Não aceitando essas comunicações "católicas", os espíritas não têm direito de aceitar as outras das quais dizem haver recebido a doutrina. Acabam com a doutrina e com as comunicações espíritas. E então é que estariam certos: nem comunicação de espíritos de mortos nem doutrina revelada pelos espíritos.
POR EXEMPLO: TERESA NEUMANN
Santa heróica sem dúvida, mas também, grande histérica...
... levava muito a sério a alucinação que em 8 de janeiro de 1929 teve de uma "alma do purgatório"!
Ela acreditava que o purgatório era um lugar tétrico. Acreditava naquelas enormes chamas. Via o corpo (?) ardendo..., sem consumir nem sequer a barba (?) ou os cabelos(?)!
Teresa Neumann tinha certeza da aparição do Pe. Joseph Schleinkofer, redentorista, que acabava de falecer.
A "aparição" pediu à vidente que não rezasse nem fizesse penitência por ele, "porque Deus não queria libertá-lo do purgatório antes do tempo". Três semanas depois...
Na eternidade não há tempo!
...Segundo Teresa, Deus muda de idéias (!?) e já permite que reze e que faça sufrágios pelo missionário falecido.
Basta um dia de sofrimento de Teresa, e já no dia seguinte acredita ter outra aparição na qual o Pe. Schleinkofer, belo e luminoso, vem agradecer as orações e sacrifícios. Teresa vê então os pais do sacerdote saindo do céu (?) ao encontro do filho, acompanhando-o depois à felicidade sem fim.
O pároco de Konnersreuth, Pe. Naber, e seu coadjutor, Pe. Hartes, ficaram comovidos com todas estas manifestações. Eles ouviram longamente a voz (= psicofonia) da "aparição".
O conjunto, porém, só pode ser tomado como imaginação e projeção histérico-parapsicológica de Teresa Neumann.
Segundo os espíritas seria revelação do além. É só como "do além" pode ser aceito pelos espíritas, para os quais Teresa Neumann seria uma médium vidente...
Mas semelhantes manifestações (tão numerosas!) destroem completamente a doutrina espírita: nada de reencarnação! E teriam de aceitar como revelada por "espíritos de luz" a doutrina católica (revelada por Cristo, não por espíritos de mortos!) a respeito da penitência e oração reparadora em união com o Redentor, do purgatório, do céu eterno etc...
"A GOSTO DO CONSUMIDOR"
Aparições (na realidade visões ), como todos os outros fenômenos parapsicológicos, houve sempre e em toda parte. Os fenômenos parapsicológicos, pelo próprio fato de serem humanos, foram e são sempre fundamentalmente idênticos. A psicofisiologia humana é fundamentalmente a mesma.
É importante, porém, verificar que as interpretações são as mais diversas. Isso demonstra que são também interpretações subjetivas humanas, segundo as diversas culturas, não correspondendo à realidade comprovada pela ciência, pela parapsicologia.
Os fenômenos são os mesmos; as interpretações, diferentes. Os fenômenos são objetivos; as interpretações (e adornos), subjetivas. Os fenômenos existem e corresponde à parapsicologia explica-los, fazendo caso omisso das inumeráveis e incompatíveis interpretações populares falsamente religiosas (não corresponde à religião interpretar fatos) ao longo dos séculos.
Como constatava Lombroso,
"estes fenômenos (parapsicológicos), vistos singularmente, parecem justamente inverossímeis. Mas surge a grande verossimilhança, por não dizer a certeza, do fato de que se repetem em épocas, em regiões e em nações diversas, sem ligação histórica entre si; algumas, ao contrário, em completo antagonismo religioso e político".
Daí as interpretações tão diversas e mesmo antagônicas.
Na sua grande "História das aparições e manifestações no mundo antigo", conclui Eric Dingwall:
"Os fenômenos parapsicológicos foram assinalados em todas as épocas e em todos os povos, as descrições que chegaram até nós são fundamentalmente idênticas. Embora as interpretações sejam muito diferentes nas diversas civilizações".
