Vários desses aparelhos, após árduas discussões, foram rejeitados pelos cientistas da época, mas depois de um estudo profundo da questão, à luz dos conhecimentos modernos, podemos concluir que os aparelhos tinham algum valor em prol dos “fluidos”. Indicam que esses “fluidos” se manifestam mais ou menos segundo a pessoa experimentada seja mais ou menos dotada de faculdades parapsicológicas. Indicam também que esses “fluidos” devem situar-se na mesma linha da telergia, às vezes bem maior, que podem manifestar os grandes psíquicos.
Que todas as pessoas têm tipos de irradiações de magnetismo físico comum, eletricidade, calor, umidade, etc. é evidente. Mas o que nos interessa, do ponto de vista da Parapsicologia, é esse “fluido” especial mais notável, seja ele só aumento dessas emanações comuns, seja constituído por transformações de qualquer matéria orgânica... Não nos interessa agora a natureza do “fluido”, mas a sua existência.
A Senhorita Tomczyk – Com um galvanômetro comum (sem eletricidade própria), o Dr. Julien Ochorowicz constatou que a famosíssima psíquica Srta. Stanislawa Tomczyk com certa freqüência desviava a agulha de 20 a 50 graus. O sentido da corrente dependia da vontade dela: Ochorowicz trocava as conexões com um computador invisível, e o desvio da agulha continuava no mesmo sentido, porque a psíquica ignorava a mudança. Reciprocamente, dizia-se à Srta. Tomczyk que se trocariam as conexões, mas não se trocavam; ela fazia desviar a agulha em sentido contrário.
Nenhum tipo de eletricidade obedeceria assim, não só na intensidade, mas também no sentido da corrente. Trata-se, portanto, de um “fluido” especial; ou ao menos o psiquismo, e isso nos basta, pode alguma vez governar a eletricidade.
Com o pêndulo do radiestesista – O Dr. J. De Briche, estudioso do “magnetismo”, inventou um aparelho para manter fixo o ponto de suspensão de um pêndulo de radiestesista. Sobre uma mesa sólida, a fim de dar estabilidade ao conjunto e servir de apoio à mão do psíquico, colocou um pequeno banco. No meio da parte horizontal do banquinho fixava a extremidade de um fio, e no outro extremo do fio fazia pender algum pequeno peso, como um anel, ou brinco...
O pêndulo, contra as pretensões dos radiestesistas, ficava sempre imóvel. Mas o Dr. Briche concluiu, após muitas experiências, que os psíquicos com certa freqüência conseguiam movimentar o pêndulo (telecinesia) de acordo com a vontade, e não por qualquer impulso manual ou radiações físicas comuns.
Magnetoscópio – Assim chamou o Dr. J. O. N. Rutter outro aparelho, que ele inventou. O suporte do aparelho era de madeira. Sobre o suporte havia uma p0lataforma circular. No centro da plataforma, segurava-se com um parafuso uma saliência. Sobre a plataforma, para evitar qualquer vento, inclusive da respiração ou movimento dos presentes, havia uma campânula de vidro. Dentro da campânula de vidro havia uma pinça da que pendia um fio de seda extremamente fino.
A pessoa da experiência tocava com o anular e o indicador a bola de cobre, e olhava o pêndulo. Rutter comprovou que, desta maneira, as “irradiações magnéticas” do homem, ou melhor, de alguns psíquicos, podiam dirigir com sua vontade os movimentos do pêndulo com maior ou menor perfeição e freqüência na direção escolhida de alguns dos pontos cardinais.
Como de hábito surgiram críticas, inclusive indignas de quem, em outros temas, podia ser considerado cientista.
O aparelho de Léger – A conclusão geral de Rutter a respeito da existência do “fluido”, foi confirmada abundantemente pelo Dr. Léger, com um novo aparelho, que tinha em conta todas as críticas.
O aparelho tinha três pêndulos, um dos quais o principal, recebia o influxo do operador diretamente; outro, chamado repetidor, indiretamente; e o terceiro pêndulo, chamado testemunha, seria vítima de qualquer influxo mecânico como os outros dois, mas permaneceria imóvel se o influxo fosse só o “fluido humano”, pois a haste que o sustentava era de matéria que, em experiências independentes, fora considerada isolante, não condutora do “fluido”.
Em numerosas e variadíssimas experiências com este aparelho, o Dr. Léger confirmou que alguns psíquicos, pela vontade firme e continuada, e sem auxílio de força alguma mecânica, podiam algumas vezes movimentar o pêndulo principal na direção exigida.
