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Às religiões corresponde escutar,
com a palavra a Parapsicologia |
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TEMPLO ENDEMONINHADO?
Em maio de 1981, a agência de notícias científicas “National Enquirer” (Pesquisador Nacional) espalhava pelo mundo os acontecimentos na Igreja de Saint Mark, em Cheyene, EUA. “Figuras envoltas em sombras aparecem e desaparecem no ar (Fantasmogênese em Parapsicologia); imensos sinos soam sozinhos e um órgão começa a tocar repentinamente (telecinesia); misteriosos passos percorrem o teto (Tiptologia).
Perante esses estranhos fatos que não pode negar (é a solução mais cômoda de muitos cientistas estabelecidos: “sábios muito limitados”), o Reverendo Eugene Tood –continua o “National Enquirer”- não teve dúvidas de que a igreja estava infestada por demônios e espíritos maus”. Por quê? Porque “não consigo achar nenhuma explicação racional”.
Então, não explique!
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ISSO SÓ PROVA DESCONHECIMENTO. Argumenta o parapsicólogo e teólogo Herbert Haag: “De nada serve exclamar pateticamente que vemos todos os dias, com nossos próprios olhos, e padecemos em nós mesmos, a ação do Diabo. Não se pode aduzir a experiência como meio de prova em Teologia. Nem todos os teólogos têm compreendido claramente este ponto, quando tratam de demonstrar a existência do Diabo com argumentos empíricos ou com argumentos filosóficos”. Os “argumentos empíricos”, os fatos, antes devem ser retamente analisados pela ciência. Os “argumentos filosóficos” devem surgir apoiando-se nos fatos cientificamente analisados.
O magnífico teólogo (e muito interessado pela Parapsicologia) padre Karl Rahner, jesuíta, reconhece que temas como “a sutil corporeidade dos diabos, sua ciência e poder, a possessão demoníaca, as bruxas, a feitiçaria, a adivinhação etc.” não passam do estágio de “teologúmena” (disquisições de teólogos), “porque não existe um autêntico ponto de partida teológico para sua solução”.
Esta é a posição verdadeiramente religiosa. A Teologia, a Religião é em relação com a Doutrina sobrenatural, revelada. Qualquer afirmação sobre o tema demonologia deve partir do campo da ciência, “da história da Salvação” (como afirma a excelente coleção Mysterium Salutis), “da ciência experimental” (como afirma o grande teólogo Darlapp), da “história da humanidade” (teólogo Shierse), etc., etc. Isto é, da Parapsicologia por tratar-se de fenômenos incomuns. Lamentavelmente muitos teólogos, a maior parte, ainda não “se enterraram”. Há, sim, grandes teólogos que são também grandes cientistas, especialmente em temas relacionadas com a Bíblia ou a Religião em geral. Inclusive, e precisamente por seu interesse para a Religião, os melhores parapsicólogos são padres.
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“Vemos todos os dias... a ação do Diabo”. Rito secreto no Candomblé pretendendo incorporar os espíritos da sexualidade. Quando descobriram o fotógrafo, oculto, quase o lincham. E o prenderam... Uma hora mais tarde tudo era desenfreada orgia sexual. E as “possessas” ofereciam seus encantos provocativos ao fotógrafo, Mimmo Cattarinich. ch.
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SÁBIOS MUITO LIMITADOS. Após a colocação daquela premissa, “teologúmena”, Rahner acertadamente frisa que a Parapsicologia “topa com o ceticismo de homens guiados pelo empirismo das ciências naturais”.
Homens formados na repetibilidade e regularidade dos fenômenos físico-químicos facilmente são levados a acreditar que tudo aquilo que não é regular e repetível não é válido.
Isso é uma deformação profissional. O verdadeiro cientista deve encarar a realidade como é, não como alguns cientistas do puramente material gostariam que fosse. Não é científico acomodar a realidade ao método de estudo em que eles se habituaram, senão que o científico é acomodar o método de estudo às exigências da realidade.
ERRADO RESPEITO À TEOLOGIA. Além da deformação pela ciência materialista, muitos médicos, físicos, psicólogos e outros cientistas não entraram na pesquisa dos fenômenos parapsicológicos, que realmente a eles pertencem, por terem-se acovardado perante um pretenso respeito à Religião.
O teólogo e parapsicólogo padre Jean Lhermitte observa: Um médico, psicólogo etc. com conhecimentos de Parapsicologia “como é que pode estar à altura de julgar estados cujo conteúdo aparentemente lhe ultrapassam? Pelo fato de o médico (etc.) qualificado (inclusive no campo da Parapsicologia, no incomum) possuir luzes sobre a patologia humana, das quais o teólogo (o exorcista, o padre, o pastor, o agente de pastoral...), enquanto tais, são desprovidos”.
É verdade histórica que o recurso à Religião paralisou as pesquisas científicas sobre os fatos parapsicológicos. Erro da ciência ao marginalizar esses fatos incomuns, irrepetíveis à vontade... Erro da religião ao assumi-los para si.