RESOLVAM ESSE IMPASSE!
1.- Um "espírito" (ponho sempre entre aspas porque não há espírito humano sem corpo material ou ressuscitado) muito prestigiado por destacados espíritas...
Primeiramente ele mesmo afirmava ser "O Invisível", nome que atribuía a si mesmo como pseudônimo de Deus, nada menos! Maior "espírito de luz", nenhum. Depois esse mesmo "espírito", num acesso de modéstia, mas com romantismo, disse chamar-se "Clélia".
Por fim "O Invisível Clélia" garantiu: nas manifestações espíritas, fora do próprio médium, "não existe nenhum espírito".
No fim é que mostrou toda a verdade.
O caso foi analisado nada menos que por Frederick Myers, um dos fundadores da parapsicologia.
2.- A "assinatura" aposta pelo inconsciente em numerosas manifestações em ambiente rosa-cruz é: "Alma divina universal", a alma do deus-mundo.
Panteísmo crasso, contradição: a criatura, o finito, o passageiro, o material etc. não pode identificar-se com o Criador, o Infinito, o Eterno, o Puramente Espírito, etc.
Mas o que "ele mesmo afirma" ser, na comunicação aos rosa-cruzes, não pode ser mais alto, mais sublime "espírito de luz".
Baseado em milhões dessas "revelações", Spencer Lewis, Imperator da Ordem Rosa-Cruz (AMORC) para as Américas do Norte e do Sul, pontifica:
"Pergunta: é verdade que nas chamadas sessões espíritas (...), as almas de pessoas falecidas retornam à Terra?"
"Resposta: É absolutamente certo que a alma de uma pessoa não retorna à Terra (...). Por conseguinte, não poderá ele em tempo algum flutuar no espaço e visitar centros espíritas".
E aí fica o impasse para os espíritas: os mais altos "espíritos de luz" revelam (?) que não são os espíritos que revelam... Espíritos de nenhum tipo: nem fadas, nem demônios, etc. "Porque eles mesmos o afirmam".
É possível esperar dos líderes do Espiritismo, após tanto contágio psíquico, ou lavagem cerebral, ou fanatismo (ou má intenção)..., é possível esperar neles ao menos um mínimo de reflexão e lógica?
O PRÓPRIO INCONSCIENTE TIRA A MÁSCARA
Mas como não raro acontece nas manifestações do inconsciente, ele próprio termina por se trair ou por manifestar a verdade, quando deixa de lhe interessar a máscara ( = prosopopéia). É de se lamentar que os espíritas não saibam dar atenção a esse fato, apesar de ele ter entrado bem cedo nos anais do espiritismo:
O Sr. Harrison, editor da revista "Spiritualist", escreve:
"No Sábado, 12 de setembro de 1868 (bem no início e no auge do Kardecismo ), dirigi-me sozinho a uma sessão privada na casa e com o Sr. e Sra. Marshall (espíritas também, testemunhas do fato ), com a intenção de instaurar uma longa conversa com John King (uma das prosopopéias mais famosas no espiritismo, responsável por muitos fenômenos parapsicológicos) . De início, por meio da tiptologia (a típica "comunicação" por pancadas) , à plena luz comunicou):
- Sou teu bom espírito familiar.
- Então tenha a bondade de dizer-me quem é.
- Pois não. Sou tu mesmo .
(...) Entramos num aposento escuro. E após uns minutos vimos aparecerem corpos luminosos (ectoplasmia e fotogênese ) como cometas, de uns 30cm de comprimento, largos numa das pontas e afiando-se até uma fina ponta no outro extremo. Os corpos luminosos flutuavam no ar, por diversos lugares, em trajetórias curvas. Pouco depois uma voz (psicofonia), perto de mim, disse: ' Sou teu próprio eu espiritual'".
O Sr. Harrison acrescenta:
"Pensei que fosse uma brincadeira de John King e não continuei o diálogo. Sempre me lamentei por isso, agora que sabemos que em grande número de manifestações espíritas o duplo (parte do próprio eu) manifesta um papel importante".