Superior ao fogo

 

APAGAM-SE TOCHAS.
Pirovásia estritamente refere-se ao fogo (Em grego Pirós = fogo e vasia = caminhada). Numa técnica “vulgar” pode-se caminhar sobre brasas, não propriamente sobre fogo. Daí, por antonomásia, pirovásia passou a significar em Parapsicologia à incombustibilidade ao fogo, fogo mesmo.

A pirovásia propriamente não se refere a outros aspetos análogos, por exemplo invulnerabilidade ao calor exorbitante, ou a líquidos fervendo... Como o caso do apóstolo São João Evangelista que saiu ileso de haver sido submergido num grande recipiente de óleo fervendo. Estamos falando agora da pirovásia em sentido estrito.

Em efeito bumerangue ao caso de Tabera, comecemos, ao acaso, a partir do século III.


E os charlatães pais de santo no Candomblé, com muita menor técnica, perante os ingênuos que acreditam, apresentam-se como protegidos pelos orixás...

* Santa Eugênia, então com 20 anos, após superar os tormentos que pretendia infligir-lhe o prefeito de Roma, assim como o juiz, acabou sendo levada perante o próprio imperador Décio. O imperador queria verificar pessoalmente os milagres de invulnerabilidade que se atribuíam à jovem cristã. (Analisá-los-ei em outros artigos).

Foi arrojada na vivíssima fornalha das famosas termas de Severo. O fogo instantaneamente se apagou. E não houve modo de que os encarregados conseguissem acender de novo o fogo, enquanto a santa ficou dentro do forno.

* Também no século III, Santa Restituta. Convertidos pelos prodígios realizados pela santa, os carcereiros fazem-se batizar pelo Padre Ciril. Então o procônsul manda que compareçam perante seu tribunal a jovem Santa Restituta, o Pe. Ciril e os carcereiros recém-convertidos ao cristianismo.

Santa Restituta e o Pe. Ciril são condenados a morrer na fogueira. E... as tochas se apagam sozinhas. Novos intentos. Tudo inútil. Após muitas ordens dos oficiais e muitos esforços dos dois carrascos, também estes dois homens, que como ninguém sabiam o que estava acontecendo, pedem o batismo.

Então o dois carrascos foram condenados à morte pela espada. Quanto a Santa Restituta... voltaremos a falar dela em outro artigo.

DISCUSÃO. Os opositores dos milagres, logo objetam: Esses casos são de valor debilitado, pouco convincente e mesmo de nenhum valor, por serem muito antigos. Os defensores, porém, consideram que havia tantos e tantos mártires nos primeiros séculos do cristianismo, que é muito fácil encontrar qualquer tipo de milagres, e concretamente de pirovásia, classificação escolhida ao acaso. Qual das duas hipóteses é a verdadeira?

CONTINUEMOS com o efeito bumerangue:

* Século IV. Com o médico São Pantaleão, as tochas apagavam uma e outra vez... De tanto que pretendiam aumentar o fogo das tochas para impedir que se apagassem, os carrascos só conseguiram queimar as próprias mãos.

Desenho antigo representando São Policarpo em imensa fogueira. As chamas tomaram a forma de duas velas envolvendo o santo sem nem sequer queimar cabelos e vestes. Convencidos da inutilidade de todos os esforços para queimá-lo, o mataram com um punhal. Ano 155.

* Santos Cosme e Damião. Irmãos gêmeos, cuja figura a Umbanda brasileira conseguiu desfigurar completamente no seu clássico intento de disfarçar-se de Catolicismo.

O Martirológio Romano resume assim: “Em Egéia, a morte dos santos mártires Cosme e Damião, irmãos: Durante a perseguição de Diocleciano, depois de terem sido carregados de ferros e encarcerados numa estreita prisão, foram atirados ao mar (Donde saíram ilesos), depois atirados ao fogo (Isto é o que frisamos, a pirovásia, tão despretensiosamente aludida pelo Martirológio), em seguida pregados na cruz (Onde a morte não os atingiu), lapidados (Mas as pedras não os mataram) e traspassados de flechas (Cujas feridas logo depois cicatrizavam deixando-os incólumes). Tendo a tudo suplantado, foram ao final, decapitados (Referem-se muitos casos que parecem frisar que Deus “respeita” a vontade e ação mais direta do homem. Como mais exemplos todos os casos citados antes neste mesmo artigo). Com os dois também sofreram e morreram (decapitados) seus três irmãos Ântimo, Leôncio e Euprébio”.


