Às religiões corresponde escutar,
com a palavra a Parapsicologia
 

E A AUTORIDADE DE CRISTO?
Jesus Cristo, alem de ser Deus, era também realmente homem. Jesus, como Deus não podia morrer, mas morreu como homem; teve fome, teve sede, teve pavor e tédio até o suor de sangue... como homem. E “Jesus crescia em estatura e em sabedoria” (Lc 2,52): é claro que quando perguntava o fazia com sinceridade porque, como homem, não sabia.

Pode-se afirmar com segurança que Cristo, como homem, tinha desconhecimento científico e concretamente de Parapsicologia. Encomiasticamente destaca o Dr. Allan W. Watts (Membro da “Academia Americana de Estudos Orientais”): “Entre os quatro Evangelhos canônicos e os evangelhos apócrifos há uma enorme diferença, é que nos primeiros Jesus é sempre um homem, enquanto que nos últimos sua condição humana se perde na divindade. Seu conhecimento humano não atingia o onisciência divina. Era limitado. Era impossível para ele saber, por exemplo, que Moisés não escrevera o Pentateuco”.

Em várias passagens evangélicas Jesus aparece dentro da mentalidade cultural daquele tempo. Assim, por exemplo, ele aparece aceitando que a Terra é plana (Mt 24,27; Mc13,27) e centro do universo (Mt 24,29; Mc 13,24s.); que o sol nasce ou se levanta (Mt 5,45); que o grão de trigo morre após semeado (Jo 12,24); que a semente da mostarda é a menor das sementes da Terra (Mc 4,31), mas que quando semeada, cresce até converter-se na mais alta das árvores (Mc 4,32) (alguns biblistas em vez de “árvores” traduzem por “hortaliças”, com o que a contraposição perderia sentido, além de que não abrigaria as aves!: Mc 4,32b).

Se na interpretação dos outros fatos Jesus se mantém dentro dos conceitos judaicos do mundo, por que haveria de se afastar de tais conceitos na interpretação dos fenômenos chamados demoníacos? Aos satanistas, umbandistas... e demais médiuns que se acham incorporados por demônios ou maus espíritos, Cristo os trataria como possessos pelo demônio...

Na Umbanda, Macumba, Candomblé etc. quando não podem sacrificar crianças, sacrificam animais.


Portanto, em questões científicas, não há como invocar a autoridade de Cristo. Não se pode responsabilizar a Cristo pelos erros científicos da sua época. Responsável é a incultura. Responsáveis –sem culpa, por ignorância– foram toda classe de teólogos e pastores que pretenderam aplicar a Bíblia à interpretação de fatos.

RELACIONADO, NÃO RELIGIOSO. Muitos teólogos e pastores afirmam que a Parapsicologia não tem condições de explicar a ação demoníaca, porque é um tema religioso.

Respondo: Meros preconceitos herdados, sem reflexão. Permito-me negar com todo convencimento. Devo repetir até a saciedade, porque é muito importante: São fatos do nosso mundo. Relacionado, sim, mesmo que só fosse pela opinião, errada secular, mas não tema propriamente religioso.

Mesmo que a Parapsicologia não soubesse explicar esses fatos, não bastaria tal desconhecimento para por isso considerá-los tema religioso. Como fatos históricos e observáveis, embora incomuns, do nosso mundo e relacionados com o homem, continuariam a ser tema de pesquisa pela Parapsicologia. Para atribuí-los ao demônio não bastaria não saber explicá-los, haveria que demonstrar que de fato foi por poder demoníaco.

É claro, interessa à Teologia, como todos os fenômenos parapsicológicos, mesmo que só fosse porque sempre foram interpretados como coisas do além: demônios, mortos, exus, orixás, fadas, musas, larvas astrais... Mas tais opiniões seculares deveriam haver sido demonstradas...

O teólogo e grande parapsicólogo jesuíta, padre José De Tonquedec argumenta: Não tratamos do “sobrenatural essencial (...), o sobrenatural propriamente dito (...) totalmente inacessível à ciência”. A suposta possessão demoníaca, ou qualquer outro acontecimento supostamente do demônio é, no máximo, “sobrenatural modal”: apresenta sinais de valor comprovatório que devem ser estudados antes de atribuir o fato ao sobrenatural.

