Milagre Real ou Sinal Subjetivo?
Mais exemplos concretos
Dedicamos o artigo anterior a demonstrar que é completamente falso considerar o fenômeno SN, o milagre, como simples sinal subjetivo. O milagre é uma prova objetiva, real, clara, evidente..., é a “assinatura” de Deus na Sua Revelação.
Entre tantos fenômenos parapsicológicos, foi escolhida ao acaso no artigo 1 desta série a classificação pirovásia. Já vimos naquele artigo á modalidade “apagar-se grandes fogueiras instantaneamente”. Recomendo como muito importante reler esses numerosos milagres lá expostos. Vejamos agora a modalidade “resistência ao fogo”.
Preparando descaradamente a exibição: os carvões da periferia ficam ardendo, mas os do centro ficam sem chamas.
PREÂMBULO: FALSO MILAGRE. É muito conhecido que em muitas culturas certos iniciados passam com os pés descalços sobre brasas.

-- Os mágicos também costumam reproduzir este e outros fenômenos de aparente pirovásia. Pura técnica, quando não truque em tudo ou em parte.

** Os kahunas, da Polinésia, talvez sejam os “artistas” que mais freqüentemente usam estes truques e técnicas.

-- Na sua ignorância, por outra parte, não sabem que muitos desses segredos são conhecidos por outros grupos de charlatões e falsos magos (não há magia verdadeira). E na sua ignorância não sabem, nem adivinham!, que todos esses segredos são perfeitamente conhecidos pelos bons mágicos e parapsicólogos (todo bom parapsicólogo deve ser também profundo conhecedor, ao menos teórico, de mágicas. Do contrário seria facilmente enganado por charlatões).

*** A respeito dos kahunas escreve Max Freedom Long, um... esotérico (pois ao longo dos seus escritos mistura um pouco de ciência e sagacidade com consideráveis doses de desconhecimento e mesmo charlatanice; e por isso mesmo é muito paparicado pelos esotéricos e supersticiosos). Escreve: Os kahunas “disseram que a religião deles era a única verdadeira (?!) e que o passeio (?!) sobre o fogo provava isso (?!). Disseram também que nenhuma outra fé religiosa possibilita aos devotos andar por sobre o fogo (É claro que a religião verdadeira não ensina truques e técnicas). O que eles queriam que eu acreditasse era que o deus deles protegia os pés dos puros e dos sagrados para que não se queimassem. Os que ainda não eram suficiente e completamente puros sairiam queimados”.

-- Respondo: Bastem agora duas observações:
Há que pisar onde não tem fogo...
1ª) Não se trata de fogo, são brasas vulcânicas um tanto endurecidas, mas ainda fumegantes. Desafio todos esses “puros e sagrados”: Se fossem chamas, e que se demorasse ao menos um minuto para serem atravessadas, ninguém deles sobreviveria.

2º)
Que milagre é esse que alguém, por mais “puro e sagrado” que seja, quando diminui a velocidade ou tropeça, está “liquidado”? Um exemplo concreto referido pelo próprio Long:

“Um velho, muito fraco e muito encurvado, havia entrado no fogo (?!). Suas mãos estavam estendidas para o alto, como implorando auxílio. Depois dos primeiros passos (Que têm de ser rápidos!), ele começou a vacilar. Continuou hesitante, saltou no ar (Claro, estava abrasando-se, por falta de velocidade!), afocinhou de maneira selvagem e caiu de uma vez (E, claro, se não fosse socorrido imediatamente, morreria: desafio de novo a todos esses “puros e sagrados”). No mesmo instante, assistentes munidos de longos ganchos à guisa de dragas (Ora, eles não são “puros e sagrados” nem quando pretendem salvar a vida de outro “puro”?) postaram-se à beira do braseiro. Trabalhavam freneticamente rolando o corpo fumegante para fora. Dragaram-no perfeitamente, mas com brasas aderindo à carne queimada. Um recipiente de água foi derramado sobre o corpo ainda em forma. Levantaram-no depois, carregando-o prontamente”.

