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A MODO DE PRÓLOGO GERAL. Estes fenômenos constituem o objetivo de minha vida de parapsicólogo. Desde que comecei a estudar Parapsicologia, e tudo o que estudei nas Universidades (tenho cinco carreiras) e tudo o que escrevi foi sempre visando este tema.
Primeiro escrevi sobre os fenômenos parapsicológicos que certamente têm explicação natural: fenômenos EN, extranormais, sensoriais, e fenômenos PN, paranormais, extrasensoriais. Justamente para sobre essa base poder analisar se há no nosso mundo observável, em relação aos homens, fatos por Outra Força, diferente da natureza. Fatos que seriam fenômenos SN, supranormais, sobrenaturais.
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Uns críticos (Ephraim Ferreira Alves da Revista Eclesiástica Brasileira, seis professores da Universidade Gregoriana de Roma, o bispo de São Mateus, os padres Bernardo Thus, Pe. Fidelis Dalcin Barbosa, Pe. Lindolpho A. da Silva, Pe. Phambu Ngumba Balduíno de Uganda; os parapsicólogos Cícero Brandão, Rogério Calza, Ma. Luíza e Orlando de Albuquerque, de Portugal. Etc., etc.) escreveram que “nos meus livros e artigos anteriores havia eliminado brilhantemente toda intervenção de orixás ou exús, espíritos de mortos e demônios”. Sei e respondi que ao menos no meu caso “os elogios são como os perfumes, posso aspirá-los mas não devo engoli-los” (Charles Clark Munn). Muito mais do que meu, foi mérito da Parapsicologia: milhares de pesquisadores.
Alguns desses críticos acrescentavam: “Agora estou curioso em saber o que a Parapsicologia vai fazer com os fatos atribuídos à intervenção direta de Deus”. Há fenômenos SN divinos?
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O mundo evidentemente teve um Criador infinitamente sábio e poderoso. E agora a grande pergunta: Deus intervém no nosso mundo com milagres para confirmar sua doutrina? |
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O PROBLEMA é que o estudo dos argumentos, pró e contra, dos SN divinos é muito amplo, muito complexo... e cheio de paixão. Tenho certeza de que ao longo da história, e especialmente nos séculos XVIII e XIX, o tema do milagre divino foi o que provocou mais discussões, e as mais acaloradas, entre os líderes de diversas ciências de observação, de várias filosofias e de diferentes religiões.
Como conseqüência, nos séculos XX e XXI a imensa maioria das afirmações, pró e contra, são propostas fanaticamente. Até com mais fanatismo do que vimos na Umbanda, no Espiritismo, na Demonologia etc. A maioria dos que opinam sobre os SN ou sofreram lavagem cerebral ou ingenuamente se deixaram arrastar pelo ambiente, sem estudar diretamente o problema: agora dificilmente têm condições psicológicas de reconhecer que toda a vida estiveram errados.
E como entrar no meio dessas acirradas e apaixonadas discussões? Pensei nisso durante muitos anos...
1) A maioria dos cientistas e mesmo dos teólogos da minha religião, católica, hoje, partem do suposto que sempre há uma causa natural. Pode até ser que nunca se descubra essa causa, mas “natural tem de ser”, afirmam. Por quê?
2) Em contrapartida, outras muitas pessoas quando após uma rápida observação não aparece a causa evidente de determinado fenômeno, logo o qualificam de sobrenatural, milagres, SN.
3) Igualmente os pastores de todas essas inumeráveis novas religiões que modernamente estão surgindo, nesses freqüentíssimos e fáceis milagres fundamentam e com eles confirmam sua doutrina religiosa.
-- Por quê o naturalismo fechado?
-- Por quê a fácil abertura ao sobrenatural?
-- Por que tal doutrina religiosa e não uma outra?
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Há hoje mais de 56.000 religiões e seitas que se auto-afirmam reveladas por Deus. Ou por algum mensageiro ou representante de Deus.
Ora, é evidente que Deus não pode haver revelado nem sequer duas religiões, diferentes e contraditórias como são. Deus não pode enganar-se nem enganar. Ou então não é Deus. Se houve Revelação, Deus só pode haver revelado uma única religião. Todas as demais, evidentemente, têm que ser invenção humana.
E se Deus revelou, tem que “assinar” inconfundivelmente. Se não “assinou” clarissimamente, aceitar a Revelação seria irracional... Os milagres, os fenômenos SN, são o ‘‘argumento único suficiente e necessário da Revelação”, como todos reconhecem.
