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Até as pedras estariam com espírito humano e de animal. A esquerda se vislumbra o rosto de um homem. No meio "O cão sentado" e na frente do cão, embaixo, se vislumbra um
macaco. Em Nova Friburgo (RJ).
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É o próprio homem.
Orquídea Brava, uma chinesa residente nos Estados Unidos, teria travado uma desproporcionada luta para defender-se de um fantasma monstruoso, enorme, com três braços. A filha de Orquídea Brava escreveu, num livro bastante divulgado, as memórias da sua mãe na luta com os monstros do além.
Aquele fantasma era um entre inúmeros fantasmas aterradores nos quais a tradição chinesa acredita. É freqüente que vejam os espíritos dos mortos masculinos, com crista de galo; e os femininos com corpo de galo gigante e só a cabeça de mulher.
Para Orquídea Brava, como para multidão de chineses, os fantasmas terrificantes, "fantasmas do muro", monstros, são reais.
Qualquer pessoa, que não se tenha intelectualmente deformado nessa herança de séculos de superstição, compreende que tudo é simplesmente imaginação ou, em último caso, com base nos fenômenos parapsicológicos.
-- Da China e dos Estados Unidos pulamos para a África. Os lunda, os luvale, os ndembu de Zâmbia e muitos outros povos africanos explicam esses espíritos aterradores.
A população vive aterrada pelos feiticeiros -dizem os antropólogos-. É inútil evitar um feiticeiro, porque há muitíssimos. Pensam que os feiticeiros contam com a amizade de poderosos espíritos, capazes de causar doenças e mesmo matar quando e a quem o feiticeiro quiser; podem também curar, conceder riquezas... Se o feiticeiro não pedir morte para alguém, o espírito pode matar o próprio feiticeiro, porque precisa de sangue.
Mas se livrarmos essas crenças da ganga da superstição, veremos a verdade: "esses espíritos familiares são criados pelos feiticeiros a partir do sangue das suas vítimas". Deixemos de lado vítimas e sangue. "São criados pelos feiticeiros": São uma projeção da imaginação humana. É o próprio homem. Para o bem ou para o mal. Tanto os espíritos bons como os espíritos maus.
O Teosofismo concorda. . H. P. Blavatski começa por referir-se aos íncubos e súcubos da mentalidade medieval. São "evocados das regiões invisíveis pela paixão e a concupiscência humanas". Identifica-os com espíritos sensuais e obscenos (como a "Pomba-Gira", por exemplo, na Umbanda) que certos médiuns pensam incorporar.
"Na realidade são 'gules', 'vampiros', elementos sem alma, centros informes de vida, desprovidos de sentido. Numa palavra: protoplasmas subjetivos quando os deixam tranqüilos, mas que atuam como seres inteligentes e maus quando evocados pela criadora e enfermiça imaginação de um mago ou de uma bruxa".--
-- O Teosofismo é drasticamente contra a interpretação espírita.
"Pergunta: não acreditais no espiritismo?"
"Teósofo: se por espiritismo entendeis a explicação que os espíritas dão de alguns fenômenos incomuns, declaramos decididamente que neste caso não. Afirmam que (...) são produzidos pelos espíritos dos mortos (...), que voltam à Terra, segundo dizem, para se comunicar (...). Rejeitamos completamente esse ponto. Afirmamos que os espíritos dos mortos não podem voltar à Terra. (...). Nem se comunicam com os homens. Casos raros e excepcionais (são interpretados) de modo inteiramente subjetivo".
O verdadeiro sentido do termo subjetivo é: originado e existente no interior da pessoa, isto é, não provém de fora nem existe fora da invencionice humana.
Com respeito à "alta revelação", que HPB diz haver recebido, é evidente que há uma grande contradição.
Como vimos afirma que recebeu toda a doutrina por revelação de espíritos tibetanos, os mahatmas.
Mas agora também afirma categoricamente que a comunicação dos espíritos é subjetiva. Não pode, portanto, ser objetiva e menos ter toda a freqüência que seria necessária para que HPB pudesse receber a abundantíssima, repetitiva e enfadonha doutrina do Teosofismo.
Também o Ocultismo contra o Espiritismo. Aquela mais ou menos velada descrição dos "gules" ou "elementos sem alma", "centros informes" etc. corresponde aos "elementares", "cascões", "larvas" etc. do "mundo astral", segundo várias correntes do Ocultismo.
O "grande mestre" dos ocultistas, Papus, garantia: "Aquilo que o espírita chama um espírito, o ocultista chama um elementar, uma casca astral".
Os elementares "flutuam ao redor da Terra no mundo invisível, enquanto os princípios superiores (o homem, o espírito principalmente) evoluem em outro plano (...). Não é o espírito que vem a uma sessão, é o elementar da pessoa evocada, isto é algo que o defunto não possui, senão os (baixos) instintos e a memória das coisas terrestres".
"O ocultismo -acrescenta Papus- admite como absolutamente reais todos os fenômenos do espiritismo. Mas (...) os atribui a uma multidão de outras influências em ação no mundo invisível".