(Tudo inútil:)
“’Estava morto antes que o tirassem’ –disse uma voz grave à altura do meu cotovelo--. E eu comentei sorrateiramente (a respeito dos outros“ puros” que, evidentemente, não podiam diminuir a velocidade para socorrer o companheiro caído): ‘E não pararam..., continuam sempre’”

SUPRANORMAIS (SN), AGORA SIM:
Comecemos por analisar outra modalidade de pirovásia: “arder sem consumir”, o fogo não afetar a pessoa ou objeto exposto a ele.

No artigo 6 desta serie, a respeito da terceira classificação de milagre, o chamado “milagre contra a natureza”, já vimos o caso Bíblico de Sidrac, Misac e Abdénago que caminhavam incólumes pela enorme fornalha. Alem desse milagre é importante reler os numerosos casos praticamente iguais descritos naquele artigo. Continuemos agora com milagres nesta segunda modalidade de Pirovásia.

NA BÍBLIA. “Apascentava Moisés o rebanho (...) e chegou à montanha de Deus, a Horeb. O Anjo de Iahweh (A expressão “Anjo de Iahweh” designa o próprio Deus) lhe apareceu numa chama de fogo, no meio de uma sarça. Moisés olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia. Então disse Moisés: ‘darei uma volta, e verei esse fenômeno estranho, porque a sarça não sei queima’(...) E Deus o chamou do meio da sarça. Disse: ‘Moisés, Moisés (...) Não te aproximes daqui; tira as sandálias dos pés porque o lugar em que estás é uma terra santa’. Disse: ‘Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó’. Então Moisés cobriu o rosto, porque temia olhar para Deus” (Ex 3,1-6).

-- Os conhecedores de Parapsicologia sabem (e veremos expressamente estes fenômenos em outras oportunidades) que a telergia ou o ectoplasma podem cobrir, inclusive sem contato, uma flor ou a planta toda, e arder (pirogênese) sem que arda a planta. Uma luz intensa (fotogênese), ao redor da flor ou da planta também poderia dar a impressão de arder sem consumir. Ora, “O que se pode explicar por menos, não se deve explicar por mais”. Por tanto não é Supra-Normal, SN, milagre.

Quanto mais peso, melhor: sem ar o carvão não arde, e com o peso chega-se melhor à parte que não foi atingida pelo fogo.
Estes fenômenos parapsicológicos naturais, logicamente não os podia entender Moisés. Mas perfeitamente poderiam ser sinal como Especial Divina Providência de Iahweh...

Para a explicação da sarça ardente sem se consumir pode-se recorrer à identificação com alguma planta da região. São duas hipóteses:

1ª) O Dr. Smith supõe que “a chama de fogo poderia ser muito bem a rama vermelho-carmesin do visco em flor, Loranthus Accaciae, que cresce por toda parte na Terra Santa e no Sinai ( = Horeb, em outra nomenclatura) e em diferentes moitas e pequenas árvores espinhosas (que assim teriam sido confundidas com sarças) da família das acácias. Quando esse visco está em plena floração, a moita parece envolta em fogo devido às suas cores vermelhas como ardentes”.

-- Nem precisa dizer que se algum racionalista ou teólogo “modernizado” soubesse da existência destas plantas, imediatamente adeririam a esta “explicação”. Mas não se pode explicar assim. É completamente absurdo imaginar que Moisés não conhecesse essa planta “que cresce por toda parte na Terra Santa e no Sinai”. E que também não a conhecessem os escritores e leitores hebreus da Bíblia.

E Moisés viu e voltou para observar melhor. Um fenômeno tão perfeitamente observável e conhecido não seria surpreendente. Nem sinal de coisa alguma.

2ª) Um perito em botânica da Bíblia, Dr. Harold N. Moldenke, administrador e curador do Jardim Botânico de Nova York, escreve a respeito: “Entre os comentadores que julgam ter encontrado uma explicação natural, pensam alguns que o fenômeno da sarça que ardia e não se consumia pode ser explicado por um tipo de planta de gás, ou ‘fraxinela’, a ‘Dietamnus Albus L.’ É uma erva grande de um metro de altura, com panículas de flores cor de púrpura. A planta toda é coberta de minúsculas glândulas oleaginosas. Esse óleo é tão volátil que se evapora continuamente, e a aproximação duma chama descoberta causa uma inflamação súbita”. O fenômeno da sarça ardente existe, pois, na natureza, literalmente, em plantas com um grande conteúdo de óleos voláteis.