Como só os psíquicos, e nem sempre, obtinham resultado, e como os fluidistas, no clássico exagero, queriam atribuir a todo o mundo os mesmos resultados, muitos estudiosos duvidaram da autenticidade do fenômeno. A demonstração por este meio, fez pouco progresso, apesar de que as objeções não tinham valor, se temos em conta a distinção entre psíquicos e não-psíquicos, e se prescindimos também de outros efeitos e teorias que, como em toda a questão dos “fluidos”, também aqui se imiscuíram.
Confirmações – Com o mesmo aparelho, outros experimentadores conscientes obtiveram posteriormente e inúmeras vezes, resultados concordantes, como por exemplo, o Dr. Durand De Gros, que designou o fluido com o nome de “eletrodinamismo”.
Deve-se também destacar o Dr. René Bué, que estudou a questão do “fluido” com método e perseverança excepcionais.
O Dr. Bué reconstruiu o aparelho do Dr. Léger, servindo-se de documentos conservados na Biblioteca Real de Londres.
Confirmou as experiências dos predecessores e imaginou outras novas, obtendo também resultado positivo.
E ainda comparou o seu resultado com outros obtidos também com bons psíquicos pelos Srs. Décle e Chazarain em experiências independentes, e por outros métodos e aparelhos: os resultados, referindo-nos só à questão concreta do “fluido”, eram concordantes, sendo que as experiências se faziam quando ainda se ignoravam os resultados obtidos pelos outros experimentadores.
Emanações “P” – Em 1923, o conhecido vulcanólogo americano, Dr. Frank Perret, modificou um aparelho inventado mais de 10 anos antes pelo Dr. Fayol. Um cilindro giratório ficava suspenso perpendicularmente num pivô. As extremidades do cilindro podiam girar facilmente, sobre um suporte de safira, e dentro de uma armação. Mas o Dr. Perret acrescentou outros meticulosos detalhes (inclusive de compreensão complicada para não especialistas), e acrescentou uma câmara para fotodiagramas dos resultados.
Em numerosas experiências o Dr. Perret demonstrou mais uma vez que outras forças físicas diferentes do “fluido” humano foram excluídas com contraprovas conscienciosas. Curiosidade (?): não influíam em lâmpadas acesas, lâminas quentes de metal etc.
O Dr. Perret chamou a força por ele demonstrada “força vital efluente”, mas os amigos e continuadores a chamaram emenações “P”, por Perret.
Grande sábio comprova -- O Dr. William Crookes (sábio celebérrimo em Física e Prêmio Nobel em Química), em condições magníficas de experimentação, trabalhando com o melhor psíquico em toda a história da pesquisa em Parapsicologia, Daniel Dunglas Home (muito teremos que admirar dele em futuras séries), comprovou (e até tratou do medir) a telergia emanada de Home em diversas ocasiões (pois a telergia pode oscilar muitíssimo).
Crookes havia observado em experiências realizadas na sua própria casa, que às vezes, pelas pontas dos dedos de Home saia telergia de notável força. Telergia que Crookes chamava “força psíquica”.
Construiu mias um outro aparelho especial: uma tábua horizontal se apoiava com uma extremidade sobre a mesa, enquanto a outra ficava suspensa por um dinamômetro de mola.
Home, apoiando as pontas dos seus dedos sobre a extremidade da tábua que repousava sobre a mesa, fazia marcar no dinamômetro no outro extremo da tábua um peso suplementar de 1,5 até 3 quilos. Ora, o contato dos dedos de Home sobre a tábua era sumamente suave. Mais ainda: qualquer pressão dos dedos de Home era exercida no ponto de apoio da tábua sobre a mesa. Apoiando, entretanto, Crookes todo o peso do seu próprio corpo sobre aquele mesmo ponto, não conseguia que o dinamômetro marcasse mais de meio quilo de peso suplementar, e isso somente enquanto inclinava o corpo na direção que favorecia mais a pressão sobre o dinamômetro.
Era, pois, evidente que a pressão exercida por Home não era a dos músculos, mas a da telergia, a “força psíquica”, que saía de Home deslizando-se ao outro extremo da tábua ou diretamente sobre o dinamômetro.
Após uma objeção, embora sem importância, levantada pelo físico Stokes, Crookes projetou um tipo e experiência crucial e incontestável: Construiu mais um aparelho especial. As gramas de pressão exercida eram registradas por um oscilógrafo. A telergia deveria exercer esta pressão sobre o fundo de um recipiente cheio d’água e, portanto, através do líquido. A mão de Home não podia chegar ao fundo porque havia um outro recipiente por cima do primeiro. Também este último estava cheio d’água, e era fixo num braço horizontal imóvel e firme. Excluía-se, destarte, toda ação mecânica normal.
