Fenômenos de Efeitos Físicos - Telergia 5
Existe a força! – Os “fluidos” são uma força: telergia. Prescindindo agora dos efeitos mecânicos por ela realizados e que estudaremos em futuras séries, a mesma força como tal foi comprovada, medida, verificada em suas variadas funções...

A telergia, nesse caso, não atravessava o obstáculo.
O Dr. William J. Crawford foi muito discutido. Freqüentemente por pura ignorância da especialidade da Parapsicologia. Realizou, porém, experiências incontestáveis. Com a senhorita Goligher, que no seu desconhecimento se considerava médium, Crawford comprovou a força mecânica da telergia.

Construíra um aparelho, simples: Um quadro de papelão de 7x8 centímetros, fixo, e afastado de uma prancha por duas delicadas molas de relógio. Qualquer pressão sobre o papelão faria ceder as molas, estabelecendo-se o contato dos dois pólos elétricos, fixos um no papelão e outro na prancha. O contato fecharia o circuito, fazendo soar uma campainha.

“Eu passava o aparelho aqui e ali diante da `médium´ com o papelão paralelo a seu corpo e perpendicular a qualquer linha de força que dela emanasse”. Durante sessões em que a Srta. Goligher realizava à distância movimentos de uma mesa (= telecinesía, que estudaremos), quando Crawford interpunha o aparelho entre a psíquica e a mesa, a campainha soava e a mesa se imobilizava.

A telergia, nesse caso, não atravessava o obstáculo.

No I.M.I. – No “Instituto Metapsíquico Internacional”, de Paris, então o seu diretor Dr. Eugène Osty, uns dos melhores parapsicólogos de toda a historia da Parapsicologia, realizou 90 sessões de experimentação desde outubro de 1930 até dezembro de 1931, com o famoso psíquico Rudy Schneider.

O mais importante. Na sala de experimentação, um aparelho emitia raios infravermelhos que, refletidos por espelhos convenientemente dispostos, cercavam por todas as partes com uma rede invisível os objetos a serem movimentados. Qualquer substância material que se aproximasse do objeto a ser movimentado, necessariamente deveria absorver, em todo ou em parte, algum feixe desses raios. Se a substância interceptadora fosse suficientemente densa, como para absorver ao menos 30% da emissão infravermelha, provocaria a reação da célula fotoelétrica na qual incidiam estes raios. A reação da célula fotoelétrica deflagraria automaticamente uns aparelhos fotográficos com luz de magnésio, colocados em diferentes ângulos. Se a absorção de raios infra-vermelhos por alguma substância interposta fosse menos de 30%, não se deflagrariam fotografias. Um oscilógrafo acoplado ao circuito que alimentava a célula fotoelétrica, registraria sempre esse grau de absorção. O oscilógrafo marcava também, em segundos, o decorrer do tempo durante toda a experiência.

Rudy Schneider vestia um pijama cujas bordas estavam inpregnadas de substância fosforescente, para permitir a perfeita observação de todos os seus movimentos no escuro. Estava sentado numa cadeira simples, a uns dois metros e de costas aos objetos que tentaria movimentar parapsicològicamente. Um dos parapsicólogos sentava-se defronte a Rudy, segurando-lhe as mãos durante toda a sessão. Os demais parapsicólogos e assistentes sentam-se detrás e ao lado.

O principal intuito das experiências (como em outra série veremos), era fotografar os fenômenos de telecinesia, mas nelas se demonstrou também, de maneira absolutamente incontestável, a existência da telergia, que o Dr. Osty chamava “metergia” ou “fator X”.
Repito: Osty pretendia fotografar as telecinesias, mas teve de trocar de método. É justamente a causa desta modificação que nos interessa aqui.

Cada vez que a “metergia” ou “fator X”, saindo de Schneider, avançava em direção ao objeto que se tratava de movimentar, provocava a deflagração da luz para a fotografia, pois atravessando a barreira formada pelos feixes de raios infravermelhos, absorvia (ou refletia)

Uma armadura de cobre terminava numa bola do mesmo metal. Dela partiam, em direções opostas, duas hastes. A bola e os extremos livres de cada uma das hastes, sustentavam, dentro de uma campânula de vidro, três pêndulos de fios de seda terminados em pequeninos pesos. Os três pêndulos eram idênticos, mas a bola, como já foi dito, era de cobre e também de cobre uma das hastes; a outra haste, porém, podia ser de osso, marfim, ou barbatana.