E naqueles primeiros séculos com outros muitos santos também aconteceu que o fogo das tochas se apagasse e que fosse impossível acender a fogueira, como com o abade São Liberato, o diácono São Bonifácio, os mártires de Cartago em África, etc., etc.


NOVA DISCUSSÃO. É elementar em Parapsicologia que a telergia humana, isto é, a energia somática transformada e exteriorizada, dirigida pela telebulia ou vontade do inconsciente, pode apagar instantaneamente uma vela, um charuto, mesmo uma tocha. Estes fatos acontecem em todas as épocas, em todas as religiões, ou independentemente de qualquer conotação religiosa. É um fenômeno de telecinesia humana, EN, extranormal.

Dever-se-iam à telergia os casos de Pirovásia, como os citados, e tantos outros, dos santos mártires? É evidente que uma tocha pequeníssima pode ser apagada pela telergia. Mas é simplesmente EN apagar-se o grande fogo com que os tiranos queriam martirizar aqueles santos? Ou são casos SN, bem superiores à telecinesia humana? Muitos dos algozes converteram-se ao cristianismo considerando milagres esses fatos. Para os tiranos, porem, seria magia.

Casos nessa proporção não há “em todas as religiões” ou “em qualquer ambiente”...


APAGAM-SE GRANDES INCÊNDIOS. Avancemos a outros séculos, escolhendo, quase ao acaso ou por melhor documentados, alguns entre bastantes casos:

* Século V. Mais parecido a Tabera: Um enorme incêndio deflagrou-se na Avenida do Leste e ameaça consumir toda Viena (Áustria). O arcebispo, São Mamerto, prostrou-se perante o altar e em voz alta pede a Deus, perante os fiéis, que o incêndio se apague... já. E imediatamente aquele o incêndio tão devastador se apaga imediatamente.

* Séc. VI. França. O perigo do fogo passar ao madeiramento e estender-se a todo o convento é iminente. São Laumer, com uma ordem em nome de Deus extingue o fogo instantânea e completamente.

* Século VII. Um violento incêndio ameaça acabar com toda a cidade francesa de Noyon. O fogo já atinge a tão estimada Basílica de Santa Maria. Um grupo de pessoas carrega Santa Godeberta, muito doente. Pensam que as chamas têm de respeitar a famosa santa. Santa Godeberta perante tantíssimas testemunhas, faz o Sinal da Cruz em direção às chamas. E instantaneamente o fogo se extingue radicalmente, salvando-se a Basílica e toda a outra metade da cidade.

* São Lobo, arcebispo de Sens. Salvou a Catedral e a metade restante de Chalons.


* “O Taumaturgo Inglês”, São Cuthbert, bispo de Lindisfarne, apaga instantaneamente um incêndio de grandes proporções e que amaçava ainda causar incalculável prejuízo.

* Século IX. O fogo que destruíra os palácios dos Saxões e dos Longobardos, arrastado pelo forte vento agora avança irremediavelmente sobre a vizinha Basílica de São Pedro, no Vaticano. O papa São Leão IV, perante a multidão, ora a Jesus Cristo: no mesmo instante e completamente o devastador fogo ficou extinto.

* A cidade italiana de Ancona, cercada pelas chamas, foi salva instantaneamente pela oração do seu bispo São Marcelino.

* O patriarca de Antioquia São Macário. O célebre templo de Santa Anastácia, em Constantinopla, foi salvo pela oração E a cidade de Malinas.


“Quem brinca com o fogo...” O protesto político do panamenho Leopoldo Aragon, converteu-se em suicídio.

E OUTROS MUITOS SANTOS. Os melhores historiadores recolhem outros muitos milagres de apagar instantaneamente grandes incêndios, como os alcançados pelos santos Romualdo, Estevão, Benedito, Hilário, Visidôncio, Medoaldo, Bertulfo, Tecla, etc., etc. Inclusive alguns historiadores dedicam monografias a fatos desta classificação. Insistindo no efeito bumerangue, em outros artigos referiremos outros casos de pirovásia sensacional.