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| Após uma telecinesia pelo psíquico Rudi Schneider, centrelado pelo Prof. Harry Price, um dos professores assistentes assim desenhou o que viu. Telergia até assustadora! (Oportunamente muito teremos que falar do excelente professor de Parapsicologia em Oxford) |
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Com seu ingenioso aparelho, Crookes fez numerosas experiências, sistemáticas, altamente demonstrativas. Citemos uma só, como exemplo, realizada na mesma casa do sábio físico. À plena luz (pois toda precaução é necessária com os psíquicos, porque podem cometer fraudes inconscientemente. Também estudaremos isto). Escreve o próprio Crookes:
“Foi disposto convenientemente o aparelho acima descrito, antes de entrar o Sr. Home. Depois ele foi introduzido no local e convidado a colocar os dedos no recipiente. Home se levantou e submergiu na água a ponta dos dedos da sua mão direita, enquanto lhe segurávamos a outra mão e os pés. Quando Home disse sentir que de sua mão escapava ‘um poder, uma força, ou uma influencia’, pus em marcha o mecanismo de relojoaria, e quase imediatamente se viu que o braço da balança descia lentamente e permanecia baixo durante dez segundos. Depois desceu um pouco mais, para voltar depois a subir à sua posição habitual. Voltou logo a descer, subiu de repente, desceu outra vez gradualmente durante 17 segundos, e por último voltou a subir até sua posição normal”. Nas duas descidas máximas, a pressão registrada, no outro extremo da tábua!, foi de 250 gramas.
Novas confirmações -- Outros experimentadores utilizaram a engenhosa balança de Crookes. O problema estava em encontrar bons psíquicos. Nenhum é regular, trata-se de conseguir algum psíquico que manifeste o fenômeno... menos raramente.
O Dr. Alrutz, sobretudo, começou uma série de experiências sistemáticas de grande valor comprobativo. Tomaram-se todas as precauções possíveis para evitar qualquer ação muscular diferente da exercida pela telergia. Quatro anos mais tarde terminou e publicou os resultados dos seus trabalhos, confirmando os de Crookes.
Um psíquico imprimiu no dinamômetro uma pressão adicional de até 100 gramas.
Para obter tal resultado precisar-se-ia uma pressão descomunal, se toda ela fosse exercida no ponto da tábua apoiado na mesa. Home e os outros psíquicos, porém, só apoiavam delicadamente as pontas dos dedos.
Com um aparelho parecido já antes de Crookes obtivera notável êxito, com o mesmo Home, o Dr. Hare. E posteriormente, com experiências semelhantes e com o mesmo Home, confirmou os êxitos o grande parapsicólogo russo Dr. (Vladimir Mikhanailovith) Bechterew.
Grünewald – O ingeniero e parapsicólogo Fritz Grünewald apresentou ao Congresso Internacional de Copenhague os resultados das suas experiências:
Dentre 100 voluntários, só um era psíquico. Só o psíquico provocava, com certa freqüência, um campo magnético passageiro bastante notável, aproximando a mão de um galvanômetro. O campo era aumentado ou diminuído sob a influência da vontade. Quando, ao mesmo tempo, o psíquico realizava telecinesias, a “força magnética” era desviada para este trabalho, registrando-se uma ação mínima sobre o galvanômetro.
Este último fato indica, como deduzira o mesmo Grunewald, que o “fluido magnético” e a força parapsicológica de efeitos físicos (telergia) eram uma mesma coisa, e possivelmente também uma mesma coisa com respeito à energia fisiológica. O “fluido magnético” não emana somente da mão, mas de qualquer parte do corpo.
O mesmo Dr. Grunewald apresentou no congresso de Varsóvia “ações telecinéticas exercidas sobre uma balança, fechada numa caixa de vidro”.
Mais do que medição do “fluido”, tratava-se de determinar a sua existência pelo efeito conseguido.
Etc. Etc.— E ainda teríamos que falar do “bioscópio” e experiências do Dr. Pettinelli, no Instituto Técnico de Savona. Do “cilindro de Falhol”, a quem já aludimos, e os resultados apresentados ao II Congresso de Psicologia Experimental, celebrado em Paris em 1913. E muitas outras pesquisas no mesmo sentido, mas além de desnecessário, para não especialistas seria grandemente cansativo.