Dentro desta segunda hipótese explicativa há outra possibilidade: O naturalista alemão Dr. M. Schawabe comprovou em repetidas observações á inflamação espontânea. “A mistura de gás e ar inflama-se algumas vezes por si só, no calor intenso e no ar parado, ficando o arbusto intacto”.

-- Esta segunda hipótese, nos seus dois aspectos, seria menos desrespeitadora, sem deixar de sê-lo. Com a sagacidade e capacidade de observação de Moisés. Com a inteligência extraordinária que Moisés demonstrou ter, e que volta expressamente para observar o fenômeno, de modo nenhum ia ser ele mesmo a causar o fenômeno com sua tocha acesa sem percebê-lo. E se ardeu espontaneamente, pelo excesso de calor, de nenhum modo se surpreenderia de que o gás ardesse a alguma distância da própria folha sem que esta se queimasse. De nenhum modo tomaria o fato como mais que curioso e não lhe daria nada menos que a categoria de sinal de Iahweh.

*** Como tantas outras vezes só resta aos racionalistas e seguidores a fuga. Dizem: A sarça que arde e não se consome é uma lenda. Para essas vítimas de lavagem cerebral nem existem nem podem existir fatos que não se pudessem explicar naturalmente...

A sarça ardente perante Moisés (Ex 3,2). Quadro de Francisco Collantes, no Museu do Louvre, Paris
-- Respondo: A realidade é que existem muitos casos parecidos. Entramos, mais uma vez, no chamado efeito bumerangue. E não só sobre uma planta, insensível. O próprio sensível corpo humano arde sem se consumir nem ser minimamente afetado. É a modalidade agora selecionada: Analogamente à sarça ardente. Coisas materiais, muito comburentes que, porém, em contato com o fogo não se queimam.

NO AVENTAL...
Longis era um jovem sacerdote belga que, sob o patrocínio do bispo de Mans, vivia como monge na aldeia francesa de Boisselière. Inesfreda, uma jovem bonita, recusava o “casamento por conveniências”, que a família energicamente queria lhe impor.

Não tendo outro asilo, Inesfreda acudiu ao sacerdote amigo. E o Pe. Longis, decidido a enfrentar as más línguas e a não abandonar a amiga, hospedou-a na casa canônica.

De boca em boca, o fato logo virou grande escândalo, alentado pelo pretendente de Inesfreda. Mais denunciou o Pe. Longis como sedutor da sua “prometida”.

O rei Clotário chamou ambos acusados ao seu tribunal. Quando o Pe. Longis e Inesfreda apresentaram-se no palácio..., o rei saíra para uma caçada! Durante a longa espera, o Pe. Longis estava ficando pouco menos que congelado. Inesfreda foi então procurar fogo, enquanto o padre procurava lenha.

O padeiro real com muito gosto ofereceu-se a retirar do fogo carvões acesos... E Inesfreda, simplesmente após levantar os olhos ao céu, convenceu o padeiro que, meio fascinado e como um autômato, obedeceu deitando os carvões acesos sobre o avental da jovem.

O rei Clotário e toda sua corte chegaram a tempo de ouvir as exclamações de admiração do padeiro e presenciar o milagre. Os carvões acesos não queimaram nem um fio do avental, nem o sujaram sequer.

Por aquele sinal divino, Clotário sentenciou a favor dos caluniados. E o milagre também correu de boca em boca. Então ninguém mais falou mal, muito ao contrário, de São Longis e Santa Inesfreda. Ambos tiveram vida longa e muito edificante.

...OU NA BLUSA. Mais um dentre tantos milagres de São Francisco de Paula.