O suporte do aparelho era de madeira. Sobre o suporte havia uma plataforma circular. No centro da plataforma, segurava-se com um parafuso uma saliência. Sobre a plataforma, para evitar qualquer vento, inclusive da respiração ou movimento dos presentes, havia uma campânula de vidro. Dentro da campânula de vidro havia pinça da que pendia um fio de seda extremamente fino. Alguns psíquicos podiam, com maior ou menor freqüência e precisão, movimentar o pêndulo na direção escolhida de alguns dos pontos cardinais.

Como de hábito surgiram críticas, inclusive indignas de quem, em outros temas, podia ser considerado cientista.

Cada vez que a “metergia”, saindo de Schneider, avançava, invisível, em direção ao objeto que se tratava de movimentar, provocava a deflagração do magnésio, pois, atravessando a barreira formada pelos feixes de raios infravermelhos, absorvia (ou refletia) mais de 30%, chegando o oscilógrafo a registrar absorção por parte da “metergia” de até 75% da radiação. A sessão tinha que ser interrompida, mas as revelações das fotografias mostravam que nenhuma substância visível se encontrava onde os raios tinham sido interceptados.

A “força psíquica” era, pois, na realidade, algo físico, dado que se chocava com os raios infravermelhos; era, porém, algo visível e tênue: um “fluido”.

Osty modificou a aparelhagem: no lugar das câmaras fotográficas colocou uma série de campainhas que tocariam automaticamente nas mesmas condições de funcionamento das câmaras: absorção de, ao menos, 30% de irradiação infravermelha. As fotografias só deflagrariam por controle manual. Nestas condições, realizou-se uma série de sessões, dentre as quais citamos a de 14 de novembro de 1931, como exemplo do que agora nos interessa.

“Segunda parte; em luz vermelha: toda a Segunda parte da sessão se realizou sob fraca luz vermelha, embora fosse suficientemente forte para iluminar todo o espaço ocupado pelos raios infravermelhos e também eram visíveis o e os assistentes. O professor D. maneja o deflagrador manual do magnésio e da fotografia... Começa a sessão... Rudy entra em hipermneia..., imediatamente começam a soar as campainhas durante 13 segundos. Os assistentes observam atentamente todo o campo de infravermelhos, mas sem poder ver nada. Não obstante, a substância (a “metergia” ou “fluido”) estava aí, absorvendo pelo menos 30% da radiação (limite a partir do qual começam a soar as campainhas)... As campainhas voltam a soar durante 8 segundos”. Depois, enquanto soavam as campainhas, o Dr. Osty manda deflagrar as fotografias. Reveladas, confirmam a observação dos assistentes de que a “metergia” não fora visível; mas lá estivera, interceptando os raios infravermelhos e fazendo soar as campainhas.

Efetuaram-se diversas contraprovas com as quais se excluiu a hipótese de distorções ou imperfeições nos aparelhos.

O fenômeno da absorção (ou refração) dos raios infravermelhos por parte da telergia, foi confirmado na Inglaterra, utilizando-se o mesmo método. Uma série de 27 sessões de experiências, de outubro a dezembro de 1932, foi dirigida por Lord charles Hope, com a colaboração de parapsicólogos competentes como Lord Rayleigh e C. V. Herbert. Em 17 ocasiões registraram-se os mesmos fenômenos que verificara Osty, de absorção ou refração dos raios infravermelhos, pela “substância invisível”

O “FLUÍDO” E A HISTÓRIA – Os fenômenos parapsicológicos (menos os SN, milagres) são de todas as épocas e povos. Assim a telergia, com maiores ou menores diferenças acidentais, recebeu outros muitos nomes. Já na antigüidade, se conhecia o “fluído”, às vezes por deduções lógicas a partir dos fatos observados, às vezes por certos tipos de observação direta que se assemelhariam, mais ou menos, ás experiências modernas. Assim Zoroastro fala do “fogo vivente”, Heráclito do “fogo gerador”, os antigos ocultistas do ‘espírito de vida”.

Mais adiante, santo Tomás fala da “força vital”. No século XVII, Maxwell, médico de Carlos II da Inglaterra, escreveu um livro onde expõe as suas teorias e observações sobre os “raios corpóreos dirigidos pela alma” para realizar ações físicas fora do alcance das mãos. Eis exatamente descrita a moderna telecinesia.

Outros nomes mais recentes. Em 1852, Oldfield dá ao “fluído” o nome de “princípio nervoso”. Com ele, explica os efeitos físicos atribuídos ao demônio na época da bruxaria.