"O ser humano cinde-se em vários elementos depois da morte, e aquilo que se comunica (ou que se capta nas sessões espíritas) não é o ser todo inteiro (nem o espírito do morto), senão um resto do ser, uma casca astral". O que acontece é que "a ciência oculta é demasiado difícil para ser compreendida e demasiado complicada para os leitores habituais dos livros espíritas".
-- Mais recentemente as mesmas idéias foram esposadas por certas personalidades que chegaram a fazer-se famosas. Podemos chamá-las neo-ocultistas ou neo-hermetistas, ou aprendizes de magos em busca de se tornar super-homens: destacadamente Gurdjeff e Kremmerrz.
&& Partem da premissa errada, positivista, de que não seria possível a sobrevivência do espírito e da consciência pessoal:
-- Após a morte, pairariam no ar unicamente alguns elementos do composto humano, resíduos e conglomerados, muito diferentes do espírito, a alma humana individual. Esses "cascões astrais" é que seriam evocados pelos magos e pelos espíritas de todos os níveis. Essas "larvas" é que se reencarnariam.
"Se os espíritas soubessem realmente quem são os seres que obedecem ao seu chamado, talvez morressem de espanto", dizia o iniciado (e romancista) Gustav Meyrink. É que no "mundo astral", além dos horríveis "cascões", "larvas", "elementares", resíduos em decomposição após a morte do homem, também estão lá as "formas pensamento": cada pensamento humano originaria no "mundo astral" um "eco" subsistente.
-- Explica o ocultista Laedbeater: Cascões dos mortos e formas pensamento dos vivos alimentam-se pelas vibrações. O plano astral em esoterismo significa não um lugar do espaço, mas uma condição ou estado de vibração. Chama-se também mundo do desejo, precisamente porque constituído e alimentado pelas vibrações dos pensamentos, sentimentos e imaginações do homem. A maior vibração depende da maior paixão. Isso é que seriam os chamados espíritos bons e maus. Mas é sabido que lamentavelmente na humanidade abundam mais os pensamentos inconfessáveis...
-- É preciso lembrar que nada menos que o conhecido filósofo inglês Broad, além disso bom conhecedor da fenomenologia parapsicológica, inicialmente inclinou-se à interpretação ocultista tomada ao pé da letra -sem ocultismo-. Ao menos como uma teoria possível, por ser imensamente menos inverossímil do que a hipótese espírita. Todos e cada um desses resíduos seriam meros reservatórios de memória, depósitos captados pelos médiuns espíritas.
O próprio Broad reconhece, porém, que a descoberta da telepatia inutilizou não só a intervenção dos espíritos dos mortos, mas também todo esse arrazoado de resíduos amnésicos...
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Representação hindu, datada no século II
antes de Cristo: A árvore divinizada.
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A Revelação do Ocultismo - Segundo todas as outras correntes do ocultismo divergentes do espiritismo, sem ocultismo, sem ocultar a verdade, no fundo dessas expressões de cascões, elementares, formas, mundo astral, resíduos mnésicos etc., se está afirmando que as revelações espíritoides procedem do inconsciente humano.
Desmascarando as expressões que ocultam o verdadeiro significado, o ocultismo em grande parte coincidiria com a parapsicologia. A explicação ocultista e a explicação científica da parapsicologia (e antes, do magnetismo e hipnotismo a respeito de alguns fenômenos) freqüentemente seria a mesma. A parapsicologia -dá a entender o prestigioso parapsicólogo Robert Amadou- diferencia-se do ocultismo porque não encobre a realidade, "não aceita relações ocultas".
Um exemplo: Elifas Levi. É sem dúvida nos tempos modernos um dos maiores representantes ou "mestres" do ocultismo e nenhum mago contemporâneo pode prescindir dele...
Elifas Leví descreve a evocação que ele mesmo fez de um espírito superior, nada menos que o de Apolônio de Tiana, talvez o maior mago dos tempos antigos.
&& Mas Elifas Levi sabe que na realidade não se trata de manifestação do espírito de Apolônio nem de nenhum outro espírito. É, única e limpamente, manifestação de forças do inconsciente do próprio Levi, "embebedamento da imaginação", como ele diz expressamente.
Elifas Levi era formalmente anti-espírita e anti-reencarnacionista. Ás vezes dizia ser a reencarnação de Rabelais, mas por pura brincadeira. Escreve a respeito René Guénon: "Tivemos sobre este ponto o testemunho de quem o conheceu pessoalmente, e que, sendo reencarnacionista, de nenhuma maneira pode ser suspeito de parcialidade".
Muitos ocultistas posteriores, precisamente por influxo do espiritismo, aceitaram a reencarnação...., mas excepcionalmente! Se alguns espíritos reencarnassem, seria por um privilégio extraordinário, muito tempo depois da morte, para uma missão, muito especial, e eles conservariam a lembrança plena de tudo o que aprenderam e da própria vida anterior.
Em geral, pela total diferença de critérios na elaboração da doutrina, os ocultistas têm o maior desprezo pelo espiritismo.