O sacristão da igreja de São Marcos pediu ao menino Francisco (Tinha ele então somente treze anos) que trouxesse carvões para preparar os aquecedores dos censores. São Francisco de Paula foi, pegou com as mãos uma grande quantidade de carvões acesos, colocou-os na sua blusa e assim, perante dezenas de espantadas testemunhas, levou-os ao sacristão, sem que nem as mãos nem a blusa do santo sofressem o mínimo dano!

Em Itapecirica da Serra (SP) tive que desmascarar o charlatão que descaradamente, afirmando que ele era o próprio Diabo, caminhava com pouquíssima técnica e truque mal feito sobre pretendidos carvões ardentes
SOBRE CARVÕES ARDENTES.. CAMINHAR.

Fabiano, o governador romano, mandou fazer no campo um comprido corredor de carvões acesos, (ardentes, com chamas...) Disse a São Tibúrcio: “Agora escolhe o que preferes fazer, ou pões incenso sobre estes carvões em honra dos deuses imortais, ou caminhas descalço sobre eles para que vejamos se teu deus crucificado pode te salvar”.

São Tibúrcio fez o “sinal-da-cruz”. E lentamente foi atravessando, tranqüilo, até o outro lado. Ao sair, comentou: “Para mim foi como passear sobre um tapete de pétalas de rosas e de outras flores”.


SOBRE CARVÕES ARDENTES... PARADO. *Quando o abade São Palimão se preparava para rezar as “Vésperas” do ritual sacerdotal entrou um outro eremita e desafiou o santo abade a rezar em pé sobre o braseiro. É claro que São Palimão não aceitou, invocando aquele texto da Bíblia: “Não tentarás o Senhor teu Deus” (Dt 6,16; Mt 4,7). Perante as angustiosas insistências, suspeitando que o visitante precisava de um sinal, o santo descalçou os pés, subiu nos carvões acesos do braseiro e assim tranqüilamente rezou com o outro eremita as compridas orações, durante uma hora, sem sofrer a mínima queimadura.

* O rei Fernando o Católico, da Espanha, mandou pedir ao famoso São Pedro González, que fosse de Galícia, onde trabalhava, a Valladolid para consultá-lo.

Um libertino da corte contratou uma jovem e muito bonita profissional da prostituição. Bem instruída, enviou-a ao famoso santo, da ordem de São Domingos. Havia bastante gente. A mulher disse que precisava fazer uma consulta muito importante e confidencial. São Pedro González levou-a a uma salinha de visitas reservada.

Sandra Rao, especialista em Parapsicologia, grande mágico, artista de cinema e de circo, desmascarando os charlatães: os carvões acessos estão ao redor, mas ele está parado sobre carvões que não ardem...
Logo a jovem abraçou-lhe os joelhos, depois começou a tirar a roupa, queria arrancar os hábitos do padre, mil outros artifícios. Para surpresa e alegria da prostituta, que “não esperava que fosse tão fácil”, São Pedro González pediu que o seguisse ao seu dormitório... E quando entraram no dormitório, o santo, como se tivesse muita pressa, começou arrancando os sapatos... e pôs-se em pé sobre os carvões do braseiro que estava ao máximo naquele gelado dia de inverno. A jovem, apavorada, lhe gritava que saísse de lá, que iria morrer. Passava bastante tempo. A jovem terminou, em lágrimas, pedindo perdão. O santo então saiu do braseiro. A moça querendo socorrê-lo, não encontrou absolutamente nenhum efeito do fogo nos pés do santo.

(Converteu-se e dali em diante foi uma exemplar cristã e grande colaboradora no apostolado de São Pedro González, ou hoje popularmente “Sant’Elmo”, padroeiro dos marinheiros espanhóis).

NAS MÃOS! Por exemplo, dois casos de São Francisco de Paula. Eram muitos os doentes que de todas partes o procuravam. Alguns médicos acusaram-no de curandeirismo e mesmo de charlatanice.