É lúcida a advertência de João Batista Van Helmont (1577-1644), o mais importante discípulo de Paracelso. Contra o padre jesuíta que queria reservar à Teologia o diagnóstico da intervenção demoníaca, Van Helmont lembrou que “os teólogos devem ocupar-se das coisas sobrenaturais, e os naturalistas das coisas da natureza”. A verificação histórica dos fatos demoníacos e a verificação de toda e qualquer hipótese explicativa pertence “aos filhos da natureza”. O teólogo, o exorcista, os pastor evangélico... não pode invocar a autoridade da Religião. A Ciência, isto é a Parapsicologia por tratar-se de fenômenos incomuns, está no seu próprio campo.

Sexualidade e sacrifícios de animais (ou de pessoas!) vai junto em todo tipo de Satanismo ou “incorporações” de espíritos...

NECESSIDADE DA PARAPSICOLOGIA. Com toda evidência são falhos livros de demonologia como o recente” do jesuíta padre Juan B. Cortés, ou como o já clássico do padre Corrado Balducci. O Pe. Cortés en su “Proceso a las posesiones y exorcismos”, sua tese doutoral em Teologia, dedica longos capítulos à Psicologia, à Psiquiatria..., nem uma única vez nomeia a Parapsicologia! Por sua parte, Monsenhor Balducci no seu “Gli Indemoniati” (traduzido a várias línguas, em espanhol com o subtítulo: “O Diabo (...) existe e se puede reconocer lo”, recomenda, sim, a assistência do cientista junto ao exorcista, mas acrescenta: “Pretendemos evidentemente falar do médico e do psiquiatra, não do parapsicólogo pela raridade de se encontrarem tais cientistas”.

Completamente absurdo. A raridade de parapsicólogos não é desculpa. Se não encontra bons parapsicólogos, então não queira julgar, assim deixa sem explicação os principais fatos em que pretende apoiar sua tese. Sem Parapsicologia não pode objetivamente analisar as adivinhações (Psi-Gamma: Telepatia, Precognição etc.), movimentos de objetos sem contato (Telecinesia), falar em línguas desconhecidas (Xenoglossia ou só Glossolalia), e tantos outros fenômenos parapsicológicos, destacadamente a feitiçaria (Subjugação Telepsíquica) e erotismo desencadeado, que se tomam como argumentos principais –ou únicos– de pretensas possessões demoníacas ou intervenções do Diabo.

AINDA NÃO EXPLICADOS?
D. Zaehringer afirma acertadamente que da Teologia nada se pode tirar a respeito de demonologia. Reconhece: Impõe-se estudar os fenômenos parapsicológicos, isto é, “os processos em que atuam certas forças desconhecidas (...) ainda não explicáveis com os métodos científico-psicológicos e nos quais se produzem, não poucas vezes, estranhos efeitos: feitiçaria, magia, predição, espiritismo etc.” Mas acha o famoso teólogo que “os resultados da pesquisa moderna não são motivo suficiente para negar o influxo do demônio em todos os fenômenos ocultos”. Assim pretende que a existência dos demônios se fundamenta na “experiência de sua atividade”.

O raciocínio certamente está errado, e desprestigia a respeitada coleção “Mysterium Salutis” (Mistério da Salvação). Se reconhece que não há base teológica, o fato de a Parapsicologia não saber “ainda explicar os fatos” (supondo!!) não autorizaria deduzir que é o demônio. Se não pertence à Teologia e não se sabe explicar parapsicologicamente, não se explique! Como freqüentemente se afirma e todos deveriam reconhecer: “Por mais estranha e extraordinária que pareça uma hipótese natural, não deve ser omitida nem desprezada, pois cem vezes mais estranha e extraordinária seria uma intervenção extranatural”.

A Parapsicologia de hoje explica os fenômenos tradicionalmente atribuídos ao Diabo? É o que devemos ver em outros artigos...
 
...