"A gosto do Consumidor". Acreditando todos os espíritas na comunicação de espíritos -que espíritos?-, só em uma coisa poderiam estar de acordo todos os espíritas do mundo: em que os espíritos superiores não estão de acordo em nada.
A enorme diversidade das doutrinas pretensamente reveladas pelos espíritos mostra irrefutavelmente que não se trata de revelações dos espíritos dos mortos. São efeito da diversidade de tendências e ambientes deste mundo. Não é admissível que no além os espíritos dos mortos, ao menos os espíritos superiores continuem com a total inexperiência e desconhecimento direto que neste mundo há das verdades do além.
A diversidade das doutrinas espíritas condena o espiritismo.
-- Escreve um "mestre" espírita brasileiro de hoje, Herminio C. Miranda: "Tudo (...), o estritamente doutrinário, (...) está contido na doutrina espírita ordenada por Allan Kardec (...). Todo pesquisador sério e bem-intencionado que se dispuser a estudar os fenômenos psíquicos chegará às mesmas conclusões contidas nas obras básicas do espiritismo (...). É fato irrefutável que as linhas mestras das conclusões conferem e coincidem nitidamente, qualquer que seja o experimentador, desde que intrinsecamente honesto diante daquilo que observa e relata".
&& Só uma mente completamente minada pelo próprio espiritismo pode acreditar na total imbecilidade de que no espiritismo "as linhas mestras (...) conferem e coincidem nitidamente"! Os espíritas que me perdoem: a respeito da doutrina dos espíritos superiores não posso evitar lembrar-me da frase irônica de Oliver Herford: "Os pensamentos de uma mulher são mais limpos que os dos homens: mudam-nos continuamente".
O mesmo Kardec sabia que existia, previa que continuaria e temia a enorme diversidade doutrinal. Há muitas frases como esta do seu "Projeto" (1868): "Um dos maiores obstáculos da propagação da doutrina é a falta de unidade".
-- E por isso instituía, como de capital importância, um chefe com plena autoridade, uma Comissão Central também de plena autoridade.
&& Mas como poderia haver uma autoridade capaz de dirimir as diversidades quando se trata precisamente de seguir revelações de espíritos superiores? Acaso os espíritos superiores estão de acordo em alguma coisa?
-- Allan kardec deixou escrito... perdão: os espíritos superiores -superiores a que outros?- revelaram: "Médium perfeito seria aquele contra o qual os maus espíritos jamais ousassem uma tentativa de enganá-lo. O melhor é aquele que (...) tem sido o menos enganado".
Todos, portanto, estão enganados.
Conclusão - Retomo as palavras do início do artigo anterior. Ou Allan Kardec -e pode-se aplicar a cada chefe de cada ramo do espiritismo- foi o maior gênio da humanidade, ou então sua petulância raiou a extrema loucura. Certamente não foi o maior gênio da humanidade...
Há outros motivos, mas ao menos pelos motivos citados nestes dois últimos artigos, é justo concordar com Daniel Dunglas Home: "Sabe-se que Allan Kardec não foi médium. Ele nada fazia senão magnetizar ou psicologizar pessoas mais impressionáveis do que ele".
E Daniel Dunglas Home (que terminaria por rejeitar plenamente o espiritismo) foi considerado pela maioria dos "mestres" do alto espiritismo, kardecistas e davinianos, latinos e anglo-saxões, como o maior médium de todos os tempos!
Menos por Kardec, "seu inimigo íntimo". Não é de hoje que se interpretam estas últimas palavras --mais uma, entre muitas, das investidas que Home lançou contra Kardec-- no sentido de que os médiuns foram dirigidos, influenciados por Allan Kardec "a traduzirem seu próprio pensamento e não a captarem mensagens do além".
Tratando-se de uma revelação única, como a revelação judeu-cristã da Bíblia e da Tradição, pode surgir muita diversidade de interpretações em cada uma das suas partes. Todos os exegetas, porém, evidentemente estão de acordo em que a verdade revelada por trás de cada texto difícil é uma só, e procuram alcançar o sentido verdadeiro das palavras, a verdade única de cada parte da Revelação. É uma Revelação Divina. Os homens, porém nem sempre a interpretam corretamente, daí a separação dos judeus e a diversidade das denominações cristãs.
Não é assim no espiritismo. As palavras "reveladas" pelos "espíritos superiores" freqüentemente estão claras, claríssimas. Não se trata de diversidades interpretações da "revelação espírita", trata-se clarissimamente de diversidade de pretensas revelações.
É necessário que as verdades do além nos sejam reveladas do além. Evidente. Mas o único modo de sabermos que uma doutrina, digna e lógica, é revelada por um "Espírito Superior", é procurar o milagre confirmativo. Em vários livros e muitos artigos exponho que Deus (Pai, por Moisés e os profetas; Filho em Cristo e pelos Apóstolos, e Espírito Santo o dia de Pentecostes) provou pelos milagres que era realmente o Espírito Supremo vindo para revelar a verdadeira Doutrina. Só pelos milagres pode ser válida a afirmação de que Sua Doutrina é verdadeira, e todas as outras, em tanto quanto se afastarem da dEle, originadas em falsos profetas.