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| A Volta de Satã |
VOLTA SATÃ. “Satan Returns”, tal a chamada de capa no “Time”. Só grandes personagens conseguem ser capa de tão prestigioso jornal! Desta vez aparece a figura do Diabo sob forma de um monstro encapuzado. Embaixo da figura puseram: “The occult revival” (= A revitalização do Ocultismo). No miolo da revista apresenta-se farto material fotográfico e informações sobre o culto satânico.
O mundo contemporâneo, sociedade de consumo, civilização baseada na técnica, na máquina, no materialismo..., é uma organização desumana. A pessoa é um número. Gera-se o vazio, o desespero, a alienação. No âmbito humanitário-cultural- religioso, a cada dia se aprofunda e estende esse abismo do materialismo, desagregador da personalidade. Em conseqüência e como válvula de escape, facilita-se a mentalidade mágica e supersticiosa. Sentencia um dos títulos do “TIME”: “Uma onda de fascínio pelo ocultismo apoderou-se da nação”. E do mundo.... |
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É impossível calcular o número de bruxos, cultores da magia e adoradores de Satã... nos Estados Unidos. Há poucos anos, os policiais de plantão noturno no 7º Distrito de Nova Iorque, a cada chamada telefônica rapidamente apostavam sobre se o chamado era ou não denúncia de bruxaria. A poucas quadras de lá morava a família Unsworth, que afirmava que seu filho de 6 anos, Adrião, era aliado escolhido por Satanás. A mãe do menino organizava, com grande número de participantes, ritos satânicos que alvoroçavam toda a vizinhança. Duas de cada três denúncias noturnas naquele distrito eram com referência à família Unsworth.
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As ocorrências serviram para que a polícia nova-iorquina pusesse em dia seus fichários sobre bruxaria. O resultado do levantamento mostrou que num semestre as denúncias de crimes no Satanismo chegavam a 50 mil em Nova Iorque. Nessa cidade, num ano, surgiram mais cem mil adoradores de Belzebú.
O número de bruxos profissionais em 1970 nos EUA, calculava Georges Demaix, ultrapassava 40.000. Em 1972, “cultores de bruxaria” eram calculados em nada menos que 10 milhões. Número que segue alarmantemente crescendo.
CONTRASTE. Na atualidade, a demonologia costuma apresentar o atrativo do contraste. Ao mesmo tempo excitante e calmante. Fétido e aromático. Mau e bom. Possivelmente o romanticismo do século XIX tenha constituído a base desse aspecto novo, o contraste, que se juntou à demonologia moderna.
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Milton exaltou a figura tradicional do Diabo: rebelde, indomável, valente, belo, majestático; apesar de derrotado, conservou sua dignidade: não se deixou aniquilar por Deus, age e domina como rei deste mundo.
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Foi Charles Baudelaire quem converteu em poesia o culto a Satã. “Les Fleurs du Mal” afirma que há flores, há beleza, há poesia no mal. Pelo contrário, como expõe no seu “Hino à Beleza” no bom e belo encerra-se algo de infernal. Tensão existencial. Espírito e matéria. O Diabo não é o mal plenamente. Consola e ajuda os que abandonaram a fé autêntica e se envolveram em todo classe de seitas, até com sincretismo contraditório. Baudelaire critica a pretendida ou assim chamada civilização cristã, sem negar os seus valores. Baudelaire não blasfema, não nega o bem. Encontra-o também no chamado mal, como encontra mal no chamado bem.
Outros dois grandes elogios literários do Satanismo são os hinos “Ad Arimane” de Leopardi e “A Satana” de Carducci.
Surge assim a apologia do mal. Satanás transfigurou-se no senhor dos libertinos, dos assassinos...e especialmente desses exploradores que se fazem super-ricos. Satão é Invocado, real ou metaforicamente, por milhões de pessoas, Satanás os ajudará e neles manifestará seu poder. O poder da magia, do ocultismo, da feitiçaria, do espiritismo...
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CULTO SATÂNICO. O ritual típico dos cultos satânicos é descrito assim por um caminhoneiro:
“Foi em fins de 1973. Levaram-me a uma casa fora da cidade. Havia um enorme salão na penumbra. Eu, então, costumava sair com uma moça que gostava dessas coisas, e fui parar lá com ela. De repente abriu-se um amplo cortinado, felpudo, preto. Apareceu outro quadro com um altar em que estava deitada, boca para cima, uma jovem completamente nua. Atrás dela, em pé, um homem magro, alto, com o rosto coberto por um capuz vermelho onde destacava uma cruz preta invertida. Não havia música nem nada. Fez-se silêncio total.
Éramos uns 20. Ninguém se atrevia a falar. O magro, espécie de sacerdote, começou a recitar grande número de frases em latim, absolutamente incompreensíveis para nós, enquanto que passava e repassava suas mãos sobre o corpo da moça, procurando excitar a platéia.
De repente, no paroxismo da excitação, tirou de um bolso uma Hóstia já enegrecida e a partiu dizendo com voz voluptuosa: ‘Satanás! Ah, Satanás! Nosso mestre, nosso mestre amado e venerado!’ Finalmente tomou um líquido vermelho (depois me inteirei de que era sangue de galinha sacrificada um par de horas antes) e o derramou (de novo bem voluptuosamente, para excitar a platéia) sobre a região genital da jovem, que começou a se retorcer de uma maneira muito esquisita, excitando sexualmente.
Então senti um perfume meio doce, como de incenso ou algo parecido, e não pude perceber muito mais porque a moça que estava comigo se lançou a beijar-me apaixonadamente. Todos descambaram numa orgia asquerosa”. |
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