “crises histero-epilépticas” e recomendaram interná-la num sanatório. Mas não foram obedecidos, porque alguns padres e o povo teimavam em considerá-la endemoninhada.
O motivo principal foi a hierognose. O pároco da cidade vizinha, Capesenna, pediu ao marido que, em presença de todos, lhe oferecesse duas balas, primeiro uma, depois outra. Margherita estava num período de calma. Chupou lentamente uma bala. Mas quando pôs na boca a segunda bala, cuspiu-a imediatamente e entrou em violenta crise. Convenceu a todos: a segunda bala havia sido molhada em água benta!
Em outra oportunidade, dois jovens, amigos da família, Alfredo Pellegrino e Vicenzo Piccole, foram visitar Margherita. Mas de acordo com o pároco de Capesenna, Pe. Salvatore Vitale, famoso exorcista procurado de contínuo por multidão de “endemoninhados”, um dos jovens levava bem oculta entre as vestes uma garrafa de água benta da igreja paroquial. Os dois entraram. Cada um por seu turno. Entrou o primeiro; nada aconteceu. Entrou o segundo, com a garrafa oculta, e Margherita gritou, contorceu-se, grave crise.
Então o Pe. Vitale exclamou: “Negar a existência do Diabo é o mesmo que negar a existência de Deus”.
-- E após tão disparatada e fanática premissa, a conclusão cheia de ignorância:
“Só o Diabo pode saber que havia lá água benta, que ele odeia. Portanto, Margherita está endemoninhada”.
-- Ora, simples resposta à expectativa das testemunhas, adivinhada por HIP, o mais vulgar e freqüente dos fenômenos parapsicológicos!
O bispo de Avelsa, D. Antonio Teutonico, autorizou ao próprio Pe. Vitale administrar os exorcismos solenes e públicos. Margherita, porém, continuou sendo visitada pelo “demônio” a cada dois anos e a “visita” dura longo tempo. Margherita só sabe que “todos os anos, durante períodos mais ou menos compridos, fica doente e depois de cada crise, completamente exausta”.
-- Total inutilidade dos exorcismos ou, mais bem, prejudicial sugestão confirmativa da superstição
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Exploração. E horroroso ambiente criado pelas seitas de exorcistas: as possessões seriam tão freqüentes e tão comuns...
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OS EXORCISMOS PELO PE. ALMIGNANA: “Uma menina de 13 anos, hipnotizada pela mãe em minha casa, conversava com extraterrestres. Assustado com o que se passava à minha vista, na dúvida que me oprimia de ser ou não o demônio o agente daqueles fenômenos, tomei meu crucifixo e apresentando-o à lúcida, esconjurei-a pelo Santo Nome de Jesus. E sabeis o que fez a sonâmbula? Em vez de repelir a imagem do Crucificado, tomou-o, levou-o respeitosamente aos lábios e adorou-o, para maior edificação minha e de sua mãe”.
– Tudo raiando no absurdo. Assim nos inteiraríamos com certeza (!?) de que em outros planetas Cristo também foi crucificado e é conhecido, respeitado e adorado A hierognose serviria para diferenciar os demônios dos extraterrestres (!?). Na realidade essa era a reação que se esperava de uma menina impressionada e doentiamente sugestionada por tanta lenda de OVNIs e Ets...
NOTA: Em próximos artigos analisaremos outros argumentos apresentados para defender a possessão demoníaca.
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