E NOVAMENTE A DISCUSSÃO. Entre os que se opõem aos SN, alguns poucos que tiveram certo conhecimento desses fatos, objetam que, sendo todos atribuídos a papas, bispos, abades, reis e outras grandes autoridades, isso é argumento de que se trata de invenções para exaltar ainda mais o prestigio desses santos. Em contrapartida os partidários da interpretação SN provam que a maioria dos milagres de todo tipo são mais freqüentemente alcançados por eremitas, monges de clausura, santos humildes ou que, inclusive, escolheram a pobreza e afastamento do mundo. São mais divulgados os milagres de pessoas célebres, porque precisamente essa celebridade fez seus prodígios mais conhecidos e melhor documentados. Não será difícil para o internauta julgar qual das duas interpretações é a verdadeira...

O FOGO FOGE. Afasta-se da matéria comburente e volta para o que já consumiu! Novamente para o efeito bumerangue escolhamos ao acaso só três entre tantos casos.

* Século VI. Um horroroso incêndio devorou uma grande parte da cidade de Reims e evidentemente destruiria a cidade inteira. No desespero, muitos acudiram ao santo arcebispo. São Remi fez em direção ao fogo o sinal da cruz, enquanto dizia com voz forte: “Até aí chegaste, mas daí não passarás”. O avanço da linha de fogo parou imediatamente. Então São Remi começou a avançar em direção às altas chamas, e estas, em toda a extensão de sua linha de frente, começaram a retroceder com a mesma velocidade que o santo caminhava a passos largos, firmes, rápidos.

* Século VIII. Sempre que um incêndio se deflagrava, o que não era raro nos bosques dos arredores de Soissons, os habitantes conduziam São Godofredo até lá. E o santo ia empurrando o incêndio pela parte já quase consumida até chegar aonde o fogo começara, e aí se extinguia.

* Século XVI. O famoso missionário espanhol na América, São Luis Bertrand. O fogo consumira todo o bosque, com grande perigo para a tribo de índios que ficaram cercados pelas chamas. São Luís conclamou a fé em Jesus Cristo, que vinha lhes pregar e fez contra o fogo um solene sinal da Cruz. Imediatamente o fogo desapareceu. As numerosas testemunhas garantem que não ficaram nem brasas.

INCLUSIVE AS RELÍQUIAS. * O bispo de Paderborn, Venerável Meinwerk, tinha dúvidas de se seriam mesmo de São Félix II os ossos que lhe enviara o patriarca de Aquiléia. Para dirimir as dúvidas, acudiu ao “juízo de Deus” pela prova do fogo. Mandou que no claustro do mosteiro (por ele construído e para o qual solicitara de Itália as relíquias) fizessem uma enorme fogueira. Quando as chamas alcançaram o máximo da sua potência, jogou no meio do fogo os ossos, envolvidos simplesmente em panos. A fogueira se apagou no mesmo instante. Segunda “prova de fogo”, e por segunda vez a enorme fogueira se extinguiu instantaneamente. Por terceira vez, e entre as aclamações entusiastas do povo, o bispo pode recolher com suas próprias mãos as preciosas relíquias de São Félix II, papa e mártir.

CABE A DÚVIDA? A pirovásia constitui um mero exemplo. O nosso objetivo ou a pergunta nesta longa série de artigos que agora começamos sobre “Os Milagres e a Ciência”, refere-se também a todos os outros tipos ou classificações de fenômenos parapsicológicos.

Uma primeira pergunta: Perante todos esses milhares e milhares de casos, os racionalistas e muitíssimos teólogos, hoje podem continuar afirmando que foram lendas? Os bíblicos e em conseqüência e pelos mesmos motivos também os pós-bíblicos? Todos?

Segunda pergunta: Casos como os citados, entre milhares que poderia citar, não se encontram “em todas as religiões” ou “em qualquer ambiente". São muito superiores aos correspondentes fenômenos de pirovásia por telergia humana. São pirovásia supranormal, SN?
 
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