* Veio o Pe. Antônio Scozetta, grande orador, mas também temperamental e um tanto fanático. Tomou sobre si a missão de combater o que ele julgava exploração da crendice popular, ainda mais indigno num frade com fama de santo. O Pe. Scozetta invadiu inclusive o quarto de São Francisco de Paula. Face a face acusou-o de impostor. São Francisco escutava o padre acusador com a mesma cortesia e amabilidade com que o acolhera. Isso irritava ainda mais o temperamental e abusivo acusador; pensava que era a típica “pele de ovelha” (Mt 7,15) dos mais prejudiciais e mais ladinos charlatões.

No momento mais quente das diatribes contra ele, São Francisco acudiu à “prova de fogo”. Levantou-se calmamente, pegou do braseiro com ambas mãos todos os carvões que nelas cabiam, e aproximando-se do aterrado acusador lhe disse com um sorriso carinhosamente irônico: “Pe. Antônio, aqueça seu coração, tem grande necessidade disso”.

O Pe. Antônio por uns momentos ficou observando... Pouco depois prostrou-se de joelhos pedindo perdão.

* Muito parecido e com maior transcendência ainda, em outra ocasião. O papa Paulo II enviou um escolhido entre seus melhores auxiliares a verificar se eram verdade os milagres que se contavam de São Francisco de Paula, “o Taumaturgo”. O bispo de Cosenza encomendou ao cônego Charles Pirro que acompanhasse o enviado do papa.
Quando se encontraram com São Francisco, o cônego perguntava citando determinados milagres. Mas só o cônego falava deles, porque o santo muito humildemente se refugiava em evasivas...

E o delegado papal sentenciou (com excessiva generalização) que em matéria de milagres há muito perigo de ilusões... Então São Francisco de Paula se levantou, enfiou as mãos no fogo, pegou tantos carvões acesos quantos lhe cabiam nelas, aproximou-os ao enviado papal , que não podia resistir a tal calor, e disse: ”Toda a natureza obedece a quem com coração sincero serve a Deus”.

Após esse sinal, o delegado papal pôde sem preconceito indagar entre as testemunhas sobre muitos milagres do famoso “Taumaturgo”. Quando voltou a Roma, manifestou ao papa que a santidade de São Francisco era muito maior do que se afirmava e que não havia exagero nos milagres que dele se referiam.

Mais uma vez: É claro que as chamas matavam no absurdo ordálio. Mas, apesar de por fim proibido pela Igreja, em outras circunstâncias Deus realizou Pirovásias SN, como exponho no texto, com São Longin e Santa Inesfreda, São Francisco de Paula, São Tiburcio, São Polimão, São Pedro González, São Pedro Aldobrandini, São Dragon, Santa Catarina de Siena, São José Oriol, etc., etc.
COMO ORDÁLIO. Fim do século XI. O pilantra Arcebispo de Florença, Pedro de Pavia, lucrava vergonhosamente com a venda de poderes sagrados (= Simonia, nome dado porque Simão o Mago queria comprar o poder da “magia” -milagres-que manifestava o Apóstolo São Pedro).

Os monges da Abadia de Valombrosa acusaram o Arcebispo perante o Tribunal Eclesiástico. A palavra dos monges contra a do Arcebispo e dos que com ele compactuaram...

O Tribunal Eclesiástico de Florença exigiu “o juízo de Deus” (= Ordálio, assim chamado esse ato ilícito, freqüente em épocas passadas, de pretender forçar Deus a manifestar seu julgamento).

Entre os monges, São Pedro Aldobrandini ofereceu-se para protagonizar “a prova de fogo” (É por isso que o Papa Gregório VII haverá de chama-lo “o ígneo”). O santo serenamente avançou em direção ao violento fogaréu. Um túnel de luz deslumbrante sob uma abóbora rubra. Expectativa densa. Por fim vêem São Pedro o ígneo, sair da fornalha sem um chamusco sequer nos cabelos ou nas roupas.

Em conseqüência o Papa Alexandre II depôs o escandaloso arcebispo Pedro de Pavia e honrou São Pedro o ígneo com o título de cardeal-bispo de Albano.