“Fluidos” emanados da cabeça de um alcoólatra (“Delirium Tremens”) 
Podemos considerar, como outros tantos nomes, com referência a fenômenos de efeitos físicos à distância as expressões: “super-atividade do sistema nervoso” do Dr. Collier, “efeitos da perturbação nervosa”, expressão do doutor Hammond, professor de Doenças mentais e do Sistema Nervoso no departamento de Medicina da Universidade de Nova York; “misteriosos agentes humanos” ou também “relações dinâmicas do homem”, expressões com que o doutor Rogers dá a explicação natural dos fenômenos físicos designados como manifestações dos espíritos” por pessoa supersticiosas; ou ainda o espiritualismo químico” com que o Dr. Guppy explicava, não sem certa ironia, os fenômenos físicos de toda ordem, como os chamados telecinesias, escrita direta, voz, música ou desenhos “transcendentes” (sem contato pessoal) que sua esposa realizava na própria casa. O Dr. Bray designa o “fluido” com o nome de “força mental” que é “base de todos os fenômenos físicos do espiritismo e outras condições anormais da mente”.

Chevillard, professor na escola nacional de Belas Artes de Paris, fala em “vibrações fluídicas emitidas pela função mórbida que constitui o estado nervoso do médium”; ou expressões análogas, como “fluido nervoso vibrante”, “neurodinamismo irradiante” força ódica etc. Como veremos mais adiante, o doutor Thury, professor na Academia de Genebra, após inúmeras experiências, atribuiria os fenômenos à “força ectênica” (= de extensão, para agir à distância).

O Dr. Richardson escreverá depois, no mesmo sentido, sob o título “teoria de uma Atmosfera Nervosa”. O doutor D’Assier fala do “fluido nervoso” ou “éter-mesmérico”, para explicar os fenômenos parapsicológicos de ação física à distância. Veremos que a famosa vidente de Prevorst usava o nome “espírito dos nervos” ou “princípio de vitalidade nervosa”, substância corpórea por meio da qual “a alma entra em relação... com o mundo”, “por esse intermédio... pode atrair a si materiais atmosféricos que lhe conferem o poder de se fazer ouvir (psicofonia), vencer as leis da gravidade (levitação), ou de mover objetos inertes” (telecinesia).

Além do conceito de fluidos, outros autores empregam o e emanações, radiações, auras, etc.

Prescindindo de pequenas divergências sobre características mal comprovadas, resultantes, em geral, de exageros e fanatismos, no fundo de todas essas expressões e outras muitíssimas que se poderiam citar, encontra-se um fator comum, real. Todas as terminologias designam a mesma realidade: a telergia.

Crookes chega a reconhecer no seu livro sobre a força psíquica”, referindo-se em geral ao “fluido nervoso”, em particular à “atmosfera nervosa” do doutor Richardson, e do modo, mais destacado à “força ectêcnica” do professor Thury, que são “evidentemente, termos equivalentes. Se eu tivesse conhecido essa expressão há três meses, tê-la-ia adotado”.

E já antes, por exemplo, o doutor Mahan, primeiro presidente da Universidade de Cleveland, identificava todos os fluidos de que temos falado: “A causa imediata dessa manifestações é idêntica! A este fluido atribui todos os fenômenos de efeitos físicos divulgados pelos espíritos: Possuímos provas positivas e concludentes de que essas manifestações provêm exclusivamente de causas naturais e não de intervenção de espíritos desencarnados”.

Os fluidos, sob tanta variedade de nomes, na realidade são simplesmente uma força que atua sobre os objetos externos diferentes do “dotado”, salvo os casos em que essa força atua sobre o próprio organismo que a emite. Exceto neste último caso, ou talvez possamos dizer, inclusive nesse último caso, o fluido uma ação á distância.

NATUREZA DA TELERGIA – Myers propôs a palavra telergia (tele = longe; ergon = ação, trabalho) “dando assim um sentido mais precioso à palavra que propusera faz longo tempo, como correlativa da palavra telepática”.

Pouco depois, específica o próprio Myers o sentido da palavra telergia: “Influência... telérgica..., isto é, capaz de produzir movimentos da matéria, inclusive quando se trata de matéria organizada e de movimentos moleculares”. Esta modificação foi posteriormente mais ampliada e precisada por Sudre: “Nós reunimos sob o nome de telergia os fenômenos... (mais exatamente o mesmo) fluido... (que) realiza mais ou menos visivelmente (ou de todo visível) um trabalho exterior sobre os objetos materiais” (ou em alguns casos, sobre o próprio organismo emissor).

Myers ampliou o alcance da definição por ele mesmo proposto. Sudre a desenvolveu ainda mais. A ampliação que nós introduzimos com os parênteses é ainda mais legítima do ponto de vista etimológico e corresponde melhor ao que se queria designar com a palavra telergia.