O tema dos milagres é um problema fundamental e inesquivável se o homem quer ser racional. Abordo-o “lutando contra o erro, não propriamente contra aqueles que erram”. Se parecer diferente, é porque os que erram se auto-identificam às vezes com o próprio erro, fazem do erro parte do sangue que lhes dá vida. Estes talvez “fiquem meus inimigos e, paradoxalmente, ninguém mais do que eles deveriam ser meus amigos” (Geraldo Rodrigues).
Há milagres divinos? Apresentarei e analisarei os argumentos, dos que defendem e dos que negam. Tomara que se análise a argumentação minha e de outros especialistas verdadeiramente científicos... com isenção, sem paixão...
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No culto de satanistas ao demônio deus Seth, representado com cabeça de bode, pretendem igualar aos santos que superaram o fogo. Na realidade ficam só rodeados, com toda segurança, a certa distância de diversos pequenos objetos ardendo.
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É um tema ao que vamos dedicar muitos artigos. Intercalando, claro, com outros temas. Mas pequenos grupos de artigos, e mesmo às vezes um só, têm sua própria importância, interesse..., e auto-suficiência.
Isto suposto, prezado internauta: ânimo, vamos refletir juntos?
Escolhamos ao acaso uma de tantas classificações dos fenômenos parapsicológicos. Saiu a PIROVÁSIA.
FUNDAMENTO. Um violento incêndio, enquanto houver matéria comburente, certamente não se apaga sozinho e num instante. Se alguma vez um incêndio se apagasse subitamente, toda pessoa sensata logo procuraria alguma causa... “oculta”. Aí começa o problema: Quê causa?
TABERA. “O povo elevou uma queixa (...) e Iahweh a ouviu, a Sua ira se inflamou e o fogo de Iahweh ardeu entre eles e devorou uma extremidade do acampamento. O povo clamou a Moisés, que intercedeu junto de Iahweh, e o fogo se extinguiu. Chamou-se este lugar de Tabera. (Tabera propriamente significa “lugar de pastagem”, mas o autor bíblico faz um jogo de palavras, intraduzível, em relação a uma raiz verbal parecida que significa “queimar”) porque o fogo de Iahweh ardeu entre eles” (Nm 11,1-3).
FOI HISTÓRICO? No livro mais divulgado do mundo em todos os povos, em todas as línguas, em muitos séculos, a Bíblia, relatam-se muitos fenômenos maravilhosos que são atribuídos a Iahweh. E conseqüentemente também este caso de Tabera.
O apóstolo São Paulo afirma que o fato da súbita extinção do incêndio em Tabera é milagre alcançado de Iahweh pela fé de Moisés: “Que mais devo dizer? Não teria tempo de falar com pormenores... dos profetas. Estes, pela fé... extinguiram o poder do fogo” (Hb 11,32-34).
E tradicionalmente judeus, cristãos, assim como os muçulmanos etc. não duvidaram nem da historicidade do fato nem de que fosse milagre.
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Em muitos lugares, os “iniciados” enganam as multidões como se tivessem poderes de pirovásia. Na realidade é pura técnica (e um pouco de truque). E não é fogo, são brasas. E quanto mais peso, melhor. E mesmo assim, há que passar a passos firmes um tanto rapidamente.
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A partir do século XVIIl, porém, muitos autores (chamados racionalistas, positivistas, agnósticos etc.) apresentaram multidão de argumentos teóricos para demonstrar que tais fatos não podem existir na realidade.
E a partir do século XIX, a maior parte dos teólogos, tanto protestantes (chamados liberais) como católicos (chamados modernistas), afirmam que tais narrações são lendas bíblicas para ensinar uma doutrina.
– Que o intuito principal da Bíblia é ensinar doutrina, é evidente. Mas esses fatos maravilhosos com que se pretende confirmar a Revelação dessa doutrina são lendas? Todos os casos maravilhosos, referidos na Bíblia, são lendas?
Aí está o problema. Primeiro e básico: por quê? Segundo e transcendental: então a doutrina bíblica está no ar, sem o sustentáculo dos fatos SN? A doutrina seria aceita irracionalmente, sem “assinatura” divina? Terceiro: e os casos idênticos ou muito semelhantes, durante os séculos, então também são lendas? Todos? O termo todos acena ao chamado em Parapsicologia efeito bumerangue: no estudo dos fenômenos SN os defensores acenam a que os milagres bíblicos ir-se-iam repetindo até hoje e assim confirmando, os recentes confirmariam os antigos. Se não há efeito bumerangue não será que de boca em boca “uma pulga virou elefante”, do mesmo modo que surgem muitas lendas?
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