POR ACIDENTE. Século XII. Num pequeno segundo andar na Igreja de Seburg (França). Um violento incêndio. São Drogon prostrou-se de joelhos em oração. E assim foi encontrado, tranqüilo, absolutamente incólume, sem o mínimo chamusco, quando o fogo se extinguiu naturalmente após consumir até os escombros todo o edifício.

São Policarpo. Em Esmirna, ano 155. Perante ingente multidão foi colocado em imensa pilha de lenha à que prenderam fogo. Fogo tão grande que até dificultava um tanto, de fora, ver o santo. Quando ficou claro que as chamas nada podiam contra ele, o tirano mandou que fosse retirado. Absolutamente ileso. Alcançou o martírio pela espada. Houve inúmeras conversões, e a partir de então se suspenderam as perseguições naquela região.
Século XIV. Santa Catarina de Siena, pretendendo ajudar a apagar um violento incêndio, acabou caindo no meio das chamas. Todos a viram caminhando entre as chamas até sair, e nem um só cabelo foi chamuscado.
ISSO É QUE É BOMBEIRO. Século XV. Um forno de cal, que estava aceso havia já 24 horas, estourou. As chamas saíam pelas fendas e ameaçavam destruir todo o forno. Chega São Francisco de Paula. Pela sua fama de taumaturgo todos olharam para ele. Importante era o forno para o mosteiro que estavam construindo em Consenza. E para repará-lo só de dentro! São Francisco de Paula tranqüilamente entrou no forno! Passou o tempo. As chamas não mais saíam pelas fendas. Passou mais tempo. Os trabalhadores foram fazer a refeição. Quando bem mais tarde voltaram, encontraram o santo tranqüilamente lavando as mãos, ele tinha argamassado as fendas. Nem o mínimo chamusco na roupa, nos cabelos...

Provavelmente o próprio São Francisco de Paula (1416-1507), fundador da “Ordem dos Mínimos”, seja quem mais haja repetido na sua longa vida (91 anos), com absoluta confiança em Deus, “a imunidade ao fogo

* São José Oriol (+ 1702) foi vergonhosamente caluniado. O descrédito que estava prestes a cair sobre ele faria ruir todo seu trabalho com pobres, com doentes, com a multidão que abarrotava continuamente sua igreja, em Barcelona. Para demonstrar sua inocência, ele próprio propôs fazer diante de todos a “prova de fogo”.

Puseram o forno à máxima temperatura. São José Oriol orou elevando os olhos ao Céu. “No auge, os carvões estalavam e faiscavam, e no fogaréu terrível enfiou ambas as mãos, sem que mal algum lhe acontecesse”. O poder de Deus, com este sinal convenceu a todos da santidade do Seu servo.

Em debate pela Televisão ponderaram insistentemente os milagres (?!) dos que caminham pelo fogo. Não podendo na Televisão reproduzir esse truque e técnica dos charlatões, pedi algodão e álcool e apresentei uma técnica e truque bem mais notáveis. Em várias oportunidades repeti igual e parecidas demonstrações.

 


 

 

 

 

 

 

 

 

EXPERIMENTE” – Uma anedota. Estava eu em aula, da pós-graduação, explicando o ordálio, concretamente ao que se submeteu São José Oriol. Quando afirmei que o fez com as mãos, uma aluna muito simpática e espontânea, que me havia assistido quando eu, em plena televisão, segurei fogo com as mãos por pura técnica e puros truques, exclamou: “Só as mãos?”

-- Respondi: “Até o grande milagre de revitalizar um morto é facilmente trucado, basta alguém se fingir morto. Mas os fenômenos verdadeiramente SN estão muito bem comprovados e verificados. São fatos muito diferentes!... Ainda existem, especialmente no interior, aquelas velhas cozinhas de lenha. A chapa superior de ferro chega a ficar um tanto vermelha, de tão quente. Seria interessante que alguém levantasse com o gancho a tampa do forno. E a senhorita experimente enfiar... só as mãos!” Entre as gargalhadas dos colegas pelo seu gesto de arrepio, ela compreendeu perfeitamente o mérito imenso daquele tipo de ordálio realizado por Deus em muitos santos...