Como também é incabível com fatos observáveis argumentar no campo da fé, das verdades sobrenaturais, inobserváveis...
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“Espetáculo da Loucura Humana”, fragmento de um quadro de Augusto Barthelemy Glaise. Representa a doutrina defendida numa Encíclica! (de Gregório IX, Papa de 1227 a 1241), a respeito do Sabbat das bruxas
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NA ÉPOCA DA BRUXARIA. Essa indevida mistura de planos era de praxe na época da bruxaria, mas ainda hoje ressoa entre muitos teólogos, pastores evangélicos e toda classe de seitas.
Um monge italiano, frei Francesco Maria Guazzo (Guaccius), muito considerado na sua época, escrevia em 1608 num livro pelo que se orientavam os inquisidores: “É claro como a luz do dia que os demônios transportam as bruxas em carne e osso ao Sabbat, pelos ares (...) Os que afirmam que tudo isso não é verdade, senão que é sonho ou ilusão, certamente pecam por irreverência à nossa mãe, a Igreja (...) Portanto, ou a Igreja está no erro, ou o estão os que mantêm a crença contrária”.
Respondo. Argumentação completamente errada. Não se trata de doutrinas, inobserváveis, sobrenaturais, da fé, senão de fatos do nosso mundo. Trata-se de saber se tais fatos são históricos e analisar os fatos à procura das suas causas. Neste tema a Igreja, a Teologia, a Pastoral, as Religiões e seitas devem seguir o ditame da Ciência, da Parapsicologia.
Uma das petições mais fundamentais do Concílio Vaticano II, especialmente na constituição “Gaudium et spes” (Alegria e esperança), é a recomendação do diálogo constante com a ciência. Os líderes religiosos precisam da colaboração daqueles que “sejam ou não crentes, conhecem a fundo as diversas instituições e disciplinas. Os mais recentes estudos e as novas descobertas das ciências (...) suscitam problemas novos, que trazem consigo conseqüências práticas e inclusive reclamam novas pesquisas teológicas (...) Há que reconhecer e empregar suficientemente no trabalho pastoral (...) os descobrimentos das ciências profanas, especialmente em psicologia e em sociologia, levando assim os fiéis a uma mais pura e madura vida de fé”.
E A AUTORIDADE DA IGREJA? Não é incumbência da Bíblia, nem de Cristo, nem dos Apóstolos, nem da Igreja, nem do Papa... corrigir os erros científicos das diversas épocas em que escreveram ou pregaram o “Reino de Deus”. Usaram a cultura, ou lendas e erros científicos da época como instrumento de linguagem para transmitir a Revelação.
Entrar no campo da ciência foi o erro que a Igreja cometeu, por exemplo, contra as afirmações astronômicas de Galileu. “Na Bíblia se afirma (...) que Josué parou o Sol!”. Portanto, é o sol que gira ao redor da Terra, a Terra não se move. “Eppure si muove”: tinha razão Galileu Galilei.
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Galileu Galilei perante o Santo Oficio. Mas tinha razão Galileu.
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O papa João Paulo II, em 28 de outubro de 1980, reabilitou Galileu e reconheceu que a Igreja saiu do seu campo. Não se pode invocar em ciência a Doutrina revelada.
E no dia 16 de novembro de 1980, todos os jornais comunicavam que João Paulo II, ao visitar a Alemanha, no seu primeiro discurso, no aeroporto, diante das autoridades, pediu perdão aos cientistas pelos erros cometidos pela Igreja quando, apoiada na Bíblia e na Teologia, pronunciou-se como se fosse mestra suprema também na interpretação de fatos observáveis do nosso mundo.
No pedir perdão, evidentemente deve-se incluir o propósito de emenda... Esperamos que na interpretação dos fenômenos parapsicológicos não teimem alguns teólogos em não escutar e contrariar a Parapsicologia...
Entre os católicos, só no fim do século XIX e começo do XX o frei dominicano Réginald Garrigou-Lagrange, fundador da “École Biblique” de Jerusalém, começou a servir-se da ciência na interpretação da Bíblia. Concretamente dos diversos gêneros literários E foi duramente combatido. Durante todo um decênio, o padre Lagrange caiu em desgraça junto ao Vaticano. Mas por fim, o método não só foi reconhecido, senão proclamado obrigatório por Pio XII.
O Concílio Vaticano II não só acenou para os gêneros literários, como também claramente frisou a necessidade de levar em conta outros ramos da ciência, quantos possam interessar para melhor compreensão da realidade que aparece na Bíblia ou que, de alguma maneira, se relaciona com a fé. “Entre outras coisas há que atender aos gêneros literários (...) ou a outras formas de falar. Convém, também, que o intérprete pesquise o sentido (...) em cada circunstância, segundo a condição do seu tempo e de sua cultura”.
Repito mais uma vez: A Bíblia não são livros de Ciência humana, ou concretamente de Parapsicologia. Ensinam Doutrina sobrenatural, inobservável, servindo-se como instrumento de linguagem, da cultura (mesmo erros e lendas) das diversas épocas em que foi escrita.
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